Lendo os russos #29.
Esse foi o primeiro livro que eu li trocando a ordem - ou seja, lendo todo Dostoiévski antes, e depois voltar a leitura aos demais autores russos. Fiz isso por querer ler os grandes romances do Dostoiévski, e eles ainda estarem distantes caso eu seguisse a ordem de todos os autores.
No posfácio do tradutor, na edição da 34, o Paulo Bezerra explica que o Dostoiévski pensou O sonho do Titio e A Aldeia de Stepántchikovo como uma única unidade de escrita — mas acabou também entendendo que O sonho do Titio tinha uma história própria, de tamanho semelhante à Gente Pobre, e acabou a publicando alguns meses antes da Aldeia, ambas no mesmo ano. Além disso, Dostoiévski se apaixonou pelo heroi da história, a ponto de sua última esposa dizer que ele o imitava com alguma frequência - o que também está no posfácio da edição.
Pra além disso, eu gostei bastante das duas histórias, principalmente da segunda - Sonhos de Petersburgo. Esta, um folhetim escrito para ser publicado na primeira edição da revista que o irmão de Dostoiévski estava lançando, faz troça de vários tipos e pensa a forma do folhetim, com uma reverberação e uma leitura possível das próprias formas folhetinescas atuais. Eu pensei muito nas newsletters enquanto lia.
O sonho do titio também é bom, e traz o sonho na literatura de uma forma diferente e bem interessante. Gostei bastante.