Drácula e Batman discutem no asilo. Robespierre tenta subornar o carrasco. Goya e Picasso conversam sob o sol da Côte d’Azur. Juvenal planeja matar a mulher, Marinei, que o despreza. A recém-casada Heleninha pede conselhos ao urso de pelúcia.
Qual um existencialista dotado de senso de humor, Luis Fernando Verissimo persegue em suas crônicas o absurdo que marca a existência humana. Nos textos reunidos em Diálogos impossíveis, o autor escreve sobre impossibilidade, incomunicabilidade e mal-entendidos.
Imagina como seria Don Juan tentando seduzir a própria Morte ou a conversa cotidiana de um casal que se desentende na hora de dormir. O homem – e, sejamos igualitários, a mulher – parece falar o que não deve e calar no fundamental. Para sorte do leitor, Verissimo está sempre por perto, registrando os hilariantes momentos em que o ser humano exerce sua vocação para a confusão.
O autor cria situações surreais, como o incorruptível Robespierre tentando subornar o carrasco; Goya e Picasso conversando sob o sol da Côte d’Azur. Há ainda o relato de Juvenal que planeja matar a mulher, Marinei, que o despreza, e da recém-casada Heleninha cujo urso de pelúcia é seu maior conselheiro. Nas crônicas reunidas no livro, Verissimo escreve enfim, sobre a vida.
Nascido em Porto Alegre e filho do também escritor Érico Verissimo, Luis Fernando Verissimo (Luís Veríssimo, na ortografia legal) é famoso por suas crônicas cheias de ironia humorística. Além de escritor, ele também é jornalista, publicitário, cartunista e tradutor. Entre suas paixões, estão a família, o time de paixão, Internacional de Porto Alegre, e o jazz sendo praticamente inseparável de seu saxofone. Seus amigos o definem como "uma pessoa que fala escrevendo". Em público, ele é tímido e de forma alguma aparenta ser o autor de seus irreverentes textos. É considerado o escritor que mais vende livros no Brasil.
Ganhador do Prêmio Jabuti 2013 de Melhor Livro do Ano de Ficção. Sou fã do senso de humor de Veríssimo, porém neste livro haviam estórias para rir alto misturadas com algumas beeeem chatinhas...
levei esse livro pra Recife porque queria uma coisa levinha pra dar risada na praia e eu dei. mas também chorei na praia e refleti na praia, o que é menos conveniente. experiência 10/10 recomendo.
Robespierre era chamado de "O incorruptível”. Veríssimo relata o encontro entre o carrasco que venera a postura incorruptivel de Robespierre e se inspira nele e o proprio, que se vê tentado em subornar o carrasco. O diálogo é incrível! Adorei!
O livro é muito bom! Estórias muito engraçadas. Só não recebeu 5 estrelas porque foram incluidas muitas estórias sem nenhum diálogo, portanto não poderiam ser impossíveis e também estórias que mais pareciam realidade de tão sérias.
Coube a “Diálogos Impossíveis” (Objetiva, 2012) o mérito de, finalmente, dar a Luis Fernando Verissimo um Jabuti na categoria Contos/Crônicas (ainda assim, em consequência da desclassificação do contista Sérgio Sant’Anna). A maior premiação literária do país já havia premiado livros de crônicas como o do poeta Ferreira Gullar e um do Carpinejar, mas ainda não havia se rendido ao texto ágil, criativo, divertido e ainda por cima popular de Verissimo (absurdamente, o Jabuti havia premiado primeiro um romance de Veríssimo, “Os Espiões”, em 2010).
O que também não significa que “Diálogos Impossíveis” seja um livro notadamente superior às suas outras coletâneas de crônicas. Seus textos mantém o estilo já conhecido do escritor, em que o humor é peça tão importante que até mesmo a ficha bibliográfica classifica a obra como “humorismo brasileiro”, e não crônicas ou, vá lá, contos. Mas Verissimo também gosta de falar a sério (ainda que, como mostrou RUBEM, os leitores gostem menos desses textos), e nesta mesma coletânea estão incluídas três ou quatro crônicas que, nitidamente, não possuem o objetivo de fazer humor – e tampouco são diálogos impossíveis.
