Sob o verniz da Cidade Maravilhosa, milhares de vidas se cruzam de forma trágica e cruel. Os cartões-postais que seduzem nativos e estrangeiros também são palco de violentas disputas envolvendo atores já cotidianos à sociedade carioca, dentre policiais, milicianos, lideranças corruptas e membros do crime organizado. À mercê dos grandes atos de terror motivados por dinheiro e poder está a população, em especial das comunidades e favelas, em sua maioria negra, pobre e periférica, condenada a pagar com o próprio sangue – vítima de fuzilamentos, autos de resistência ou balas perdidas – por uma guerra que não lhe oferece nada em troca.
Caniço é mais um dos jovens cooptados por um sistema que o sentencia à marginalidade. Sem pai ou mãe que o criassem, é desde cedo cria das ruas, sua escola de formação, que o ensina a sobreviver em um mundo que nunca o quis vivo. Inteligente e carismático, seu espírito de liderança e seu desprezo pelo perigo logo chamam a atenção de líderes corruptos, que o exploram em benefício próprio, e de chefes do tráfico, que lhe oferecem a oportunidade de se fazer no crime. Seja qual for o caminho escolhido por Caniço, o resultado é o uma juventude perdida, extorquida, lançada à violência do sistema e da criminalidade.
Toda fúria é um relato cru e brutal que nos transporta à realidade feroz das ruas do Rio de Janeiro, lançando luz sobre questões fundamentais da negritude e de vidas periféricas e destrinchando um mundo de crimes no qual não impera a justiça, mas a lei do mais forte.
Segundo Paulo Scott, autor de Marrom e amarelo, que assina a orelha deste "Tenho certeza de que estamos, aqui, diante de uma história que nos faz leitoras e leitores diferentes, melhores, quando chegamos ao seu final".
"Não bastasse sua importante carreira como jornalista e seu papel de intelectual essencial à compreensão do protagonismo das mentes e vozes negras neste país, Tom Farias é um exímio articulador de boas narrativas, e Toda fúria vem consolidar essa leitura." Paulo Scott, autor de Marrom e amarelo
Ambientado na capital fluminense, o Rio de Janeiro, encontramos o personagem Caniço. Jovem periférico e órfão, revoltado com as injustiças sociais que o cercam, ele se envolve em atividades criminosas em busca de vingança e redenção.
Os leitores se deparam com uma narrativa intensa e repleta de críticas sociais. A obra me tirou da zona de conforto e me fez refletir sobre a dura realidade das favelas. Seus habitantes são vítimas não apenas da violência física, mas também da psicológica, materializada na dor da perda de amigos e familiares. Soma-se a isso o sistema carcerário brasileiro, marcado pela brutalidade policial e corrupção por parte dos agentes de segurança pública, que muitos jovens negros e pobres enfrentam.
Publicado em 2023, é uma obra forte e que pode conter gatilhos para algumas pessoas. É um livro que incomoda, mas também pode ser considerado um meio de protesto pela busca por direitos sociais e de sobrevivência.
O livro conta a história de caniço, um menino periférico que se envolve com o tráfico para conseguir sobreviver. Mas além disso, a história mostra a corrupção da polícia, a situação dos menores infratores e também do tráfico. A história por si, é muito boa, mas a leitura, para mim, ficou arrastada em vários momentos. O Tom é um excelente escritor, mas acho que nesse livro ele quis trazer detalhe demais, e enredo demais, o que ficou cansativo.