Sempre é um prazer voltar a esse universo e me reencontrar com os meninos imprudentes de Humperville.
Jeremy Chase sempre foi um mistério. O garoto de Handson Wood, apesar de não ser o mais quieto, sempre foi o mais enigmático do grupo. Nunca falava sobre seu passado ou sua família, Chase sempre foi uma incógnita até para seus amigos mais próximos. Neste livro, finalmente conhecemos a verdade por trás dele: filho adotivo (e digamos que secreto) de Anttony Van'Couver, empresário de uma famosa cantora, ele vivia, há anos, uma vida dupla, cheia de mentiras para não decepcionar aqueles que mais ama — sua família e sua "família" da The Reckless.
Theresa McAvoy, a outra protagonista, é uma nova e bem-vinda adição ao universo que a autora vem construindo há anos. Filha de uma atriz famosa e do novo empresário da banda, ela é estudante de pre law e pretende se tornar advogada, buscando uma vida estável e com uma casa fixa — diferente da que conheceu graças às carreiras de seus pais.
Os dois se conheceram na pior situação possível, mas, de algum jeito, ele soube tirar proveito disso e construir uma relação a partir da gratidão que sentia por ela. Sua “amizade” (se é que pode ser chamada assim) teve altos e baixos desde o princípio — mesmo antes de cometerem o erro de se envolverem romanticamente.
Enquanto Chase é misterioso devido à sua família e a um passado triste, Tess é fechada e teimosa por conta dos traumas vividos em seu relacionamento anterior. Esses dois tinham tudo para dar errado — e deram, em alguns momentos —, mas a determinação de Chase jamais o permitiria desistir da primeira mulher por quem se interessou de verdade. E, apesar de sua cabeça dura, Tess não pôde resistir ao primeiro homem que chamou sua atenção e conquistou, parcialmente, sua confiança após tudo o que lhe aconteceu.
A história deles não é linda ou leve. É cheia de problemas, brigas e falta de confiança. Tanto Chase quanto Tess descobriram cedo que amor, gratidão e conforto não são suficientes em uma relação. Apesar de se gostarem, seus passados os assombravam mais do que gostariam.
E mesmo com tudo isso — com dores, gritos, afastamentos e maneiras não saudáveis de resolverem seus problemas —, eles encontraram uma forma de fazer dar certo. Afinal, o amor sempre vence, né? E eles até que são bonitinhos juntos. A relação de confiança que construíram — graças à insistência de Chase — é linda, e eles têm muita química.
Sobre a banda, eu não poderia estar mais feliz pelos meninos. Há mais de quatro anos, quando li Sintonia Perfeita pela primeira vez, mal imaginava que eles chegariam tão longe (sim, mesmo sendo ficcional e blá blá blá). Ver a união deles, apesar da briga e do afastamento que tiveram no início deste livro, me traz paz, e eu amo ver a família que eles e as meninas de Humperville formaram.
Dito tudo isso, fiquei extremamente incomodada com a escrita da autora neste livro. Não é de hoje que ela tem esse "problema" (entenda como quiser, dependendo do seu nível de apego à história) de escrever mais palavras e parágrafos do que o necessário, mas neste livro foi excessivo. Parágrafos e parágrafos repetindo as mesmas coisas — principalmente no que diz respeito às lembranças de Tess — e diálogos repetidos.
Eu juro que entendi tudo o que Amanda Maia quis passar com a história, tudo o que Tess queria dizer ao relatar o que passou, ou o que Chase sentiu ao longo da vida com os repetidos abandonos. Mas. Para. Que. Repetir. Tantas. Vezes? Chegou a um ponto em que se tornou cansativo, até chato. Ainda mais porque os protagonistas brigaram várias vezes ao longo do livro, e era sempre a mesma coisa. E sem UMA boa resolução, uma conversa boa, sequer.
Depois de Desastre Perfeito: Ato II, achei que não voltaria a ler esses livros, mas não só cedi com Presente Perfeito (eu precisava de algo que me fizesse sentir feliz com Aidan e Delilah), como agora com Erro Perfeito (mesmo que depois de muito tempo, e 100% por interesse em ler AshVity e Promessa Perfeita). Espero muito que a escrita dos próximos livros seja melhor do que eu imagino — e que Amanda Maia pare com essa mania de achar que é roteirista de Malhação 2000 para ficar mexendo na vida dos casais dos livros anteriores. E isso é um apelo sincero, principalmente por todo o carinho que tenho por esse universo e pelos personagens (principalmente Bryan e Mackenzie).