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Até hoje: Memórias de cão

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SINOPSE Um grande livro, um dos mais belos livros até agora escritos sobre a guerra colonial portuguesa, que traduz de forma extremamente segura não só a amargura de uma permanência no tema, mas, também, de uma sensibilidade demasiado verdadeira para poder estar imune ao sofrimento e à própria verdade. Se nos interessamos pelo tema (como não é o meu caso, insensível que sou a esta temática, embora creia que tem importância), a leitura de Até Hoje, de Álamo Oliveira merece a nossa melhor atenção. Se não nos interessamos grandemente pelo tema (como é o meu caso), vale a pena ter em Até Hoje a imagem de um grande livro, de um texto onde a literatura tem um nome a defender e a crescer. As Memórias de Cão, subtítulo do livro, merecem ser transformadas em outra coisa, no entanto. Os anjos devem voar, se voam devem escrever como se escrevem algumas das melhores páginas deste livro. A literatura não é só pose, artifício, glória de escrever. É também pose de escrever assim, artifício para poder mostrar isto, glória de poder escrever como um anjo. Enfim. Francisco José Viegas (do Prefácio - texto publicado originalmente no jornal Semanário, edição de 9 de Julho 1988)

173 pages, Paperback

First published June 1, 1986

73 people want to read

About the author

Álamo Oliveira

42 books11 followers
José Henrique Álamo Oliveira was a Portuguese poet and writer.

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Isabel M.Teixeira.
70 reviews9 followers
January 13, 2026
Um livro necessário para quem quiser (tentar) imaginar o que foi a guerra do Ultramar. Sem floreados.👏
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
789 reviews147 followers
June 29, 2022
29/06/2022
Terceira leitura. Sim um livro que li pela terceira vez.

E de novo que bom foi ler a crítica ao regime, à inutilidade da guerra (Colonial) e ao desencanto de uma geração sem sentido...

E depois, depois o intenso amor que se plasma nos dois últimos capítulos é dilacerante.

Sim, chorei desalmadamente.
Profile Image for Marta Clemente.
758 reviews19 followers
June 12, 2022
"Até Hoje: memórias de cão" é um romance editado nos anos 80 do séc XX por Álamo Oliveira, escritor açoriano pertencente à geração de portugueses que perdeu parte da sua juventude na guerra colonial.
Este livro começa com a ida de João, um jovem açoriano de 20 anos, para a Guiné, mobilizado para ir combater.
João é enviado para uma zona onde a guerra ainda mal chegou e onde o tédio e o calor tomam conta da vida destes soldados.
Escrito com uma prosa poética, este livrinho descreve-nos as vivências traumáticas deste grupo de jovens militares e a forma como a guerra os mudou ao longo dos 2 anos que lhe roubou.
Aborda ainda a homossexualidade e a forma como os afectos ajudaram a equilibrar estes jovens obrigados a participar neste conflito armado que nada lhes dizia.

"Não quero morrer! Não me deixem aqui sozinho no meio desta noite enorme que me aperta a garganta!..."
"E era amigo, amigo a tempo inteiro, daqueles que só a guerra e a miséria, fêmeas do mal, sabem gerar."
"Se te disserem, mãe, que fui um herói não acredites. Chora-me, mas não acredites. Porque se eu morrer aqui foi sem querer. E hei-de ter muita pena."
"Doía-lhes o peito, o aperto turvo da saudade. Estranhamente, a guerra juntara-os e em amor os manteve. Não menos estranhamente, a paz separava-os, destinos com outro norte, rumos que não colidem, que destroem."
"Que foi que te fizeram... meu filho!? O que é que a guerra me devolve!? Que filho..."
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
789 reviews147 followers
August 1, 2025
#50livrosparaabril
14/50

Um dos elementos constitutivos do sistema de guerra – neste caso a Guerra Colonial/Guerra de Libertação – é a existência de um regime social militarizado a que correspondem formas estereotipadas de feminilidade e masculinidades militarizadas, bem como, uma forma compulsória de (hetero)sexualidade.
Muita da literatura ficcional e de memória sobre a Guerra Colonial reforça este regime hegemónico de poder. Existem, no entanto, algumas obras que despoletam uma visão crítica. “Até Hoje (Memórias de Cão)” de Álamo Oliveira é um desses exemplos. Através de um olhar, ousado e especialmente transgressão, leva-nos ao questionamento da ideia de identidade e à problematização das transmutações interiores que acontecem às personagens masculinas no processo de mobilização militar.
Assim, João - o jovem açoriano - vai ao longo da obra se questionando como parte dessa massa masculina da nação, questionando-se enquanto ilhéu, português e homem. E desse processo de dúvida que nasce a relação – cada vez mais amorosa – com o seu companheiro de armas, Fernando, que cresce em densidade e intensidade ate um (anti)clímax das últimas páginas.
“Até Hoje (Memórias de Cão)” de Álamo Oliveira é por isso mesmo um dos mais intensos e belos livros sobre a Guerra Colonial e sobre a homossexualidade, no quadro da mesma. Um livro que aconselho a tanta gente, até porque a história desse amor, de João e Fernando, é uma história que não se reconhece como possível no quadro heteronormativo da sociedade portuguesa do final dos anos 60.

