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Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos

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"Um grito? Um protesto? Uma careta? Uma expressão "banana pra vocês"? Antes, Ana Paula Maia recria nuances do que pode ser péssimo na realidade e, artista que é, não oferece soluções, apenas aponta com o dedo, artisticamente, para o que todos sabem, conhecem, mas parecem não querer ver. Ela não faz denúncia, não é dessas bossas. Ela faz é obra de arte." [Jornal Rascunho]

O livro reúne duas novelas: “Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos”, com cinco capítulos; e “o trabalho sujo dos outros”, em sete capítulos. Os personagens apresentam aquela ética de faroeste. Edgar Wilson e o seu fiel escudeiro Gerson bem que figurariam em qualquer cidade do Velho Oeste. A realidade brutalizada, quase cópia do cotidiano, bem à moda do escritor Rubem Fonseca, ganha, na literatura de Ana Paula Maia, ares de paródia da mesma forma como cineasta Quentin Tarantino reprocessa a violência dos filmes de ação e dá um ar irônico e intertextual à sua filmografia. Tanto para o cineasta como para a escritora há uma raiz de inspiração comum: o cinemão americano, o caldeirão pop. “- Ok, então – diz o policial. - Edgar Wilson e Gerson, obrigado pela atenção de vocês e peça ajuda. Não vou tomar mais o tempo de vocês, rapazes. Percebo que são gente de bem, que trabalha pesado”. Sentiu um tom meio que de roteiro de cinema? É intencional.
Ana Paula, mestre em ironias, revela o quanto da cultura americana está entrada no cotidiano. Quando precisam chamar a emergência para socorrer uma vítima ninguém sabe para qual número ligar, mas todos lembram-se do “911” americano. Mas não pensem que os diálogos com cinema comprometem a trama. Ao contrário. Ana Paula Maia é mão segura na narrativa, sabe dosar bem tempo, ambiente, enredo, sobretudo na segunda história, a do lixeiro Erasmo Wagner. A escritora sabe desenvolver suas metáforas e, seu ponto alto, criar universos e fazer com que o leitor partilhe de seus estranhos e envolventes submundos.
[Jornal da Paraíba, Submundo do pop]

160 pages, Paperback

First published May 29, 2009

9 people are currently reading
329 people want to read

About the author

Ana Paula Maia

25 books258 followers
Ana Paula Maia (Nova Iguaçu, 1977) is a Brazilian writer, scriptwriter and musician.

During her adolescence she player at a punk rock band and studied piano. As a scriptwriter she took part in the script of the short film O entregador de pizza (2001), and along with Mauro Santa Cecilia and Ricardo Petraglia, she wrote the theatrical monologue O rei dos escombros assembled in 2003 by the Moacyr Chaves firm. She published her first novel under the title O habitante das falhas subterrâneas in 2003.

She is the author of the trilogy A saga dos brutos, started by the short novel Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos y O trabalho sujo dos outros —published in one volume— and concluded by the novel Carvão animal.

Influenced by Dostoievski, by Quentin Tarantino and Sergio Leone in her cinematography, and the pulp literature and series, her works are maked by the violence and the treatment of their characters, that often includes scatological elements.

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Community Reviews

5 stars
120 (30%)
4 stars
187 (46%)
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80 (20%)
2 stars
10 (2%)
1 star
3 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 67 reviews
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books568 followers
November 15, 2019
Esse livro traz duas "novelas".
'Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos' é o marco zero do Edgar Wilson, personagem recorrente das suas novelas. Quase uma entidade, como a autora definiu recentemente, ele nunca envelhece, embora amadureça junto com o texto da sua criadora. As peças já estão todas lá, a violência, a religiosidade torta do personagem, seu desejo/falta de desejo de ver a neve, a relação com a morte. Mas são peças que, obviamente, com o tempo a autora soube trabalhar muito melhor. A parte da rinha de cães ajuda a desenvolver de um jeito interessante a personalidade do Edgar Wilson e gostei de como terminou. Animais sempre têm lugar cativo nas histórias da Ana Paula Maia, sejam cães, porcos, bodes ou javalis, estão sempre lá. Como trajetória, é curioso pensar que em 'Enterre seus mortos', livro mais recente, Edgar Wilson trabalhe justamente recolhendo carcaças de animais.

