HISTÓRIA INTERROMPIDA
"Com efeito, homens como W. passam a vida à procura da verdade, entram pelos labirintos mais estreitos, ceifam e destroem metade do mundo sob o pretexto de cortar os erros, mas quando a verdade lhes surge diante dos olhos é sempre inopitadamente" (p. 16)
As pessoas procuram a verdade, mas ela não está onde procuram e sim no local mais inesperado possível (ou não, às vezes é imprevisível).
GERTRUDES PEDE UM CONSELHO
"Cada pessoa é um mundo, cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve; só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobrenada e que não é vital; o 'mal de muitos é o consolo, mas não é a solução.'" (p. 24)
"Há coisas que só se aprende quando ninguém as ensina. E com a vida é asim. Mesmo há mais beleza em descobri-la sozinha, apesar do sofrimento."
"Os sensíveis são simultaneamente mais infelizes e mais felizes que os outros." (p. 25)
"Sabia que a beleza de descobrir a vida é pequena para quem procura principalmente a beleza nas coisas." (p. 26)
"De repente, pareceu-lhe que depois de ter vivido aquela tarde, não poderia continuar a mesma, estudando, indo ao cinema, passeando com as amiguinhas, simplesmente... Distaciara-se de todos, mesmo da antiga Tuda... Alguma coisa se desenrolara nela, a sua própria personalidade que se afirmara com a certeza de que no mundo havia correspondência para ela... Surpreendera-se: podia-se então falar no... "naquilo" como se fosse algo palpável, na sua insatisfação que ela escondera com vergonha e com medo... agora... Alguém tocaara levemente nas névoas misteriosas que vivia há algum tempo e de repente elas se solidificaram, formavam um bloco, existiam. Faltara-lhe até o momentoquem a reconhecesse para ela própria reconhecer-se" (p.27-28)
Dramas da adolescência!!
"Mas a doutora vivia uma vida própria e- outra revelação - ninguém saía inteiramente fora de si para ajudar..." (p. 28)
OBSESSÃO
"- O que me interessava sobretudo é sentir, acumular desejos, encher-me de mim mesmo. A realização abre-me, deixa-me vazio e saciado.
- Não há saciedade - disse o outro, entre as baforadas de seu cigarro. - Há de novo a insatisfação, criando outro desejo que um homem normal procuraria realizar. Você justifica sua inutilidade com uma teoria qualquer. "O que é importa é sentir e não fazer..." Desculpa. Você fracassou e só consegue se afirmar por meio da imaginação..." (p. 37)
"Quanto ao futuro, temia-o demasiado porque conhecia bem seus próprios limites. E porque, apesar de conhecê-los, não se resignara a abandonar aquela ambição enorme, indefinida." (p. 41)
"É preciso saber sentir, mas também como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar. Observe, estou lhe ensinando qualquer coisa de precioso: a mágica oposta ao "abre-te, Sésamo". Para que um sentimento perca o perfume e deixe de intoxicar-nos, nada há de melhor que expô-lo ao sol" (p. 48)
Daniel é daquelas pessoas que não se entregam facilmente, são sempre indiferentes ou se mostram indiferentes. Prendem as pessoas pelo "quase". Você quase consegue- conquistá-las, alcançá-las, estão no mundo das ideias e são um labirinto. Quando se entregam, o fazem secretamente para não serem desmascaradas.
Quando a protagonista (Cristina?) conseguiu o queria, ter Daniel para si, seu trabalho foi concluído.
E no final, quando se entregam percebe-se uma verdade chocante: não há nada além do muro, pois tais pessoas passaram a vida inteira concentradas em construir um muro, mas para proteger o quê? Não há nada lá, elas não pensaram nessa parte, só no muro. Não existe um segredo extraordinário, apenas pessoas comuns com muros fortes. Como sei disso? Porque sou igual a Daniel.
O DELÍRIO
sem anotações :(
A FUGA
sem anotações :(
MAIS DOIS BÊBADOS
"- Escute-me, amigo, a lua está alta no céu. Você não tem medo? O desamparo que vem da natureza. Esse luar, pense bem, esse luar mais branco que o rosto de um morto, tão distante e silencioso, esse luar assistiu aos gritos dos primeiros monstros sobre a terra, velou sobre as águas apaziguadas dos dilúvios e das enchentes, iluminou séculos de noites e apagou-se em seculares madrugadas... Pense, meu amigo, esse luar será o mesmo espectro tranquilo quando não mais existirem as marcas dos netos dos seus binetos. Humilhe-se diante dele. Você apareceu um instante e ele é sempre. Não sofre, amigo? Eu.. eu por mim não suporto. Dói-me aqui, no centro do coração, ter que morrer um dia e, milhares de séculos depois, indiferenciado em humus, sem olhos para o resto da eternidade, eu, EU, sem olhos para o resto da eteridade... e a lua indiferente e triunfante, mãos pálidas estendidas sobre novos homens, coisas novas, outros seres. E eu Morto! - respirei profundamente - Pense, amigo. Agora mesmo ela está sobre o cemitério também. O cemitério, lá onde dormem todos os que foram e nunca mais serão. Lá, onde o menor sussurro arrepia um vivo de terror e onde a tranquilidade das estrelas amordaça nossos gritos e estarrece nossos olhos. Lá, onde não se tem lágrimas nem pensamentos que exprimam a profunda miséria de acabar." (p.81)
O QUE ELE DISSE CLARICE ME RESPONDA IMEDIATAMENTE POR FAVOR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Nós quando somos meio narrador e precisamos dosar nossos excessos para não transbordar de ver mas queremos que alguém transborde com a gente (ou não também, roubaria nosso protagonismo)
A ânsia de desejar é maior que o prazer de possuir.
UM DIA A MENOS
"Eu desconfio que a morte vem. Morte?
Será que uma vez os tão longos dias terminem?
Assim devaneio calma, quieta. Será que a morte é um blefe? Um truque da vida? É perseguição?
E assim é." (p. 85)
A BELA E A FERA
"Sempre tivera medo das coisas belas demais ou horríveis demais: é que não sabia em si como responder-lhes e se responderia se fosse igualmente bela ou igualmente horrível." (p. 101)
Clarice definitivamente não é para ler rápido, sem prestar atenção e sem escrever as reflexões imediatamente depois. Por isso demorei tanto.