Assim como todos os mortais, Kafka também sentia raiva, inveja, sentia-se depressivo (talvez mais que muitos).
Entretanto, Kafka com inveja é assim:
"Inveja de um suposto sucesso de Baum, de quem, contudo, gosto muito. A propósito disso, a sensação de ter no meio do corpo um novelo que se enrola rapidamente com um número infinito de fios que ele puxa para si da borda de meu corpo."
E Kafka depressivo é assim:
"Hoje cedo, pela primeira vez desde muito tempo, outra vez a alegria com a ideia de uma faca sendo torcida em meu coração."
Estes diários serão muito ricos para quem, como eu, é apaixonado pela obra e a escrita de Kafka. Aqui, temos relatos sobre sua relação com o pai, a família, a arte, e, especialmente, sobre sua relação com a escrita e o trabalho - e a sua crescente angústia de não poder escrever.
Para quem não tem interesse nestas anotações pessoais sobre a vida do escritor ou no seu processo de elaboração, entretanto, pode ser um pouco cansativo. Há trechos e trechos de pequenos textos reescritos com pequenas alterações, muitos relatos sobre peças de teatro e óperas, etc.