"Estar em mim foi essencial para estar ao lado dos meus pais e também para estar sem eles depois." Quando a doença e a morte entram pela porta da frente e sentam no sofá, elas mexem com todas as estruturas da casa. Levantam a poeira das emoções, tiram tudo do lugar, revelam sombras e rachaduras, mas também inesperados tesouros. Foi isso o que Júlia Jalbut descobriu ao acompanhar o adoecimento simultâneo de seus pais ao longo de doze anos. Em meio a tratamentos e burocracias, emoções ambivalentes e cansaço, a autora encontrou oportunidades de restaurar relações e valores, e descobriu formas de se manter inteira diante das turbulências.
Uma casa que não pode cair é um relato de cuidado, luto e cura. É também um repositório de sabedoria de médicos, psicólogos, filósofos, escritores e outros que se debruçaram sobre esses temas. Qualquer pessoa que, de alguma maneira, já precisou estar ao lado de alguém em sofrimento encontrará aqui ferramentas e inspiração para abrigar as luzes e as sombras dessa experiência com calma e coragem.
"Júlia soube escrever um tesouro. Este livro deve ser aberto por quem deseja uma linda e verdadeira transformação pela clareza, amorosidade, coragem e praticidade do passo a passo de uma jornada de cuidado." Ana Claudia Quintana Arantes, médica e escritora
Esse livro é um abraço. Muito se fala de quem está doente. Mas e de quem cuida?
Esse livro trata de um assunto que me gatilha muito, que é a perda de nossos pais. Mesmo sendo uma leitura difícil para mim, achei que eu precisava dessas palavras. Como a autora mesmo diz, quanto menos falamos nesses assuntos, mais estamos dificultando a nossa situação quando for necessário agir. Ela aborda as dificuldades que teve tanto emocionalmente, quanto na parte burocrática. São lições que podemos aplicar ao enfrentarmos diversos tipo de luto, não apenas ao experienciado por ela nesse caso. Nos faz pensar até em como podemos ajudar melhor nossos amigos que estejam sofrendo por uma doença ou pela perda de alguém querido.
Eu não conhecia a autora, tampouco seus pais, mas saber a história deles me emocionou demais. Só quem já teve perdas significativas e já esteve nesse papel de ter que lidar com um turbilhão de coisas ao mesmo tempo é que sabe o quanto esse processo é doloroso. E, como amigos, muitas vezes estamos do outro lado sem saber como ajudar. Foi importante para mim ler a perspectiva dela.
Chorei muito na parte do sorvete, mas também amei a conversa que tiveram.
Quem disse que a jornada do cuidado é fácil? “Uma casa que não pode cair” de Júlia Jalbut é um livro que conversa conosco: a existência é para ser apreciada mas também é despedida.
Seu livro chegou logo no dia da morte do grande Zé Celso, nossa maior expressão do teatro nacional que deixa toda sua obra como uma herança valiosa, de admiração, paixão, liberdade e “atuar para poder voar”. Ah, Zé e Júlia. Como no mesmo dia? Eu já passei por livros de luto. Já vivi muitos lutos. Já estive em hospitais. Mas desenhar a filosofia desse tema é delicado, pois as ferramentas que se têm está no repositório de sentimentos, e ninguém quer servir um café ao sofrimento e recebê-lo no sofá de casa.
Uma memória autobiográfica sobre luto e doença, “a maior das proteções e também o desamparo”. Júlia tem uma escrita forte, sóbria e lúcida, que mapeia sensorialmente um sofrimento real através da obra. Me lembrou Paula, de Isabel Alende. Pacientes que curam, de Júlia Rocha Primeiros contatos, a médica que conheci que viu a morte pela primeira vez na residência. Por muitos momentos Júlia tem a referência literária de “Sobre Estar Doente” de Virgínia Woolf.
