Na esquecida cidadezinha de Baía dos Cães, os órfãos da ocupação de Mãe Socorro precisam resistir à passagem do Aboio, que deixa para trás uma trilha de defuntos pisoteados. Uma história envolvente, mágica e carregada de mistérios.
"Francisco me lembrava de Moisés. Aquele que um dia chamei de irmão, ao menos, antes de ser pisado. Do meu bichinho, só o cheiro de carne queimada. Ás vezes mentia, fingindo que meu menino tinha morrido de mansinho." - Trecho de "Corpo de barro"
Apesar de ser um conto curto, o trabalho com as palavras é tão incrível que torna a narrativa complexa e profunda como um livro longo. Amei a ambientação e toda esse mistério sobre o Aboio. Recomendo demais!
Corpo de Barro é um conto que incomoda. A linguagem imagética transmite sensações de terror, algo que causa desconforto por deixar o leitor tão próximo do drama dos personagens. As coisas são mais sentidas do que explicadas. Os mistérios são revelados aos poucos, mas não todos eles. Os personagens, além de enfrentar as agruras da vida no campo, ainda lidam com ameaças além da compreensão humana. O racional e o emocional se turvam num ritmo cativante. Religiosidade, cultura popular, body horror. Acompanhamos vividamente o pesadelo de outras pessoas.
Um misto de tristeza e horror. Pesado. Corpo de barro é um conto sobre o que acontece com os corpos abandonados pelo poder público e sociedade. O sobrenatural carrega e estraçalha.