'O trabalho sujo dos outros' eu nunca tinha lido, ao contrário da primeira novela/folhetim que cheguei a acompanhar em parte no blog da autora. Aqui temos o dia a dia de Erasmo Wagner, que é lixeiro, e seu irmão que trabalha desentupindo fossas e esgotos.

Achei que o texto fosse só ecoar a primeira novela, já que o Edgar Wilson é um protagonista que flui mais naturalmente pra autora, mas não. O trabalho sujo tem personalidade própria, e Erasmo Wagner e sua família funcionam bem nesse mundinho distópico levemente sobrenatural que a Ana Paula Maia foi refinando ao longo dos anos. Não tem aquele monte de boas sacadas dos textos posteriores, mas tem profundidade, seu tom de crítica e, mais uma vez, consegue criar uma boa subtrama em cima de um personagem animal, aqui no caso um bode (preto?).

Pontos altos, o rim da primeira história e o bode da segunda :)
Coisas que só dá para falar comentando textos de uma autora assim.
Profile Image for Tácio.
6 reviews5 followers
December 31, 2018
novelas inefavelmente repulsivas. só quero citar: "a maioria dos homens que conhece são ruminantes. e fazem isto em silêncio".
Profile Image for Emanuela Siqueira.
167 reviews60 followers
June 11, 2020
narrativa visceral é algo que faz bastante sentido aqui. Ana Paula Maia vê tudo o que não se quer ver e coloca tudo numa narrativa fluída e realista até o último ponto.
Profile Image for Tassi.
143 reviews58 followers
September 6, 2020
Gostei mais de "Enterre seus mortos" que desse, e mais da primeira novela que da segunda. Fiquei curiosa pra conhecer todos os espectros de E.W.s que existem na obra da Ana Paula Maia.
Profile Image for Paul Fulcher.
Author 2 books1,965 followers
November 9, 2025
No one speaks. The flies buzz around their heads. Large, disgusting flies. Edgar Wilson takes the cigarette pack out of his pocket. His last cigarette is on the ground, extinguished in the policeman's sweat. He crumples the pack and throws it over his left shoulder. On sunny days like these, with stagnant air, smelling of sewage, and tripe stuck deep up his nose, he sometimes feels it will never end. He feels condemned to this place, to this situation. The stench and heat restrict his movements and complicate his thinking. All he can do is wait for nighttime's more tolerable temperature and occasional breeze.

See my review of Saga of Brutes, the trilogy in which this was published in English, for my review of this novella.
Profile Image for Suellen Rubira.
955 reviews89 followers
September 11, 2016
Quem entra em qualquer história da Ana Paula Maia jamais sai ileso, é como estar nas histórias do Steinbeck: a miséria humana prevalece sempre.

Duas novelas que se interligam, cada qual mostrando sua parcela de pobreza, podridão e morte. Quem tem estômago passa por isso. Quem não tem é porque muita coisa à sua volta prefere ignorar.

Cito uma parte da apresentação do livro:

"Os textos, em tom naturalista, retratam a amarga vida de homens que abatem porcos, recolhem o lixo, desentopem esgoto e quebram asfalto. Toda imundície de trabalho que nenhum de nós quer fazer, eles fazem, e sobrevivem disso. Fica por conta do leitor medir os fardos e contar as bestas."
Profile Image for Fernanda Lobo.
4 reviews
March 11, 2015
Nos primeiros momentos de leitura, um espasmo, um asco, um julgamento raso: "violência gratuita."
Depois, a curiosidade: como uma mulher se apropria com tal segurança do universo masculino e da violência que permeia essas classes marginalizadas?
Nada do que conhecemos como "literatura feminina". Clarice Lispector está andando por outras bandas da linguagem.
Um relato chapado da violência que se pratica e que se sofre. Erasmo Wagner e as demais personagens só exteriorizam o que lhes foi dado interiorizar.
Uma afronta aos nossos próprios ascos e espasmos seletivos.
Grande livro.
Profile Image for Tiago Germano.
Author 21 books124 followers
August 23, 2015
Essas duas novelas de Ana Paula Maia te mexem nas vísceras: do estômago (as histórias são realmente nauseantes) ao cérebro (a estrutura da obra é bem cerebral, com cada capítulo estruturado como um conto, com sobras que vão transbordando pros capítulos seguintes e uma imprevista conexão entre as duas). Os personagens trombam na caricatura, mas eu me senti como diante de uma caricatura daquelas de Loredano. Que mão.
Profile Image for Helena Romera.
54 reviews16 followers
October 4, 2016
Que livro incrível. A escrita é muito crua, naturalista, causa repulsa em vários momentos. E faz pensar muito como ainda tem certos tipos de trabalhos que são realizados por pessoas, apesar de irem totalmente contra qualquer aspecto da dignidade humana
35 reviews1 follower
July 17, 2022
São duas novelas, a primeira era pra ser 1 ⭐ mas é bem divertida de ler, então 2. Vêm umas cenas só pra te chamar a atenção que acabam banalizando umas coisas que eram pra gerar um choque, mas vc já tá anestesiado desde o começo. Uns assassinatos que só passam e dps vc nem liga mais.
Aí não sei se a autora quis transmitir algum ativismo seu. Se quis, ficou mt confuso, pq os personagens são escrotos, e no máximo tive compaixão dos animais, pq dos trabalhadores tive 0.

