Fenômeno editorial com belas crônicas filosóficas sobre a vida e seus mistérios, é em um livro de poesias sobre a morte que Lya Luft disseca a mais solitária emoção humana. O lado fatal é uma catarse poética, onde Lya derrama seu luto em metáforas que nos enchem os olhos de lágrimas e o coração de empatia. Lançado originalmente em 1988, o livro ficou fora das livrarias por muitos anos e só era encontrado em sebos por admiradores da poesia da autora.
Com extrema sensibilidade, nos transforma em seus amigos imaginários: cúmplices e companheiros de reflexões sobre a complexidade das relações humanas e a força dos sentimentos. São poemas onde o encantamento das palavras transpira a virulência da dor, da inconformidade com o próprio destino.
Ao verbalizar seus sentimentos mais profundos, ela reestrutura sua vida a partir dessa perda. Um ponto zero numa vida refeita na morte: passo a passo, com pequenos atos do cotidiano que trazem alívio e conforto em sua previsibilidade. Em sua constância.
Sua poesia ganha força com a humanidade de sua escrita. Pela simplicidade de linguagem, pela recuperação lírica das vivências de uma um amor cortado, pela percepção das relações estabelecidas entre vivos e mortos, pela narração fragmentária e ao mesmo tempo concatenada, é mais que leitura obrigatória. É uma delicada ode ao amor. Um fundamental estudo do coração humano.
Lya Luft was a Brazilian writer, a novelist, a poet, a prolific translator (working mostly in the English-Portuguese and the German-Portuguese language combinations) of German descent. She was also a college professor of linguistics and literature.
"(...) quando se desfizer a noite desta perda, quero enxergar pelos teus olhos, e amar através do teu amor as coisas que me restaram."
Decidi procurar "O lado fatal" para ler depois que Rubem Alves, em minha última leitura de uma obra sua, até o momento, o elogiara. É sempre difícil avaliar quase objetivamente um livro escrito sobre o luto, e principalmente quando ele ainda está tão vivo em quem escreve. Eu prefiro entender esta obra mais como um desabafo em quebra de linhas, na maior parte do tempo, do que propriamente como poesia a todo momento. Sei que isso foi culpa da dor, que com certeza obrigou que seu coração fosse mais sofrimento do que técnica; mas poucas foram as vezes que eu senti que seus versos eram, de fato, poéticos.
Emotiva declaração de amor da autora a seu marido falecido. Lembrei da querida Vera Borges ( esposa de meu pai) , que até hoje sofre a ausência do meu velho. Lindo livro. Prepare-se para ir as lágrimas.
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