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O Aprendiz de Feiticeiro

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Inserida na reedição, pela Assírio & Alvim, das obras completas de Carlos de Oliveira (1921-1981), O Aprendiz de Feiticeiro é uma colectânea de crónicas e artigos. Alguns destes textos, publicados em jornais e revistas, foram muito remodelados pelo autor. Esta é a versão definitiva, que substitui, para todos os efeitos, a primeira.
Tal como nos outros volumes de Carlos de Oliveira publicados pela Assírio & Alvim, reproduzimos na capa um desenho inédito do autor.

"O ICEBERG

1) Carta a uma estudante de literatura que me pede dados biográficos:

Pensando bem não tenho biografia. Melhor, todo o escritor português marginalizado sofre biograficamente do que posso denominar complexo do iceberg: um terço visível, dois terços debaixo de água. A parte submersa pelas circunstâncias que nos impediram de exprimir o que pensamos, de participar na vida pública, é um peso (quase morto) que dia a dia nos puxa para o fundo. Entretanto a linha de flutuação vai subindo e a parte que se vê diminui proporcionalmente.
[?]"

208 pages, Paperback

First published April 1, 2001

2 people are currently reading
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About the author

Carlos de Oliveira

36 books40 followers
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Coimbra (1947) e foi um dos iniciadores do movimento neo-realista. Colaborou nas revistas Altitude, Seara Nova e Vértice (de que foi director). Poeta e romancista, estreou-se com o volume de poemas Turismo (1942) e o romance Casa da Duna (1943). Publicou depois os volumes de poemas Mãe Pobre (1945), Colheita Perdida (1948), Descida aos Infernos (1949), Terra de Harmonia (1950), Cantata (1960), entre outros, e compendiou a sua obra poética em Trabalho Poético (1977-78). Além de romances (Alcateia, 1944; Pequenos Burgueses, 1948; Uma Abelha na Chuva, 1953, e Finisterra, 1978), publicou o livro de crónicas O Aprendiz de Feiticeiro (1971). Foi condecorado pela Presidência da República, a título póstumo, com o Grande-Oficialato da Ordem da Sant’Iago da Espada, em 1990.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
March 5, 2020
Várias crónicas, datadas entre 1947 e 1970, sendo a maioria sobre literatura e escritores portugueses, já na altura esquecidos e hoje mais...
Numa dos textos, Carlos de Oliveira recorda um dos poemas de Gomes Leal porque não me lembro doutros versos tão dilacerantes em língua portuguesa:
Já conheceste as grandes despedidas,
as despedidas sepulcrais, eternas?
Já sabes quanto dói irem-se as vidas,
formas, e almas que nos foram ternas?
Sabes o fel das lágrimas vertidas,
ou o sangue das lágrimas internas,
num rosto amado, uns olhos, um cabelo,
que a alma sabe que não torna a vê-lo?

sim...
Profile Image for Andreia Mariana Fernandes.
14 reviews11 followers
Read
March 12, 2017
Gelnaa, a escorrer chuva, entra pelo escritório:
- A acácia grande caiu agora mesmo.
A acácia grande, cem anos vagarosos de crescimento. O fascínio de certas árvores, o seu charme antigo recebemo-lo de plantadores mortos há muito e não podemos improvisá-lo ou substituí-lo durante a nossa vida. Não chega para tanto. Plantaremos outra acácia, claro, mas a que foi derrubada deixou mais um pouco de sombra nos olhos de Gelnaa. Uns olhos que escurecem de ano para ano. São as tuas rugas, costumo dizer-lhe. E penso: por enquanto. O tempo não lhe tocou ainda (por enquanto, repito supersticiosamente, como se o orgulho que sinto ao vê-la, sem esta ressalva, pudesse trazer mais cedo a velhice), limitou-se a carregar-lhe as íris do negro quase verde que têm os abismo em torno da sua ilha.
Profile Image for K..
12 reviews1 follower
July 3, 2020
7) Perguntam-me ainda porque falo tanto da infância. Porque havia de ser? A secura, a aridez desta linguagem, fabrico-a e fabrica-se em parte de materiais vindos de longe: saibro, cal, árvores, musgo. E gente, numa grande solidão de areia. A paisagem da infância que não é nenhum paraíso perdido mas a pobreza, a nudez, a carência de quase tudo.
Desses elementos se sustenta toda a escrita de que sou capaz, umas vezes explícitos, muitas outras apenas sugeridos na brevidade dos textos. E disse sem querer uma palavra essencial para mim. Brevidade. Casas construídas com adobos que duram sensivelmente o que dura uma vida humana. Pinhais que os camponeses plantam para derrubar pouco antes de morrer. A própria terra é passageira: dunas modeladas, desfeitas pelo vento. Que literatura poderia nascer daqui que não fosse marcada por esta opressiva brevidade, por este tom precário, demais a mais tão coincidentes com os sentimentos do autor?
Profile Image for Sandro Filipe.
174 reviews2 followers
gave-up-on
March 1, 2016
When I bought this book, I certainly wasn't expecting this kind of reading. I thought it was a book about the fantastic, about fiction - magic -, but it turned out to be a satiric book, which made me quit reading it.

trad.: Quando comprei este livro, certamente não estava à espera deste tipo de leitura. Pensei que era um livro sobre o fantástico, sobre ficção - magia , mas afinal é um livro satírico, o que só por si me fez desistir.
Displaying 1 - 4 of 4 reviews

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