A segunda é bem melhor, mas fica numas 2-3 ⭐, parece q não vai pra lugar nenhum, e, apesar de ter gostado muito do Erasmo, ficava esperando mais personalidade dele.

É um page turner sim, vc quer ler mais e mais até acabar, mas isso não ajuda muito.



*é foda também saindo de daquele romance impecável da clarice lispector (tô falando de a maçã no escuro), onde você ama cada personagem e se identifica em cada introspecção maluca dela brincando com a linguagem, encontrando sentido em uns floreios apaixonados. aí ler uma coisa assim meio "há, sangue!" é um pouco frustrante.
Profile Image for Lucas Lanza.
168 reviews4 followers
August 20, 2018
Leitura interessante, mas sem profundidade. Os personagens difusos e rasos se confundem com a ambientação detalhada do submundo de rinhas de cachorros, abatedouros clandestinos e lixões. Esse universo onde habitam tais personagens parece algo saído da mente dos irmãos Coen - a sordidez com que acontecimentos absurdos e/ou violentos são encadeados me lembrou muito o filme Fargo (e a série homônima derivada do mesmo). É uma leitura rápida, curta. Só merece 4 estrelas por conta da inventividade da autora.
Profile Image for DANIEL TOMAZ DE SOUSA.
43 reviews4 followers
October 1, 2021
Livro composto por duas novelas, absurdamente incríveis, nojentas e reflexivas. A segunda novela, O trabalho sujo dos outros, é uma das melhores coisas que já li. Ansioso pra ler mais coisas da autora.
Profile Image for Wanderson Wans.
61 reviews
April 13, 2020
Quando é que o goodreads vai nos dar a chance de colocar meia numa nota? Ana Paula Maia merece 4,5 nessa obra que é um soco no estômago.
Profile Image for Cayo Candido.
80 reviews9 followers
May 25, 2020
Composto por duas novelas passadas no mesmo universo, o livro conta de forma crua o cotidiano de pessoas comuns que sobrevivem a um cotidiano sujo e quase sufocante. Há alguns anos comecei a ler esse livro e parei ao terminar a primeira novela pois não tive estômago pra continuar. Dessa vez reli a primeira história mais preparado e encarei o livro até o final. As cenas ainda são gráficas e a tensão gerada pelo imprevisível ronda a narrativa a todo momento. Cabem aqui todos os elogios a autora com sua escrita socialmente crítica e direta sem um pingo de demagogia.
Profile Image for Matheus Peleteiro.
Author 18 books21 followers
August 11, 2020
Lembrou-me de John Steinbeck, com o seu "Ratos e homens". Não pela caracterização dos personagens a partir dos diálogos, mas pela condição tratada. Pela degradação dos homens que exercem funções basilares, mas invisíveis, promovida pelas sociedades. Sem dúvidas, há aqui uma narrativa dura, crua e surpreendente. Grande obra!
Profile Image for Vic Cezar.
15 reviews1 follower
November 19, 2022
O primeiro conto acho que é o mais fraco da Ana, eu não via a hora de acabar, sem contar que é a pior versão de Edgar, o segundo conto já é mil vezes superior ao primeiro, daria 3,5 ao livro mas só da pra dar 3
Profile Image for Amanda Tracera.
52 reviews
July 24, 2018
Eu acho muito estranho falar do livro de maneira geral, porque são dois livros e eu ainda não sei direito o que senti. O choque que causa é o melhor tipo de choque, mas às vezes parece colocado ali só e puramente pelo efeito de chocar – o que serve ao livro, mas me incomoda. Passei o tempo todo pensando em como a escrita te realoca enquanto leitor: é normal a gente olhar pro livro como quem está na mesma altura que ele, como se fosse só olhar pra frente, mas aqui a gente precisa olhar pra baixo o tempo inteiro (pela narrativa, pelas atitudes dos personagens, pelos temas), e é interessante estar nesse outro lugar. É uma porrada legal.
Profile Image for Lucas Sampaio.
3 reviews
November 17, 2020
O neo-naturalismo de Ana Paula Maia

