"Gianecchini enfim se permitiu encarar o pensamento proibido: Pode ser que tenha chegado a minha hora.
No que ele olhou pela primeira vez para a cara da morte, a sua morte, bem de frente, foi tomado por uma calma profunda. Por um momento perdeu de vista os médicos, as enfermeiras, a empresária, a mãe, os parceiros profissionais e afetivos, a legião de fãs. Enxergou com clareza o verdadeiro lugar de todo mortal em sua condição mais pura: a solidão.
E sentiu-se forte nesse lugar. Entendeu que fora exatamente dali que, ainda menino, vislumbrara o seu caminho - um caminho que o diferenciava de todos os membros da sua família, de todos os exemplos que havia à sua volta no interior, de tudo que ouvira na escola. Sozinho, deixara Birigui de ônibus e ganhara o mundo.
Agora, a sós com seu medo, Giane foi sendo tomado de certa excitação. O que seria aquilo? Se não era masoquismo, devia ser coragem.
Quando eu era noveleira e vi, nos idos de 2000, Giane com aquele sorrisão lindo dele na novela Laços de Família - aguenta coração! A Globo voltou a passar a novela vinte anos depois da sua emissão original - e aqui já o achei um pouco canastrão, mas tinha desculpa, era a primeira novela e com aquele sorriso uma pessoa quer lá saber - o que coincidiu com ver este livro à venda por uma pechincha e tumbas. Aqui estou eu depois de ler sobre a vida de Giane, da qual sabia algumas coisas que iam saindo em revistas, mas não mais que isso, até porque a minha fase noveleira passou e nunca mais segui a carreira do ator.
Foi bom ler a sobre a infância do ator no interior, em Birigui, depois o êxodo para a grande São Paulo, o trabalho como modelo, a primeira oportunidade na televisão, o casamento com Marília Gabriela e o seu maior feito, a vitória contra o tipo mais raro e agressivo de linfoma - o não Hodgkin T angioimunoblástico.
- Tô voltando, palhaça! O tratamento "carinhoso" que Giane costumava dedicar à produtora tinha razão de ser. Diante da impressionante determinação do amigo para tornar ao trabalho em tempo recorde, Célia não perdeu a deixa: - Claro que você está cheio de disposição. Ficou oito meses sem fazer nada! Só a intimidade permitiria deboche tão cruel - no tom da peça. E tinha mais, vendo que Giane voltara com a crueldade ainda mais aguçada, Célia espicaçou a sua longa temporada como paciente: - Tá cansado de ser bonzinho, né? Não era o bonzinho, não era a vítima, não era o herói. Com o Brasil inteiro celebrando-o, nem o chapéu de celebridade ele vestia. Em entrevista a Ana Maria Braga, revelou o prazer de se sentir mais do que nunca um mortal.
Foi uma leitura muito interessante em que eu fiquei a conhecer não só o actor e homem Reynaldo Gianecchini como outros actores de quem já gostava e admirava e cuja minha admiração só aumentou. Foi uma jornada interessante na luta com uma doença que ainda hoje ceifa muitas vidas de qualquer idade. Recomendo mesmo a quem não admira os actores brasileiros porque "não assiste novelas"...
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Very interessing read about the man, the actor and model Reynaldo Gianecchini as well other actors that I already loved and admired and tho whom my admiration only grow for their loyalty and friendship. It was a journey in the fight against a desease that still claims many souls of what ever age group they are. I recomend this even to those who don't like brasilian actors because "they don't see soap operas on tv"...
É uma história comovente sem dúvida alguma, mas na minha opinião o livro podia estar melhor organizado, anda muito para trás e para a frente na história do próprio actor. Tirando isso, lê-se bem são 290 páginas com algumas fotos do actor.
Me emocionei! terminei em lagrimas. Vivi o caso por fora por morar longe e poder ler sobre os detalhes agora e tb saber mais do modelo/ator que conhecia desde a minha epoca da revista capricho, foi como voltar no tempo tb!