Tomar o partido das coisas, quer dizer: calar. Ouvir o som dos objetos mudos e expressar. Ponge propõe que a criação de objetos artísticos é estritamente humano. Que é sua função. Além disso, propõe que saiamos da ciranda, do mesmo jogo de sempre. Que deixemos o homem para trás para que lá na frente nos encontremos com outra coisa. Resultado alquímico. Do singular (particular) para o comum, esquecer o universal.
Baudelaire, Leautramont, Bataille. Ponge tomou não só o partido das coisas mas o partido dos que viveram ao pé do abismo. O desafio é propor qualquer coisa de novo. Um poema sobre as toalhas de banho, não sobre as estrelas. Um poema sobre a escova de dente.
Tomar o partido das coisas, fazer calar o homem, dar voz ao barulho da poeta que toca com o capacete o fundo do poço. Cavar túneis na pedra, expressar o absurdo da expressão. Ser modesto e factível. Fazer palavra e pensamento coincidirem pela via da expressão - simultaneamente. Fazer com que a linguagem e a palavra funcionem: não se trata de sentido senão de direção. Não se trata de significação e conclusões senão de funcionamentos. Explicitar o mecanismo da linguagem, ou como o relógio funciona. Dar voz e nome, através da palavra, ao abismo sem fim que é o tempo.
Fazer outro uso do humano, desumanizar o ser. Elevá-lo ao nível de objeto, de coisa/