Um amor improvável, em meio a livros e desesperança. Na pequena e fictícia Ventania, o chefe da estação de trens cai de paixão pela bela bibliotecária Lorena Krull. Mulher exótica e moderna, espalha literatura e charme pelas estantes pouco visitadas de seu reino de letras. E é em meio aos empoeirados livros que Philadelpho renasce para a vida, após amargar a perda de uma perna num acidente ferroviário.
Com a esperança de conquistar sua Dulcinéia, esse Quixote contemporâneo avança sobre os moinhos de vento da inspiração incerta e procura se tornar digno da amada. Em frases escritas às pressas, à lápis, ele começa a carreira de escritor. E passa a catalogar o que vê de sua plataforma. A cada episódio contado, a cada livro consultado, cada aventura vivida pelos diálogos de outro, ele sente sua muleta sumir. A perna não existente assomar e o tornar inteiro mais uma vez.
Mas a alma feminina é caprichosa, como tantos clássicos nos mostram. Lorena, sua Pantera Loura, se engraça para um menino-homem. Logo ZéJosé, irmão de ZéElias, responsável pelo desastre que o marcou. Filho de Dasdores, nascida numa sexta-feira da Paixão, sobrinho de Dasalmas, nascida em Finados, e Dasflores, na primavera. Um príncipe de reinações infantis: pipas, bolinhas de gude, piões.
O sentimento não correspondido queima no peito desse fiscal de locomotivas. Como vagões que seguem o curso inexorável dos trilhos, somos arrastados para dentro do relato deste homem na direção de um destino patético. Numa narrativa magnética, o leitor passa a se tornar confidente do autor. Suas notas de rodapé nos mostram todas suas ideias e decisões. E nos levam numa viagem onde o maquinista é o talento de um dos mais respeitados autores do país: Alcione Araújo.
Alcione Araújo deixou a carreira de professor universitário, pós-graduado em Filosofia, para ser escritor em tempo integral. De versatilidade singular, escreve telenovelas, ensaios literários, filosóficos e faz conferências, dá palestras e participa de debates pelo país e no exterior sobre os mais variados temas: criação artística e linguagens; dramaturgia teatral e áudio visual; literatura, filosofia, educação e cultura; ética e valores; produção cultural e diversidade cultural; comunicação e indústria de entretenimento.
Premiado dramaturgo (Há vagas para moças de fino trato, A caravana da ilusão e Deixa que eu te ame, entre outras) e roteirista de cinema (Nunca fomos tão felizes e Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, entre outros) foi finalista do Prêmio Jabuti de literatura, com o romance Nem mesmo todo o oceano.
Não se sabe exatamente onde, nem exatamente quando, mas logo em suas primeiras linhas Ventania nos carrega para suas ruas do interior junto de seus personagens inigualáveis e quando você vê, morou lá sua vida inteira. Essa é a sensação que tomou conta de mim quando me aventurei nas páginas escritas por Alcione Araújo, autor que até então, não conhecia. Delfos ou Philadelphos, como preferir, irá nos narrar um período de tempo na cidade de Ventania (o nome foi alterado pelo nosso narrador para proteger a privacidade dos habitantes), período esse quando Delfos se apaixona por Lorena Krull, bibliotecária da cidade, e por isso, depois de retirar inúmeros livros na biblioteca, resolve escrever um livro para presentear... (http://www.neonkiss.com.br/ventania-a...)
Livro é contato por um personagem que é apaixonado por Lorena, a bibliotecária, e se vê ameaçado quando o garoto Zejosé, de 13 anos, começa a frequentar a biblioteca e começa um encantamento entre ele e Lorena. O narrador é um personagem que perdeu a perna em um acidente com trem que aconteceu quando o irmão de Zejosé, Ze-elias, colocou pedras no trilho em uma brincadeira. Delfos (Philadelphos), o narrador, era o chefe da estação. Percebe o ocorrido e corre para retirar as pedras antes da passagem do trem que se aproxima. Consegue mas perde a perna. Ze-elias morre. Zejosé é um menino que não consegue se achar. A família, em especial a mãe, vive doente e tortura-se com a memória do acidente do filho. Ele não consegue concentrar-se na escola. Acha-se todo errado. O avo é amoroso e ensina-lhe sobre meteorologia, sua profissão. A mãe, apesar do tormento, é amorosa e quer que ele vá a biblioteca e comece a ler. Nisto conhece Lorena. O narrador faz varias observações ao longo do livro sobre a própria escrita. É seu primeiro livro, que escreve pra impressionar Lorena. Conversa com os moradores pois quer fazer um relato fiel sobre os acontecimentos. Acaba dando um tom um pouco inocente à história. Não conta onde é Ventania nem quando a história se passa. Mas há dicas: proibição de brigas de galo – 1961; Termo usado no sul para galhos secos de Araucária. Renuncia de Jânio Quadros (25/08/61). Zéjosé começa a frequentar a biblioteca e acaba descobrindo o amor por Lorena, de 31 anos. Seu pai morre, ela e Zéjosé terminam indo para a Capital. Ele para estudar. Ela para seguir a vida. Vão juntos com o aval da mãe. O avô é amoroso, carinhoso, sensato; O tio, Isauro, apaixonado por Dasdores, mãe de Zéjosé, casado com Ataliba, irmão de Isauro; Ataliba trabalha, vê-se esgotado e tem uma crise após a inundação da cidade. Dasdores, que vivia doente, renasce e assume o negócio. A tempestade marca algumas passagens que vem se construindo: Dasdores, Ataliba, Isauro, Canuto (o avô) que vai para um curso nos EUA não antes de deixar Zéjosé com condições de ir à Capital para estudar. Impressões: estranheza com a relação de Lorena com Zéjosé (diferença de idade, ele com 13 anos; tudo a descobrir); tom de inocência do narrador é gostoso de ler. Ele acaba por doar o escritos para Lorena e subentende-se que ela foi responsável por sua publicação; ainda há ouro na mina, algo que surge com frequencia ao final do livro, mas Lorena abandona (ouro e terras?) Tatiana: proximo ao Rio (personagens freuentam o Maracanà); tinha pensado Sul por conta do termo Dica de tatianafeltrin, video de 2015;
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