Pouco depois de se casar, a sorte do conde de Cerveira sofre um revés. Uma série de infortúnios deixam-no à beira da ruína financeira, e não demora muito para que comece a desconfiar dos intentos da estranha de beleza intrigante que desposou. Perante a dúvida, decide enviar Leonor Sanches para um exílio temporário junto do tio, que ensina no prestigiado Trinity College, em Dublim. Conforme a epidemia de cólera vai ceifando as vidas de cristãos e anglicanos na Irlanda, também o coração de Leonor Sanches se oferece à tragédia.
~1857~
Cinquenta anos depois de perder o seu bem mais precioso para as tropas de Napoleão, Mariana Turner sente que está a um passo de descobrir toda a verdade sobre os acontecimentos de Março de 1809. Novas revelações apontam para que a condessa de Cerveira, encarcerada no Porto, seja a chave para resolver o mistério. Munida de uma determinação inabalável, tudo fará para conseguir deslindar o passado de Leonor Sanches – fidalga e anjo caído.
Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. É escritora e tradutora. Demência foi o seu primeiro romance publicado (Alfarroba @ 2011). Que descreve como “um grito de revolta contra as circunstâncias da mulher portuguesa no século XX, e da mulher ainda vulnerável, isolada e silenciada pelos bons costumes, em contexto rural, em pleno século XXI”. Em Abril de 2019 é reeditado pela Coolbooks, numa edição revisitada na íntegra, juntando-se assim a O Funeral da Nossa Mãe (Alfarroba @ 2012), A Filha do Barão (Marcador @ 2014, coleção Os Livros RTP), Uma Mulher Respeitável (Marcador @ 2016). Pela mesma chancela da Porto Editora lança Os Pássaros (Coolbooks @ 2020) e, em edição de autor, por se tratar de uma autobiografia ficcionada, Até os Comboios Andam aos Saltos (2021), que explora temas como o cancro terminal do pai, o alcoolismo da mãe e os dilemas de uma mulher de 30 anos com um passado por resolver. Em 2024 publicou No Tempo das Cerejas, no grupo Infinito Particular, e Erros Crassos da História: Figuras Histórias e os Erros que Mudaram o Mundo (Ideias de Ler).
Mudou-se para o Alentejo no início de 2025, a fim de poder dedicar-se aos estudos em História e Artes. Vive com dois cães, rodeada de muitas planícies e vacas.
É sempre agridoce terminarmos de ler um livro nosso. Há autores que nem se metem nisso: é enervante passarmos para o outro lado e "avaliarmos" o que escrevemos. Surgem tantas coisas que gostaríamos de ter contado de outro modo! Em geral, este livro ficou-me na pele, como também me ficaram os outros. O meu coração sofreu uns quantos reveses tanto a escrevê-lo quanto a lê-lo. Agora sim, posso considerar que este está terminado.
"Uma Mulher Respeitável" é o primeiro livro que leio da autora Célia Correia Loureiro, embora já tenha lido anteriormente dois contos da autora. Parti para esta leitura sem expectativas até porque a minha relação com o género romance histórico é bastante conturbada. Foi então uma boa surpresa quando comecei a leitura e adorei o prólogo, é intenso, emotivo, vibrante e faz-nos rapidamente querer avançar na história. Confesso que a autora me trocou um bocado as voltas, pois esperava outro tipo de enredo e não um com tantos saltos no tempo, o que se por um lado se mostrou interessante, por outro às tantas senti-me algo baralhada e um pouco entediada por a história estar sempre a saltitar na linha temporal. Mas dou os meus parabéns à autora pela boa construção de um enredo assim, pois é fácil perdemo-nos e a Célia conseguiu sempre que todos os saltos no tempo de encaixassem na perfeição.
Quanto às personagens acho que não tenho nenhuma que consiga eleger como favorita. No geral, todas tem personalidades distintas e acabamos por gostar ou odiar cada uma, o que as torna bastante humanas.