Uma prosa fluente como a de Verissimo costuma ser muito favorecida pelo uso dos diálogos. Nesta obra especificamente, a proposta é reunir alguns desses diálogos mais criativos, como o encontro do Drácula com o Batman numa clínica geriátrica na Suiça, a conversa de Robespierre com o seu executor, ou Don Juan seduzindo a Morte. Evidentemente, esses são diálogos impossíveis, mas a maioria dos textos da obra premiada pelo Jabuti são aquelas pequenas histórias cotidianas com conversas até bastante verossímeis (verissímeis?), apesar de todo o inusitado aplicado pelo cronista (ou justamente por conta dele).
São principalmente os textos nesse estilo que garantiram o lugar que hoje Verissimo ocupa no gênero da crônica, com méritos que, agora oficialmente, se estendem à avaliação crítica. Seus personagens, nada óbvios, divertem, ainda que não a ponto de uma gargalhada, e numa análise mais detalhada insinuam pequenos desesperos da nossa condição humana. Aqui e ali, é possível deduzir opiniões do escritor sobre temas maiores (às vezes mais abertamente, como na crônica “Revelações”, que sugere uma visão sobre o polêmico tema das biografias).
Verissimo também gosta de brincar com as palavras, o que certamente explica a precisão do seu texto. São qualidades que se observa nesta obra mas que também se estendem pela sua produção. Mais do que “Diálogos Impossíveis”, a escolha do Jabuti parece fazer justiça exatamente a esse conjunto.
Livro muito engraçado! Adorei! A verdade é que sou fã do Verissimo e gosto do quase todo o que ele escreve (nesse quase fica “Os espiões” que gostei mas não tanto...), mas tenho lido outros livros de autores brasileiros muito bons e muito reconhecidos e não gostei tanto como destes diálogos esquisitos e brilhantes... Para mim os melhores diálogos são o primeiro (dois vampiros, o Dracula e o Batman se encontram em uma clínica de repouso), o do Robespierre com seu carrasco, e o do Picasso e o Goya falando sobre Velazquez... São ótimos!!! É impossível todos os relatos serem excelentes e brilhantes e tudo assim, mas o nível geral deles é bom, muito bom. E por isso eu dou as cinco estrelas para estes diálogos impossíveis do Verissimo. (A coisa ruim de dar cinco estrelas para um livro é que o seguinte dificilmente vai atingir o mesmo nível, mas vamos ver. No meu caso, se o autor consegue eu rir, então tem muito no seu favor!).
Assim como toda sua obra, este título do Verissimo repete suas melhores características: crônicas curtas, com frases rápidas – que emulam conversas reais como poucos autores conseguem –, ideias originais, situações que começam em lugar algum a vão para lugar nenhum, muita ironia e espirituosidade. Sempre uma ótima pedida para períodos curtos de leitura.
É um bom livro, mas não leva três estrelas, na minha opinião, por compará-lo com as outras excelentes obras do LF Veríssimo. Nessa comparação nem preciso ir longe, me atenho até mesmo nas publicadas pela Objetiva apenas.
Uma leitura agradável para passar o tempo. Rápida e com toques de humor bem agradáveis. Os melhores contos são: Padre Alfredo, Natal Branco, Geoffrey e Albert e Mileva.
Recomendo pra quem já gosta do autor ou está passando por uma ressaca literária.
Luis Fernando Veríssimo traz a beleza de histórias cotidianas, sendo algumas com grandes referências históricas. Este livro incrível faz-nos esquecer um pouco dos grandes subterfúgios da vida.
Algumas histórias muito boas, outras nem tanto. Não acho que seja nem de longe o melhor livro do autor, que tem um senso de humor inteligente e de quem gosto muito, mas leitura agradável.
Não é um livro brilhante, mas é um livro legal para quem quer ler algo muito rápido sem ser totalmente sem qualidade. Luís Fernando Veríssimo tem vários outros livros bem mais legais e bem mais interessantes a serem lidos.
Confesso que algumas crônicas são bem chatinhas, mas também me deparei com algumas crônicas bem divertidas, que inclusive poderiam ter sido bem mais bem preparadas.
Eu dei uma nota 3 estrelas pois não é possível colocar 2,5.
Como todo livro de crônicas, contos, etc, esse livro tem seus altos e baixo. O texto tem a qualidade e o humor esperado do Verissimo e as estórias que valem a pena são muito boas mesmo, daquelas que fica na sua cabeça por um bom tempo. E o livro é curtinho e rapidíssimo de ler.
Engraçado, inteligente, perspicaz. Diálogos impossíveis só no nome mesmo, pois todos os contos fazem eco no cotidiano, seja de uma pessoa real, seja de uma fictícia. Fiquei com vontade de ler outros dele e continuar essa conversa divertida entre autor-leitor.