"C'est de plain-pied que je voudrais qu'on entre dans ce que j'écris. Qu'on s'y trouve à l'aise. Qu'on y trouve tout simple. Et cependant que tout y soit neuf, inouï : uniment éclairé, un nouveau matin." On voit que Francis Ponge parle de son art. Mais, inévitablement, ce grand poète ne parle pas seulement de son art, mais de tout l'art, et en particulier de tous les problèmes qui se présentent à tous les artistes contemporains.
Francis Jean Gaston Alfred Ponge was a French essayist and poet. Influenced by surrealism, he developed a form of prose poem, minutely examining everyday objects.
Tomar o partido das coisas, quer dizer: calar. Ouvir o som dos objetos mudos e expressar. Ponge propõe que a criação de objetos artísticos é estritamente humano. Que é sua função. Além disso, propõe que saiamos da ciranda, do mesmo jogo de sempre. Que deixemos o homem para trás para que lá na frente nos encontremos com outra coisa. Resultado alquímico. Do singular (particular) para o comum, esquecer o universal.
Baudelaire, Leautramont, Bataille. Ponge tomou não só o partido das coisas mas o partido dos que viveram ao pé do abismo. O desafio é propor qualquer coisa de novo. Um poema sobre as toalhas de banho, não sobre as estrelas. Um poema sobre a escova de dente.
Tomar o partido das coisas, fazer calar o homem, dar voz ao barulho da poeta que toca com o capacete o fundo do poço. Cavar túneis na pedra, expressar o absurdo da expressão. Ser modesto e factível. Fazer palavra e pensamento coincidirem pela via da expressão - simultaneamente. Fazer com que a linguagem e a palavra funcionem: não se trata de sentido senão de direção. Não se trata de significação e conclusões senão de funcionamentos. Explicitar o mecanismo da linguagem, ou como o relógio funciona. Dar voz e nome, através da palavra, ao abismo sem fim que é o tempo.
Fazer outro uso do humano, desumanizar o ser. Elevá-lo ao nível de objeto, de coisa/