Falando da história em si gostei, gostei da forma como a Leonor planeou toda a sua vingança e da sua coragem em executá-la. Tive alguma pena que a autora não tenha aprofundado mais a história de amor da Leonor durante o tempo em que a mesma viveu na Irlanda. O final da história porém desiludiu-me, pois foi incapaz de me fazer sentir que o livro tinha terminado, que a história tinha ficado concluída.
"Uma Mulher Respeitável" é sem dúvida uma boa leitura onde o leitor irá encontrar diversos ingredientes que o manterão sem dúvida agarrado à história. A escrita da autora é igualmente excelente, bastante fluída e cativante, sendo capaz de nos transportar para a época retratada ao longo da narrativa.
Este livro é um puzzle que se vai construindo à medida que a leitura progredi. É um livro que necessita de tempo de qualidade para a sua leitura. Existem duas linhas temporais diferentes e no inicio isso pode trazer alguma confusão à leitura mas os acontecimentos vão-se cruzando e delineando o surpreendente final. Esta foi a minha estreia com a escrita de Célia Correia Loureiro, gostei imenso e por esse motivo vou partir quase de seguida para "A Filha do Barão".
Adorei este livro. Não conhecia esta autora, mas há uns tempos que andava para a ler. Ao que parece este livro é a continuação de A FILHA DO BARÃO, mas lê-se perfeitamente sem ter lido o anterior. Fiquei a saber mais da história de portugal e o enredo está muito bem escrito. Parabéns à autora e aguardo o próximo.
Adorei a forma como a autora nos apresentou a história; aprecio imenso estas viagens entre presente e passado, permitindo-nos descobrir um acontecimento de cada vez e, desta forma, manter a curiosidade mais viva do que nunca.
O romance (no sentido anglo-saxónico do termo) nunca foi o meu género preferido. Ainda li bastantes clássicos, mas os que me caíram realmente no goto foram quase sempre os mais negros (Wuthering Heights, Rebecca). Contemporâneos, li dois ou três da Tracy Chevalier e Nora Roberts que nem sempre consegui terminar.
Dada a minha fraca experiência com o género, a minha opinião não vale grande coisa, mas o início deste Uma Mulher Respeitável pareceu-me bastante bem conseguido, criando empatia com a personagem principal, e a alternância de pontos de vista e avanços e recuos na linha do tempo consegue ir esclarecendo a trama aos poucos, ao mesmo tempo que vai criando novos mistérios, e instiga o leitor a avançar.
No entanto, à medida que a história progride, o enredo complica-se excessivamente, o tom torna-se demasiadamente dramático, e as cenas amorosas passam a ocupar uma parte substancial da narrativa. Tenho noção que estas são características do género romance, pelo que, se por um lado não me posso queixar, por outro lado, também não posso ficar surpreendida por não me ter entusiasmado, e acabasse por saltar algumas páginas para descobrir mais depressa como terminava a história.
Há muito que tinha vontade de ler os livros da Célia Correia Loureiro, vontade essa que ficou ainda mais aguçada depois de ter lido os dois contos que a autora disponibilizou gratuitamente. Finalmente, no Natal passado, resolvi presentear-me com o mais recente livro da Célia. Este "Uma Mulher Respeitável" é uma espécie de segundo volume de uma trilogia iniciada com "A Filha do Barão", pois os livros podem ser lidos de forma independente. No meu caso, esta foi a minha estreia com um livro da Célia e foi bastante fácil acompanhar a história e as personagens.
A história gira então em torno da misteriosa Leonor Sanches, uma jovem muito bela e que se torna esposa do Conde de Cerveira mas que poucos meses depois de casar é envia para junto do tio do conde em Dublim. Anos depois, Mariana Turner, uma viúva que há cinquenta anos perdeu a sua filha Amélia, tenta descobrir o passado de Leonor.