Uma das concepções mais comuns quando pensamos no naturalismo, é imaginar uma classificação literária exclusiva dos últimos anos do século 19, seja no Brasil, ou no campo literário de forma geral. No entanto, o naturalismo, com (quase) todas suas características andam presente como nunca na nossa literatura através da talentosa Ana Paula Maia.
Através de livros como “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, ou até no mais recente “Enterre seus mortos”, a autora vem mostrando uma grande habilidade para construir personagens, cenários e narrativas próximas a concepção naturalista, no entanto, com um olhar moderno e cinematográfico sobre questões sociais tão antigas, mas ainda assim atuais.
No seu terceiro livro, “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, obra responsável por desencadear sua fama, e também por apurar a técnica narrativa da autora, a Ana Paula Maia conta a história de “homens bestas”, em sua própria concepção, que trabalham de forma incansável, fazendo o trabalho sujo dos outros.
Dentre as características mais comuns do naturalismo, como temas sociais polêmicos e obscuros: nas duas novelas presentes no livro “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, temos personagens que convivem com zoofilia, assassinato, mutilação, pedofilia.
Seja na narrativa homônima ao livro, que conta a historia de dois companheiros que trabalham em um matadouro ilegal de porcos, ou até na segunda, chama de “O trabalho sujo dos outros”, em que temos irmãos que trabalham paralelamente com recolhimento de lixo, quebra de asfalto, e desentupimento de latrinas, esgotos etc.
Outras características, como personagens que possuem patologias: seja no caso de personagens quase surdos pelo trabalho exercido (quebrar asfalto com britadeira), um personagem morrendo pela falta de um rim, que ironicamente havia doado a irmã a pouco tempo.
Até a zoomorfização, momento em que o personagem humano é comparado a um animal, característica comum ao naturalismo, com trechos como: “Cão de rinha é um cão que não teve escolha. Ele aprendeu desde pequeno o que o seu dono ensinou. Podem ser reconhecidos pelas orelhas curtas ou amputadas e pelas cicatrizes, pontos e lacerações. Não tiveram escolhas. Exatamente como Edgar Wilson, que foi adestrado desde muito pequeno, matando coelhos e rãs. Que carrega algumas cicatrizes pelos braços, pescoço e peito. São tantos riscos e suturas na pele que não se lembra onde conseguiu a metade. Porém a marca da violência e resistência à morte de outros animais nunca tiraram o brilho de seus olhos quando contempla um céu amplo. Dia ou noite, ele passa boa parte do seu tempo olhando para cima. Quem sabe espera que alguma coisa aconteça no céu ou com o céu... talvez queira retalhar algumas nuvens com seu facão.” (p.69)
A prosa da Ana Paula Maia está no hall dos grandes feitos da geração contemporânea da literatura no Brasil, com escritos que são socialmente engajados, sem ser panfletários em momento nenhum, enxergando questões sociais pertinentes e sempre tocando na ferida aberta, e olhando para tipos que a sociedade costuma ocultar.
Um novo olhar sobre uma técnica literária que continua atual, pois a desigualdade social ainda existe.
Profile Image for Gumble's Yard - Golden Reviewer.
2,211 reviews1,798 followers
January 8, 2024
A fighting dog is a dog that has no choice. He learned what his owner chose to teach him ever since he was a puppy. He's recognizable by his short or amputated ears, scars, stitches, and lacerations. He's had no choices in life. That's exactly how it's been for Edgar Wilson who was trained at a young age to kill rabbits and frogs. He has some scars beneath his arms, and on his neck and chest. There are so many lines and sutures on his skin he doesn't remember where he got half of them. However, scars of violence and resistance to death on other animals have never dulled the glint in his eye while he contemplates a big sky. Night and day, he spends a good deal of time looking up. Maybe he expects something to happen in the sky or with the sky.. maybe he'd like to cut up some clouds with his big knife.