Eu, Marianne, cuido da minha mãe. Já cuidei da minha irmã. Já cuidaram de mim por causa da minha dependência química de remédios controlados. Mas a maior parte do tempo, estou cuidando, sendo cuidadosa com a minha mãe. Como dizia Tom Veloso “todo homem precisa de uma mãe”. Estar no hospital é ruim. É ver os dias, nuvens e céu por uma janela entreaberta e comer uma sopa que não tem sabor. Ter que clicar em um botão pra chamar o enfermeiro. É precisar de alguém para te levar pra fazer xixi. Mas o que quero falar, é que livros que nos fazem chorar nos fazem mais humanos. Menos herméticos, estáticos, preocupados com a beleza da crítica, mas preocupados em como ser mais humano.
Júlia não entrega tanatologia. Júlia entrega sabedoria, aprendizado, o seu olhar devagar, a calma da humanização. Honestidade, compaixão tecem linhas bonitas de palavras de Júlia como cuidadora dos pais enfermos.
Júlia cria o interessante “Café com cuidado” em sua casa, reunindo pessoas para falar sobre luto,vida e cuidado com muito acolhimento. Na obra, Júlia abre as portas da sua casa em 8 capítulos íntimos, reflexivos e que são apoio, informação, um transporte para uma realidade que pode ocorrer a todos nós: sermos cuidadores.
Obrigada Júlia pelos arranjos, pelas sutilezas, pela leitura móvel e não insólita do hospital (só quem já cuidou sabe). A experiência do cuidar, a habilidade de escrever, estudar e reconhecer o luto.
Júlia faz uma valiosa literatura da fragilidade. Ela vai te ensinar como se cuida das estruturas de uma casa adoecida e te fazer se conectar consigo mesmo. O que eu não sei se ganham Jabutis ou Prêmios Kindle, mas ganham as premiações da alma. #literaturabrasileira #literaturanacional
Sabe aquele livro que a gente quer devorar mas não quer que acabe? É esse. Cruzei com uma edição autografada pela Julia e como se houvesse sido guiado àquela mesa, já que tenho um grande amigo lutando contra um cancer terrível, o abri e senti que encontraria algumas informações interessantes; mal sabia eu que esse livro superaria qualquer expectativa. Quero mencionar logo de cara, que esse não é somente para aqueles que estão cuidando de alguém doente. Esse livro contem lições incríveis e importantíssimas que servirão a todos um dia quando se deparar com um ente ou amigo querido que precisa de cuidados. A Julia escreve de uma forma extremamente organizada, articulada, interessante e acima de tudo com uma transparência que torna o assunto doença/morte mais leve. São inúmeras pequenas e valiosas lições, momentos de reflexão, e até talvez quebra de tabus e paradigmas pessoais. Um livro escrito lindamente baseado em experiências marcantes, muita pesquisa e muito empenho. Leia esse livro e se transforme, em um cuidador melhor, uma pessoa mais sábia e pronta para enfrentar a difícil e recompensadora tarefa de cuidar.
Júlia escreve com o coração e com a razão, de forma clara, que coloca em palavras muitos dos sentimentos que os enlutados vivem. Recomendo demais a leitura, pra quem vive o luto, pra quem tem familiares idosos, e pra quem que aprender mais.
Peguei esse livro para ler por indicação do meu psicólogo. Sempre tive bastante preconceito com literatura de autoajuda, então eu nunca teria cruzado com esse livro se alguém relevante não o tivesse me recomendado e se eu não visse um propósito nele. Eu sempre gostei muito mais de relacionar aspectos de histórias narradas em livros de ficção com as minhas próprias vivências, mesmo que eu precisasse interpretar o texto de forma subjetiva para além até mesmo da intenção do autor. Um exemplo disso são os livros do Kafka, cujas metáforas surreais e expressionistas sempre acabam sendo traduzidas para minhas experiências. Ler um livro capaz de se relacionar direta e literalmente com coisas que eu passo e com as quais sem dúvida ainda passarei foi uma experiência nova e revigorante, da qual pude extrair muita coisa boa.