Esta é uma história que necessita de alguma atenção pois a acção vai alternando entre presente e passado, que nos vai sendo desvendado aos pouquinhos. Estas viagens ao passado, apesar de terem a identificação das datas e da personagem, podem ser um bocadinho confusas, pois não nos são dadas a conhecer por ordem cronológica, isto é, poderemos estar em 1831 e entretanto, a próxima entrada ser, por exemplo, em 1825. Apesar destes saltos temporais, a história é bastante interessante e que me deixou logo agarrada assim que li o prólogo. As personagens são também muito interessantes, cada uma com a sua personalidade própria e com os seus defeitos, tornando-se reais. Gostei bastante do modo como a autora construiu Leonor e todo o seu plano mas o final pareceu-me algo insuficiente pois esperava que fosse, chamemos-lhe sorridente, para várias personagens. Tenho que referir também a escrita da Célia, muito cuidada e adaptada à época em questão.
E se já tinha vontade de ler os restantes livros da Célia Correia Loureiro agora, depois de ler "Uma Mulher Respeitável", a vontade aumentou ainda mais.
Conhecendo a Célia, e tendo já lido todos os seus outros livros, não poderia deixar de ler este também. Ao início foi um pouco custoso habituar-me à escrita, aos tempos verbais utilizados, ao português arcaico. Não desvendado muito sobre a história, foi bom recordar a Mariana e algumas personagens que já tinham entrado em 'A Filha do Barão'. Notei que este livro contém muito mais personagens do que aquelas que esperava haverem, sendo que, no entanto, são necessárias para compor toda a trama. Foi igualmente bom conhecer esta Leonor já crescida e a sua estranha forma de vida. Dei por mim a acabar o livro e a pensar que seria bom haver uma continuidade para saber, afinal, quem é o Victor. Pois se ao início custou, agora poderia continuar a ler páginas sem fim.
Este livro é a continuação do "A Filha do Barão", livro que adorei, e penso que só lendo o primeiro se consegue perceber a dimensão do romance. Está escrito em pequenos trechos que vão alternando quer o momento da história, quer a personagem, o que no inicio foi um pouco confuso. Talvez o tenha sido porque por vezes tenho pouco tempo para dedicar à leitura e era preciso algum tempo para "agarrar" a perspectiva. No entanto, pareceu-me uma forma diferente e cativante de escrever.
Quanto ao livro em si, mais uma vez adorei a Mariana. Mulher forte, justa e com um coração enorme. Gostei muito da Luena e tive pena de não a ver aparecer ainda mais. A personagem principal, a Leonor, está tão bem construída que me vi a adorá-la de paixão e a odiá-la ao mesmo tempo. Apesar de ser um livro que "começa pelo fim" conseguiu surpreender com as constantes reviravoltas. Gostaria que houvesse continuação desta história ....
Gostei muito deste livro apesar de ser uma história triste. A construção em vários tempos não é fácil e exige muito talento para ser coerente e ao mesmo tempo atrativa. Um romance histórico muito bem conseguido e com uma escrita fluída e agradável.
Uma narrativa bem intrincada que obriga o leitor, a um esforço por vezes, para a encadear várias histórias com vozes próprias. Uma bonita transição entre discurso direto, relato e cartas. Um romance com tudo na medida certa.
Neste livro podemos encontrar a continuação da história das personagens que a Célia Correia Loureiro nos apresentou em "A Filha do barão". Encontramos uma Mariana já em fim de vida que julga ter reencontrado a sua filha Amélia há muito perdida. Julga que ela será Leonor, uma mulher presa na cadeia da Relação há 25 anos por adultério. Fiquei contente por a autora nos ter proporcionado a continuação desta história, no entanto tive alguma dificuldade em acompanhar os saltos temporais que vão acontecendo durante todo o livro. Acabei por apanhar o fio à meada, no entanto esta não é, definitivamente, a minha forma preferida de ler uma historia. No entanto a Célia escreve muito bem, e isso faz com que a leitura de todos os seus livros valha muito a pena!
Terminou :( Adorei o livro, escrito maravilhosamente como sempre. Não pude deixar de ficar triste como tudo acabou de uma forma trágica, mas acho que isso sou eu que gosto de finais felizes :) Infelizmente nenhuma personagem o teve, provavelmente merecido mas acabei por ganhar empatia por muitas delas, mesmo apesar dos seus actos.
