No dia 17 de dezembro de 1961 acontecia, em Niterói, a maior tragédia circense da história e o pior incêndio com vítimas do Brasil. Mais de 3 mil espectadores, a maioria crianças, lotavam a matinê do Gran Circo Norte-Americano, anunciado como o mais famoso da América Latina, quando a trapezista Antonietta Stevanovich deu o alerta de “fogo!”. Em menos de dez minutos, as chamas devoraram a lona, justamente no momento em que o principal hospital da região se encontrava fechado por falta de condições. O prefeito da cidade estabeleceu em 503 o número oficial de mortos, mas a contabilidade real nunca será conhecida. Cinquenta anos depois, o jornalista Mauro Ventura reconstitui o episódio em O espetáculo mais triste da terra. Curto-circuito ou crime? Era a pergunta que todos se faziam. A polícia logo descobriu um suspeito, mas até que ponto ele era o verdadeiro culpado ou o bode expiatório ideal para dar satisfações rápidas à sociedade e encobrir possíveis falhas das autoridades e do dono do circo? Quatro meses depois da renúncia do presidente Jânio Quadros, o país chegava novamente às manchetes internacionais. O papa mandou celebrar uma missa pelas vítimas e enviou um cheque para ajudar no tratamento dos sobreviventes. O impacto da tragédia em Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, foi tamanho que o assunto permanece encoberto até hoje. O livro revela uma trama que mistura drama e heroísmo, oportunismo e solidariedade, dor e superação. O autor mostra como a catástrofe fez surgir a figura do profeta Gentileza e ajudou a projetar o nome do cirurgião plástico Ivo Pitanguy. “Essa tragédia evidenciou a importância da nossa especialidade”, diz o médico. Para o historiador Paulo Knauss, a cirurgia plástica brasileira é tão desenvolvida porque teve na ocasião o maior campo de pesquisa e experimentação de sua história. Entre os mais de 150 entrevistados, destacam-se Santiago Grotto, um dos três trapezistas que tinham acabado de se exibir quando o fogo começou, e o único ainda vivo, e o médico argentino Fortunato Benaim, que veio de seu país para socorrer as vítimas.
Uma coletânea de histórias, depoimentos, fatos e notícias muito bem construídos na narrativa, por isso o livro não fica cansativo ou expositivo demais. As descrições, tanto das ações dos envolvidos quanto das consequências do incêndio, dão uma dimensão bem imersiva do que foi o incidente. Não é um romance, então não espere finais felizes para todos, mas alguns personagens possuem histórias bem emocionantes.
Livro excepcional. Narra através de vasta pesquisa, uma história pouco conhecida pelas gerações mais novas, de grande importância na história do país. Durante a leitura pude me emocionar com a dor das vítimas, a solidariedade humana e a capacidade de superação dos que sobreviveram a tragédia. Um lado desagradável do ser humano também é exposto; pessoas que tentaram ganhar destaque pela dor e o sofrimento alheio.
o autor reuniu vários depoimentos e contou histórias interessantes. Minhas partes favoritas foram as que contaram sobre médicos e enfermeiras que não mediram esforços para ajudar as vítimas do incêndio. A história da chefe dos escoteiros Maria Pérola me emocionou. Mas faltou uma revisão gramatical mais cuidadosa, e por vezes o jornalista escreveu como um amador. 4 estrelas
história narrada pelo livro, ao menos para mim, é interessante. Tudo que envolve esse incêndio, com a magnitude de suas consequências, é muito nebuloso para quem nasceu anos após o ocorrido, acho que esse mistério e a falta de culpados até hoje seja o motivo pelo interesse.
O autor narra com riqueza de detalhes, contando com diversos pontos de vista, desde antes da data do ocorrido - a preparação do circo, a compra de ingressos, o frenesi por uma atração diferente em uma cidade que à época não contava com muito entretenimento- até a data dos fatos e, principalmente, o que sucedeu os fato (nesse ponto vale dizer que talvez seja um livro pesado para uma pessoa sensível, pois é detalhado sobre mortos, feridos, sobre o tratamento e sofrimento dos sobreviventes e como os mesmos levaram a vida - ou o que sobrou dela - após a tragédia.)
Afora a melancolia que acompanha o livro inteiro, vale ressaltar a parte em que histórias de voluntários são contadas. Niterói recebeu muito apoio de sua própria população e de demais lugares, e isso é retratado no livro de uma forma sensível. Além disso, as histórias de superação também emocionam!
No geral gostei da leitura. Se tiver que apontar um ponto negativo acho que seria na extensão de alguns relatos, que poderiam ter sido mais sucintos e menos cansativos e mesmo assim passar a mesma ideia.
Mais que contar uma história através de profunda pesquisa jornalística, Mauro Ventura presta uma homenagem e humaniza as centenas de mortos nessa tragédia inesquecível - mas já esquecida - da história do Brasil. A narrativa é fluída, os relatos são transmitidos com muita dignidade e empatia. Embora o tema seja pesado, o livro é empático, não se aproveita da tragédia para impactar. Uma das melhores leituras do ano.
Conhecia muito pouco a respeito dessa tragédia, o livro foi excelente em apresentar tudo que aconteceu, trazendo a memória tanto da imprensa quanto dos sobreviventes. Livro excelente.
Mauro Ventura procurou reconstruir nesse livro-reportagem os principais sentimentos que envolveram a tragédia do Gran Circo Norte-Americano, que pegou fogo em Niterói em 1961. Nas mais de 350 páginas de leitura fluida, encontram-se personagens que vivenciaram o acontecimento e o seu desdobramento, da expectativa que antecedeu a atração à alta do último paciente, em 1963. Com pesquisa sólida e quase duas centenas de entrevistas, o autor conseguiu entregar um livro que entretem, informa e emociona. Do triste destino de Dequinha ao bom humor de Luiz Churrasquinho, o texto merece uma leitura da parte de quem se interessa pelo tema e também pelos meandros da vida política brasileira, representada aqui por um emaranhado de relações que envolvem desde o governador do Estado até o filho do Prefeito, em um dos felizmente raros casos em que o "jeitinho brasileiro" descambou para tragédia.