Jill Mansell é, sem dúvida, uma das minhas autoras preferidas. Simplesmente adoro os seus livros. Têm tudo o que se pode pedir para uns momentos de leitura muito bem passados: uma grande dose de humor, romance, boas personagens e uma boa intriga. Além do mais, são daqueles livros que sabem bem em qualquer altura do ano. São leves, mas de uma carga humorística fenomenal e histórias hilariantes que tão bem se assemalham à realidade em que vivemos.
A verdade é que sempre que leio algo de Jill Mansell, passo a olhar para o mundo com outros olhos. A autora retrata-nos coisas tão hilariantes que, se não fosse o seu sentido de humor, me eram indiferentes ou até motivo de tristeza, medo, mágoa, desespero, ódio, etc. Ao falar disto recordo-me, por exemplo, de como este livro começa - com uma tentativa de suicídio. Obviamente que o tema é desagradável, mas a perícia de Jill Mansell e o seu olhar divertido é tal que a situação é-nos apresentada como uma autêntica comédia, uma rica fonte de gargalhadas e incontáveis sorrisos.
Todas as intrigas dos livros que já li de Jill Mansell se identificam fortemente com a realidade. Os acontecimentos que a autora nos conta são sempre perfeitamente viáveis de acontecer a quem quer que seja. Isto cativa ainda mais o leitor pois leva-o a crer que, de facto, aquilo pode acontecer na realidade e a olhar para as coisas de diferente forma: com os olhos de Jill Mansell.
A história de Millie e de Hugh tem os seus altos e baixos e confesso que houve alturas que a autora estava a querer levar as coisas mais para o lado fantasioso - facto que me assustou. Mas logo a seguir constato que me engano, pois afinal, voltamos a cair em Terra e a ver que nem tudo é o mar de rosas que parece. E a inigualável Jill Mansell esteve, afinal, sempre ali.
Não posso deixar de mostrar a minha pena por a autora não ter dado um fim mais consistente e feliz a Lucas, uma personagem que me cativou imenso. Todas as outras tiveram um final - bom ou menos bom, mas um final definitivo, coerente. Já Lucas ficou meio que "na corda bamba", sem saber o que foi feito da sua vida "amorosa".
É pena que as primeiras e as últimas páginas do livro correspondam aos grandes picos de humor do livro. Senti falta de certas "saídas" divertidas da autora no desenrolar da intriga, onde os acontecimentos adoptam um tom ligeiramente sério e dramático. De qualquer das formas, as frequentes referências e alusões a determinadas personalidades, objectos, programas, celebridades e afins apresentam ao leitor comparações e situações igualmente ridículas e humorísticas.
O final, como todos os finais dos livros de Jill Mansell até hoje, não corresponderam exactamente às minhas expectativas. A história que nos é contada é tão boa, tão rica em acontecimentos e originalidade que é impossível de prever um final em grande e em tudo diferente. Confesso que não fico totalmente satisfeita, mas ainda assim a sensação é deliciosamente reconfortante pois é o fim de uma divertida e entusiasta leitura.
Além disso, e não menos importante de referir é a estratégia de escrita de Jill Mansell que, toda ela, é digna de mérito: capítulos curtos e sempre com um final emocionante que nos leva a querer ler o próximo e a não parar de desfolhar o livro até à última página, conferindo ao livro uma leitura viciante do início ao fim.
Que mais posso eu dizer deste livro? Adorei. Tudo nele é inesquecível. Este foi o terceiro livro da autora e está certamente longe de ser o último. Mal posso esperar pelo próximo livro e pelas próximas gargalhadas!