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Li este livro sem saber que faria parte de uma trilogia. Ainda que o tenha lido sem a referência do anterior, agora que o terminei penso que teria ganho mais com esta leitura se o tivesse feito, pois, no início, achei a dinâmica de avanços e recuos um pouco confusa. O mesmo se aplica ao final, em que confesso ter ficado um pouco triste por não saber se D. Mariana acabaria por conseguir receber um abraço da sua filha, mas, agora que vejo que poderá haver uma outra obra de continuação, tenho esperança de ver essa minha dúvida resolvida. Foi uma boa leitura!
Um livro complicado de ler, por misturar passado e presente e várias narrativas. Uma história excelente, que perde por nos fazer perder um pouco com tanta informação.
Nota Geral: 4/5 Escrita: 4 Cenário: 4 Originalidade: 4 Personagens: 4 Suspense: 4 Humor: 2 Romance: 2.5 (pelo drama, li doente, também não ajudou, coloco uma explicação, pelas duvidas que tive a dar a nota) Capa: 5 Aditivo: 5 Previsível: 4 Investigação: 5
(...) Há sempre tragédia a unir as personagens dos livros e por norma as suas histórias andam em redor disso. Por outro lado há livros que se notam mais pessoais (como foi o caso do "Demência" que eu adorei) e aí nota-se uma diferença na maneira de contar a história. Algo que eu acho muito engraçado e bom da autora, como se ela passasse para o papel o seu estado de espírito "literário" do momento.
Tenho acompanhado o percurso literário da Célia Loureiro há já algum tempo, embora "Uma Mulher Respeitável" tenha sido a minha estreia com a autora. Este livro segue a história originalmente trazida para os leitores em "A Filha do Barão", o que decerto pode tornar a leitura deste segundo volume mais rica, embora não impeça que seja lido como romance independente. Conhecer os autores de um livro de antemão pode ser um desafio acrescido, mais não seja porque temos algumas expectativas sobre eles e porque há sempre elementos das suas personalidades que se derramam pelos trabalhos desenvolvidos (nem que seja pelo cuidado e pelo tratamento narrativo), pelo que criamos expectativas à luz da imagem que temos das pessoas (mesmo que possa ser um exercício incoerente e incorrecto). Para mim, a Célia é uma mulher de alma antiga num corpo jovem, que se coaduna com uma narrativa que nos traz uma certa melancolia transfigurada em construções agridoce, mas ricas em pormenores, pensamentos, ilustrações de um quadro de época e de uma enorme humanidade. Ainda assim, e talvez por já ter lido excertos de outras obras suas, ou mesmo desta (mediante frases que a autora ia partilhando aqui e ali online), faltou-me um certo arrebatamento mais premente que me fizesse sentir parte de uma narrativa dilacerante. Porque o enredo não deixa de o ser, de facto. Escrito sobre forma de um mosaico temporal, em constantes analepses e saltos temporais, há uma manta de retalhos reconstruída passo a passo para decifrar um mistério, sob a forma de uma figura feminina, com várias facetas e momentos de descoberta. A interação de todas as personagens, com discursos tidos como aproximados à época, transportam o leitor para o séc. XIX num ápice, numa pequena imensidão de momentos e histórias pessoais. No entanto, esta personagem principal, esta mulher respeitável, nunca deixa de brilhar em cada página, levando-nos a querer descobri-la um pouco mais. Confesso que apesar de tudo, as revelações não me foram uma surpresa (com a excepção da última, de facto completamente inesperada), pelo que não consigo discernir se porque a construção do enredo o facilitou para o leitor porque não estar bem desenvolvido, se por acção propositada da autora para causar um maior choque com o final. Há um certo deslumbramento definido pela crónica de costumes, pelas interacções de duas realidades culturais trazidas por Portugal e pela Irlanda, pelos segredos e mistérios de personagens secundárias, e pelas referências históricas que situam as acções num tempo e espaço real que contribuem para uma leitura bastante agradável e algo compulsiva. Faltou-lhe talvez um momento final mais premente, ainda que exista outro livro que se deverá seguir a esta narrativa, uma vez que a dimensão do passado acaba por ficar bem resolvida e encerrada, esfumaçando a presente para um nível inferior. Ainda assim, "Uma Mulher Respeitável" tem a vantagem de ser um livro bastante comercial, capaz de agradar a leitores de romance feminino e de ficção histórica, mas também de romances contemporâneos, pois a maior evidência, e o que realmente se destaca neste livro, são as reacções e as relações humanas, entre pares, e todos os sentimentos e consequências que cada uma delas acarreta. Terei de inverter o processo e procurar "A Filha do Barão" em breve! ;) - Cláudia
Desde que li “A Filha do Barão” que esperava ansiosamente pela sua continuação. Apesar de “Uma Mulher Respeitável” poder ser lido independentemente da obra anterior, não nos podemos esquecer que esta acaba por ser um acrescento à história inicial.
