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Solidão continental

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A errância geográfica, a solidão custosa, a vida no limite, o apagamento de si mesmo refletido no encontro de seus iguais, "náufragos desconhecidos", oferecem aos narradores de João Gilberto Noll expressão fundamental a novas formas de escrita.

A solidão que arrastava os poetas ultrarromânticos a buscar na morte a saída para os problemas da existência e que na poesia modernista traz a paixão pela vida, aqui, em João Gilberto Noll, amplia para a paixão pelo humano, "uma abençoada alienação" mental de um narrador, que expele os corpos do cotidiano para sua própria natureza desnuda e libidinal.

Solidão continental é um romance que perfaz um mergulho na plenitude vazia do tempo, na vastidão das coisas, na face carnal da palavra, no espaço do não-ser, um "ai" visceral e obcecado produzido por um narrador em estado mental dolorido pela urgência do humano, um novo corpo de linguagem denso e pulsante no espaço da literatura brasileira.

Eis uma narrativa brilhante, retrato de tempos de "solidão crônica"em que ler é matar um pouco o vazio, uma interessante possibilidade de "vivenciar as emoções, mesmo as mais rasteiras, para o coração não correr o risco de atrofiar".

Tânia T. S. Nunes

128 pages, Paperback

First published January 1, 2012

22 people want to read

About the author

João Gilberto Noll

25 books38 followers
João Gilberto Noll was a Brazilian writer born in Porto Alegre, in the southern Brazilian state of Rio Grande do Sul.

His early years were spent studying at the Catholic Colégio São Pedro. In 1967 he began university coursework in literature at the UFRGS-Federal University of Rio Grande do Sul, but in 1969 he interrupted his studies to pursue a career as a journalist in Rio de Janeiro, working for the newspapers Folha da Manhã and Última Hora. In 1970 Noll spent a year in São Paulo working as a copyeditor at the publishing house Editora Nacional, but a year later he moved back to Rio and resumed both his work in journalism at Última Hora, writing on literature, theater and music, and his university studies in literature, first at the Faculdade Notre Dame and then at the PUC-Rio, where he received his degree in 1979.

Noll published his first short story as part of a 1970 Porto Alegre anthology entitled Roda de Fogo, but his more formal literary debut came in 1980 when his first book of short stories O cego e a dançarina (English title: The blind man and the dancer) was released, for which he received three literary prizes. One of Noll's short stories from O cego e a dançarina, Alguma coisa urgentemente (Something urgent), was the basis for the film Nunca fomos tão felizes (English title: We've Never Been So Happy) in 1983, directed by Murilo Salles and starring the actor Claudio Marzo.

Noll received early international attention as a participant in the Writer's Program at the University of Iowa in 1982, and when his work appeared in an anthology of new Brazilian writers published in Germany in 1983. After a short visit to the University of California, Berkeley in 1996, he was invited to teach Brazilian literature there in 1997. He was an invited scholar for a Rockefeller Foundation seminar in Bellagio, Italy, was the recipient of a Guggenheim Fellowship in 2002, and spent a two-month writing residency at the Centre for the Study of Brazilian Culture & Society at King's College London in 2004. All of these experiences were to shape the subject matter of later works.

His first collection of stories was followed by the novels A fúria do corpo (1981), Bandoleiros (1985) and Rastros do Verão (1986). Two of his subsequent and perhaps best-known works, the novels Hotel Atlantico (1989) and Harmada (1993), later came out in a 1997 English edition, translated by David Treece and published by Boulevard Books in London. Another novel, entitled O quieto animal da esquina, appeared in 1991.

From 1998 to 2001 Noll published a twice-weekly series of short stories in the major São Paulo daily Folha de São Paulo, and in 2004 he began to publish longer stories every two weeks in the daily Correio Braziliense published in the federal capital Brasília.



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Profile Image for Mayra Correa e Castro.
103 reviews11 followers
April 4, 2013
Convidado para o projeto Um Escritor na Biblioteca, da Biblioteca Pública do Paraná, João Gilberto Noll declarou ser, hoje, um escritor metafísico. Ele disse: "Escrevo porque vou morrer e eu acho isso uma sacanagem." (in Cândido, ed. 18, Jan/13, p. 9)

A dor de morrer - e sozinho - percorre Solidão Continental, romance lançado em 2012 por este multipremiado escritor, nascido em 1946 em Porto Alegre. Seu protagonista, um professor de português para estrangeiros, supostamente chamado João, herda do autor esse sofrimento e não só: também a condição expatriada de alguém que deixou a cidade onde nasceu e se aventurou num país diferente.

Envelhecido, o professor perambula pela cidade natal lembrando-se de experiências amorosas da juventude e outras mais recentes. Frequentemente homossexuais, elas lhe ensinaram independência - de modo que o protagonista não criou laços e sempre fez o que quis; mas lhe ensinaram, também, que a ausência de laços suprime a chance que temos, como humanos, de alargarmos nossas próprias fronteiras para além de nossos corpos, confiscando-nos para fora da experiência criativa do amor.

É como um expatriado de si que o narrador entra na história. Ele costura lembranças de modo confuso, que poderia ser à maneira de sonho não fosse confusão a característica da memória idosa. Então não é sonho; é linguagem sonâmbula, urdidura tênue construída por Noll, em que se intercalam fios de lucidez com fios de embriaguez. Solidão Continental é metafísica tecida por mãos de um narrador que nunca tocou o espiritual - uma ausência que tem a força de empurrar para a busca da completude.

Abaixo selecionei algumas passagens marcantes. Reserve duas horas sem interrupções para ler o romance, pois ele merece ser lido num fôlego só, de maneira que a última página venha como o alívio de voltar a respirar.

Leia o restante da resenha em http://asmelhorespartes.blogspot.com....
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