“Um grande livro, um dos mais belos livros até agora escritos sobre a guerra colonial portuguesa, que traduz de forma extremamente segura não só a amargura de uma permanência no tema, mas, também, de uma sensibilidade demasiado verdadeira para poder estar imune ao sofrimento e à própria verdade.” Francisco José Viegas (Prefácio da edição Companhia das Ilhas, 2018)

#livro #literatura #leitor #leitores #leitura #literaturaportuguesa #literaturaLGBTI #guerracolonial
#lgbti #queer #queerbook #queerliterature

Profile Image for João.
Author 5 books68 followers
September 7, 2016
Um livro poderoso sobre a guerra colonial, surpreendentemente verosímil!

João, um jovem arrancado à vida religiosa e tradicional de uma família rural dos Açoores, vai para a tropa e "aterra" em Binta, uma zona isolada da Guiné dos tempos coloniais. Em Binta, a guerra ainda não chegou e o tempo arrasta-se, húmido, quente, mole, sem inimigos à vista, sem notícias, sem mulheres, numa monotonia de dias sucessivamente iguais, que nem a dormência do álcool consegue interromper. Estes homens, assim isolados do mundo, refugiam-se da insanidade latente na camaradagem que lhes proporciona o carinho, o amor e o sexo sem os quais parece não valer a pena viver. João regressa a casa sem matar um único "turra", com efeito, sem disparar um único tiro, mas este João que chega é outro: o que partiu, dois anos antes, e que sobreviveu a Binta por ter a seu lado Fernando, morreu "no quarto nº 13 da velha pensão do Rossio" onde "o amor ficara do tamanho da cidade e coubera inteiro numa pequena cama de ferro, pintada de esmalte branco".

Há poesia escrita em prosa. Até Hoje é prosa escrita como poesia. A leitura torna-se, por vezes, morosa, mas ganha ritmos e nuances pouco habituais que, finalmente, acabam por servir bem para nos envolver emocionalmente nos horrores e frustrações da guerra e dos amores impossíveis.
Profile Image for Margarida Galante.
469 reviews43 followers
June 30, 2022
"Mãe, não quero morrer aqui! Não quero que te vão levar um telegrama untado de luto e te digam, com a tristeza falsa que qualquer sargento mal sabe disfarçar, que morri dignamente em combate, salvando a honra da pátria. Se te disserem, mãe, que fui um herói não acredites. Porque se eu morrer aqui, foi sem querer. E hei-de ter muita pena."

Um pequeno livro que diz tanto. Uma escrita poética, sensível e emocional, que contém uma forte crítica à Guerra Colonial, ao regime e à sociedade no final dos anos 60.

Na Guiné, num quartel em Binta, o quotidiano de um grupo de soldados, os dias riscados no calendário, o abuso do álcool como forma de entorpecimento e de combate ao tédio e ao medo, a indiferença às notícias do regime, a espera por cartas dos seus, a esperança do regresso. Soldados forçados, numa guerra que não entendiam, que não era deles.

É também uma comovente história de amor.
Um amor que, no final dos anos 60, não era aceite pela sociedade. Nunca é demais lembrar que a homosexualidade só deixou de ser considerada crime nos anos 80.
Profile Image for Francisco Eustáquio.
65 reviews2 followers
June 18, 2022
Até hoje. Memórias de cão de Álamo de Oliveira

 

"À sua volta passam farrapos de resignação. São soldados, diga-se sem mais metáfora de mau gosto. Arrastam os pés como quem não pode,  bêbados, drogados. Circulam no quartel pasmados, olhos baços, vazios. É a civilização levada do velho mundo para o novo que vai ali, o ritmo impessoal, indelével, incontável. Lá estavam os Lusíadas do tio José Barraca outra vez parados num desfiar de mágoas."


Álamo, na personagem de João, conta-nos um pedaço da nossa história levando-nos numa viagem à guerra colonial. Uma viagem pelo espaço interior e exterior, pelas memórias do passado na sua ilha açoriana e presente na Guiné. Um cruzamento de temas: guerra, amor, solidão, trauma eximiamente escritos numa leitura que nos emociona até na ausência da emoção da personagem principal.
Profile Image for João Francisco Ferreira.
82 reviews6 followers
August 19, 2024
O meu primeiro livro sobre a Guerra Colonial. Apesar da escrita repetitiva e demasiado ‘palavreada’, é um daqueles livros que demonstra, na primeira pessoa, o que era viver no autoritarismo salazarista e combater uma guerra que ninguém queria. É também um brilhante retrato das relações homossociais neste contexto!

“Tinham vindo para a Guiné defender a fé e o império das garras vermelhas de outros interesses. Depressa viram que não havia fé nem império a defender. Desabasse Lisboa inteira que continuariam deitados. Para defender, tinham a vida, a sua, a de cada um, aquela que a mãe lhes dera prosaicamente, num parto suado e sem gozo.”
Profile Image for Fábio Polónio.
21 reviews1 follower
July 8, 2025
"Até Hoje: Memórias de Cão" é um romance marcante sobre a guerra colonial portuguesa, explorando o impacto psicológico e emocional de forma sensível e inovadora. Mais do que relatar batalhas, foca-se na desintegração e reconstrução interior do protagonista, na crítica do nacionalismo e na descoberta da identidade sexual num ambiente hostil. É um dos raros romances sobre a guerra colonial portuguesa que assume a homossexualidade como parte essencial da construção da identidade do protagonista, desafiando os tabus literários e sociais da época.
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