Apesar de já ter lido o primeiro volume há algum tempo, era de facto impossível esquecer-me de Mariana Turner! Neste segundo livro, esta mantém-se uma personagem de grande destaque, tentando descobrir a sua filha perdida.
Como podemos ver na sinopse, estamos mais uma vez perante um romance histórico de extrema qualidade e requinte! Há autores que escrevem tão bem tão bem, que independentemente do rumo que dão à história, fazem com que não nos arrependamos de ler os seus livros. Posso dizer que Célia Correia Loureiro é, sem dúvida, uma dessas pessoas! Com uma escrita maravilhosa, adaptada à época na qual a narrativa decorre, é muito fácil ficar rendida aos seus livros!
No que diz respeito à história em si, apesar de ter gostado bastante, não me conquistou da mesma maneira que “A Filha do Barão”. Penso que “Uma Mulher Respeitável” funciona como um apêndice ou acrescento à história que a autora nos apresenta inicialmente. Apesar de ser efectivamente uma continuação, senti que aquilo que esta acrescentou ao primeiro volume não foi suficiente para mim. No entanto, acho que, se a autora publicar um terceiro volume, me vou lembrar muito bem de uma das personagens mais dramáticas por ela criada neste segundo volume – Leonor Sanches – “Uma Mulher Respeitável”!
A história desenrola-se essencialmente em torno do passado, presente e futuro desta personagem. Desta vez, a autora procede à narração da história de uma forma diferente. Usando os momentos históricos de impacto na vida desta personagem e das que a rodeiam, Célia vai alternando na narração temporalmente entre os anos de 1931 e 1857, o que exige ao leitor uma certa atenção para acompanhar e reter da melhor forma tudo aquilo que esta obra tem para nos dar! Contudo, não considero que esta atenção necessária seja demasiada! Com uma escrita clara e limpa, não houve nenhum momento em que me tivesse perdido na história!
Como já referi acima, esta obra não me conquistou por completo. Por um lado, porque senti que foi apenas um complemento à história inicial, e por outro lado, porque assume um carácter muito trágico do início ao fim! E este último facto tanto poderá agradar bastante o leitor como desiludi-lo! A mim, não me desiludiu, apenas não alcançou todo o seu potencial! Mas como partilhei durante a minha leitura – “É um livro que, independente do fim, será um bom livro” – E é!
Por fim, deixo o meu agradecimento à Marcador Editora, que gentilmente me cedeu um exemplar para leitura e opinião, e deixo mais uma vez os meus parabéns à autora – Célia Correia Loureiro – que volta mais uma vez a não desiludir e a mostrar aquilo de que é capaz!