Inicialmente, a ideia de um filho cuidador apresentada nesse livro, surpreendentemente, se relaciona quase que perfeitamente comigo. Digo “surpreendentemente” porque acho que nunca parei pra pensar que existissem outros filhos como eu por aí. Assim como eu, a Júlia também se viu, em determinado momento, como fonte de cuidado e suporte aos seus pais. Esse papel é muito mais desgastante do que se imagina, se levarmos em consideração que as pessoas que necessitam do nosso cuidado já são mais do que adultos formados; são nossos genitores. Isso vem acompanhado de todo o tipo de sentimento existente, desde o mais amoroso possível até o mais controverso. Não é fácil filtrar os pensamentos diante de uma responsabilidade tão grande tal como a fornecer um espaço confortável para que seus pais possam morrer. Sim, morrer. Porque mais do que acompanhá-los durante a vida e estar presente em decisões e situações complexas, o mais desafiador é pensar que um dia vão partir e você, como filho único, é quem terá que cuidar de tudo enquanto enfrenta o luto.
Além de fornecer todo o apoio aos próprios pais, a si mesma, e à própria família que construiu, a Júlia ainda reuniu forças para dar suporte a outras pessoas desconhecidas também. Com essa obra, ela conseguiu me ensinar muita coisa sobre como lidar com o papel de filho único e cuidador, além de me preparar para um momento que, apesar dos meus desejos naturais de que demore muito a chegar, irá acontecer indiscutivelmente, sendo que, querendo ou não, eu precisarei estar preparado. Esse é um dos trabalhos mais altruístas aos quais já tive contato e sou muito grato pela dedicação da autora em contar sua própria história de vida a fim de facilitar a experiência de outros.
um livro corajoso e bonito. fiquei muitas vezes sem saber o que esperar: as vezes querendo outros momentos e memórias da autora para construir meu cenário mental; outras vezes realizei que o livro nao é uma história em si, seria um manual, uma tese, um guia? em outras pessagens senti falta de fontes e referências. ela faz algumas afirmações soltas que poderiam ser embasadas em outras fontes. ao terminar, estou balançada em como avaliar esse livro. me senti um tanto desconectada dos acontecimentos em meio à coletânea de informacoes apresentadas. de qualquer forma, achei interessante a forma como a autora apresntou os temas de peito aberto, trazendo elementos de delicadeza e curiosidade ao tratar de morte e luto, de forma que esses assuntos considerados tao "pesados" trouxeram uma certa leveza; como leitora me sinto talvez um pouco mais preparada para lidar com esses temas também e sei que esse será um livro ao qual posso recorrer e revisitar quando necessario.
Um livro difícil, um livro doce. É doído, mas traz alívio. É urgente, é para ser lido aos poucos, deixando as reflexões e emoções se assentarem. É sobre a sombra, mas é também sobre a Luz. É para reconhecer a fragilidade da vida e do ser humano e, também, para sentir toda potência ao nosso alcance e ao nosso redor. É sobre morte e é sobre vida. É, acima de tudo, sobre Amor.
Esse livro é arrebatador, e me ensinou sobre luto de uma forma linda. Impressionante como me identifiquei com a Júlia, por ser filha única e ter um pai sonhador como o dela. Chorei diversas vezes no livro, e me ensinou sobre cuidado de uma forma linda.
Livro sobre cuidar e sobre luto, do ponto de vista do cuidador. Muito bem escrito e envolvente. A autora soube passar bem seus sentimentos e me fez derramar lágrimas!
Um livro repleto de sabedorias e acolhimento para qualquer pessoa que já acompanhou ou acompanha alguém amado em um quadro de doença grave. Nos faz refletir sobre o que é realmente importante na vida e sobre como escolhemos viver o tempo limitado que temos. Vale muito a leitura!