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Louco do Cati

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Em Porto Alegre, um grupo de rapazes se reúne numa oficina mecânica e decide fazer uma viagem curta e divertida, 'viagem de prazer até o mar'. A esses jovens junta-se o Cati, como é conhecido o personagem que dá título ao romance. Quando chegam ao mar, dois dos rapazes (Norberto e o Cati) decidem continuar a viagem e se desgarram do grupo. É nesse momento que as peripécias de uma viagem de prazer vão se tornando, aos poucos, um pesadelo, uma descida ao inferno. Perto de Florianópolis Norberto e o maluco são detidos de forma inexplicável, e em seguida são conduzidos de barco ao Rio de Janeiro, onde passam uma temporada no cárcere. O ambiente opressivo do Estado Novo pontua uma parte dessa desventura insólita, pois a prisão arbitrária dos dois personagens é, em si, significativa. Além disso, o silêncio de Cati pode ser visto como uma metáfora à censura e ao medo durante esse período da vida política brasileira.

272 pages, Paperback

First published January 1, 2003

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Dyonelio Machado

14 books8 followers

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Carlos.
Author 15 books43 followers
June 11, 2019
CARTOGRAFIA DA OPRESSÃO

O Cati é o mal, a morada do demônio. Mas como fugir do Cati quando se leva o Cati na alma? É essa a questão a ser enfrentada pelo perturbado protagonista de O Louco do Cati, considerado por muitos a obra-prima do escritor gaúcho Dyonelio Machado.

O Louco do Cati narra a história de um homem sem nome, sem passado e com poucas frases ditas ao longo das 270 páginas do romance. Sem personalidade definida e conhecido apenas por nacos oníricos de seu passado distribuídos aos poucos na narrativa, o "maluco" embarca em um bonde, vai até o fim de linha, tenta trocar uma nota antiga em um bar e acaba sendo levado por um grupo de jovens a uma excursão feita de caminhão pelo litoral.

Quando os demais retornam, o louco segue acompanhando um deles, o malandro Norberto, até ambos serem detidos sem razão aparente em Santa Catarina. Daí, são levados para o Rio de Janeiro e amargam a cadeia. Solto, o louco refaz o trajeto até o Rio Grande do Sul terminando, de modo fantástico, no Cati, em Santana do Livramento, na fronteira com Uruguai. Meticuloso, Dyonelio fez o planejamento da viagem desenhando um mapa com o percurso do protagonista e o tempo que cada passo do trajeto demandaria.

Se, como querem alguns teóricos, o maior objetivo da literatura é causar estranheza, O Louco do Cati é literatura em alto grau. O livro intriga desde a primeira linha, tanto na história narrada em clima de tédio e pesadelo quanto na forma. O Louco do Cati não foi escrito. Muito doente depois de haver conhecido as prisões do Estado Novo, em 1941, Dyonelio ditou o romance a sua filha. O escritor sentia-se alquebrado pela experiência do cárcere e acreditava não ter condições de pôr no papel a história que havia imaginado enquanto esteve preso. Cecília, a filha do escritor, anotou o romance.

Essa origem inusitada transparece no andamento do texto. Dividido em capítulos curtos, O Louco do Cati é narrado de forma áspera, intercalando em uma melodia esquizofrênica frases curtas, espasmódicas, com sentenças mais longas. A oralidade da história está também presente na linguagem coloquial e repleta de expressões e gírias – algumas delas de sabor passadista.

A região do Cati ganhou celebridade na história gaúcha devido à atuação feroz do caudilho João Francisco Pereira de Souza nos combates da revolução de 1893. João Francisco castigou os derrotados da insurreição com violência, apelando para o bárbaro recurso da degola. Sutil, Dyonelio cria uma atmosfera de mal-estar associando as lembranças esparsas que o louco tem de sua infância, passada sob o terror do coronelismo na região, e a ditadura Vargas, retratada e sempre presente, mas nunca mencionada.

Publicado em 1942, o romance recebeu a aprovação entusiasta de Mario de Andrade, Guimarães Rosa e Erico Verissimo, mas foi tratado com desdém pelo restante da crítica. Só foi redescoberto depois de relançado, em 1979, o que despertou o interesse pela obra de Dyonelio, hoje fixada entre as maiores expressões literárias do Brasil.
Profile Image for Adriano Koehler.
218 reviews2 followers
April 2, 2026
Não consegui ser "capturado" pelo texto, ainda que a história seja interessante. Creio que me faltou concentração para entender os subtextos do livro. A edição da Planeta traz um comentário de Maria Zenilda Grawunder que joga luz sobre a obra, mas eu confesso que fiquei pelo caminho.
Profile Image for Christian.
150 reviews1 follower
December 20, 2024
O livro parece não ter enredo definido. Não se sabe por que viajam. Seria uma fuga? Se o louco fugia, por que aceitou passivamente a volta? A primeira parte é mais instigante e intrigante. Na segunda metade do livro, a volta, são mostrados aspectos mais comuns da vida, tanto em grande capitais quanto no interior do Brasil. No final, a loucura.
Profile Image for Klissia.
855 reviews12 followers
May 26, 2023
Uma obra lançada nos anos 40 ,escrito ou ditado pelo autor quase a beira da morte, bom não é uma trama totalmente surrealista ou psicodélica, mas é uma parada e viagem pela estranheza da mente e comportamento humano, num estado de terror. É claro que tem reflexos políticos de sua época ,embrulhado num "romance de estrada", do qual o destino, a cidadela do Cati, pode não ser o final.
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