Que mais posso dizer? :) Leiam! Porque existem muitas relíquias neste nosso país pequenino por descobrir! :)
Esta obra de Célia Correia Loureiro é o segundo volume de uma trilogia, embora possam ser lidos como obras independentes, tendo sido o primeiro "A Filha do Barão". A leitura faz-se a ritmo rápido, por um lado pela escrita escorreita e fluída, por outro lado pela organização em capítulos curtos e com analepses e prolepses constantes ao longo da história, que nos fazem querer saber mais pormenores deste enredo. A personagem Mariana de Albuquerque e Turner regressa da anterior obra, passados 50 anos e acompanhamos a sua insistência face a uma reclusa da Prisão da Relação no Porto em como esta seria a sua filha perdida em 1809, na anterior obra. Leonor Sanches, ou Evelyn de St Clair, é uma personagem complexa. Marcada pela vida que teve, para onde foi atirada em pequena, pelas vicissitudes da vida e pelo sofrimento, mas sobretudo por um indomável sentimento de vingança. Parece uma personagem apática e sem qualquer ligação à vida quando a conhecemos na Prisão, mas o seu interior é riquíssimo e é isso que vamos descobrindo ao longo da trama. Não quero contar muitos pormenores da história, até porque ao lermos o livro compreendemos todas as nuances de personalidade de cada personagem, as intrigas que vão sendo feitas e as surpresas que nos vão sendo reveladas até ao final. Como a autora disse na apresentação do livro, é o livro mais negro que escreveu e não sabe escrever livros felizes. Sim, é um livro negro. Mas a vida também tem o seu lado negro, tal como cada um de nós. Esta obra apenas expõe uma história marcada pela falta de afecto e desencontros que marca as relações humanas destas personagens. Acredito que um dia Célia Correia Loureiro nos irá brindar com um texto mais feliz, mais luminoso, para mostrar o outro lado da vida e que nem todas as pessoas/personagens vivem vidas de sofrimento e infelicidade. E agora fica a curiosidade sobre quem serão as personagens que constam no terceiro volume da trilogia...
I won this book in one of Goodreads giveaways and it was an excelent prize. I should start to say that I'm not a big fan of historic romance, but I started it anyway. I loved the plot, the characters and even the historical part of the book. I highly recommend this novel to everyone who enjoys reading
Fiquei um pouco desapontada com o final mas a história de Evelyn St. Clair entusiasmou-me e de certol modo compreendo as suas atitudes. Não estava á espera deste romance histórico da Célia Correia Loureiro ser tão diferente dos seus outros livros como o Demencia, ou o funeral da nossa mãe, mas como é um dos primeiros livros da autora, os muitos espaços em branco só servem para verificarmos o quanto ela cresceu como autora. No geral gostei muito do livro e estou mais que nunca curiosa com o próximo dela que vou ler e que será também para este projecto #christmasinthebooks2022, provavelmente será lido na categoria livro com as cores da tua árvore de Natal (em boa verdade vou usar a árvore do meu trabalho porque desde que a minha casa é uma gataria muito animada, não faço árvore de Natal, mas não creio que isso seja batota,pois não?) só que o tamanho dele assustou-me um pouco fazendo-me querer ler um ou dois mais curtinhos para ver se cumpro não só o projecto da Tita, mas também se me sinto mais produtiva em ler algo mais curto e em menos tempo do que levei para ler o da Mulher Respeitável.
Já sabem se não leram, claro que vos recomendo que leiam. E a quem leu até aqui Boas Festas
Gostei muito, como sempre a Célia Loureiro é maravilhosa, mas confesso que não entendo o fim. O que aconteceu após John e Esther lerem a carta que Anthony deixou ao filho? Leonor cumpriu a pena toda? Victor receber o que pretendia? Haverá continuação?
Depois da leitura arrebatadora de A Filha do Barão e de alguns meses de espera, eis que as mais firmes expectativas caíram por terra com a leitura tumultuosa desta nova narrativa da Célia Loureiro! Mais de cinquenta anos volvidos, o misterioso desaparecimento de Amélia parece ser ainda uma incógnita, mas, por outro lado, de onde surgiu Leonor Sanches? Mais uma vez, experienciamos um turbilhão de emoções diversas, cativados pela caracterização consistente das personagens, acompanhando os seus reveses e infortúnios da primeira até à última página.
Apesar da estrutura narrativa não ser tão linear como no livro anterior, a autora mantém a aura de mistério ao longo da história e retratando as agruras irónicas da vida de duas mulheres cujas escolhas da juventude as castigam permanentemente. Mas será mesmo tarde demais para encontrarem paz de espírito? Os acontecimentos deste livro foram contrários à minha perspectiva, isso é ponto assente, mas não deixei de gostar por isso, só não compreendo a escolha da autora quanto ao destino da filha perdida de Mariana e Daniel. Resta agora esperar para saber o desenlace desta intrigante trilogia histórica.