Despite having been raised like a fighting dog, he knows it's better than being a pig. That's because pigs can't look up at the sky. They just can't. Anatomically, pigs were made basically to look at the ground and to feed on whatever they found there.
Edgar knows that he's a fighting dog raised to kill pigs, rabbits, and men. However, every bit of a pig is relished. Rabbits can be eaten with green olives and almonds. Men are often given a mass. As an excuse to light a candle and pray.


The Brazilian Ana Paula Maia is a city-suburb dwelling, female author but her clear preference in writing is for county-based, male, working class characters. In particular she writes about those working in professions on the edge of society, doing jobs necessary to middle and upper class living but ones which are not just hidden from that society, but the brutal reality of which is deliberately and willfully not contemplated, what the back cover of the Dalkey Archive edition (in poetic language which I am not clear if is translated) calls them “heroes of vile circumstance ……… forced to carry society’s burdens”.

The effect is something like a Brazilian and brutalist, sometimes biblical version of Magnus Mills.

Translated by Alexandra Joy Forman (possibly a little unevenly – as some passages did not seem to read entirely logically) this novella was published in a collection of three thematically, character and even incident linked novellas as “Saga of Brutes” by Dalkey Archives in 2016. In Brazil – the connected novellas Sago des Brutos #1 (Entre rinhas de cachorros e porcos) and #2 (O trabalho sujo des outros) were originally published together in 2009; with #3 (carvão animal) following in 2011.

Maia’s writing features as a recurring character Edgar Wilson (apparently based after one of her inspirations Edgar Allan Poe’s and his story “William Wilson”).

This book is effectively (as far as I can tell) the sequel to the later novella “De Gados e Homens” (published by Charco Press in 2023 in a translation by Zoe Perry as “Of Cattle and Men” and winner of the inauagral Cercador Prize) which also features Edgar Wilson as the main protagonist.

In that latter book, Edgar Wilson, after a mining career is working with cattle but is desperate to work with pigs; he also in that book develops a sudden interest in snow. Here he has finally his job with pigs, but at the book’s end sets out South to find some snow (note that as far as I know the author’s as-yet-untranslated next book “Enterre Seus Mortus” has Edgar working as a collector of dead animal bodies – I am unclear where that falls in sequence).

Compared to “Of Cattle and Men” this book is unfortunately heavy on violence.

In around 50 pages, and just from what I can recall, Edgar Wilson: murders first a fellow worker who he thinks is having an affair with his girlfriend, and then his girlfriend when she is clearly pining for her missing lover; agrees to stage a fake kidnap of an acquaintance – to test the fidelity of their girlfriend – but rather over stages it and then abandons the body after the car in which he has stashed his “victim” is accidentally rear-ended by a truck; leaves a woman dying in a car crash as he is more interested in finding his missing pigs; watches a friend dying of cancer commit suicide; sees his favourite dog mauled and killed in a dog fight; and, most transgressively, agrees to visit the cancer stricken sister of his co-worker and friend to whom the latter had donated a kidney which he now needs, and assists to cut out her kidney and leave her to be devoured by her own chihuahua, only for a relative to fry the liberated kidney for dinner before they can work out a way to transplant it.

And as a result of so much violence it is also light on anything in the way of redeeming qualities (the opening and closing passage to my review being rare examples of when the writing excels). I had the impression that the Edgar Wilson in this story was actually a much less mature and thoughtful character than the one in the later written, but earlier set, story.

Sad days can be cold or hot, gray or blue. And shadows contour souls, desires, and thoughts. These shadows belong to no one, they can come from anywhere: from a wall nearby, an ocean wave, an expanded wing in the sky. Sometimes, even the stars seem to make shadows. Though they're dead, they overshadow with their insistent glimpse of infinity. And in thinking of stars, sometimes he wishes for a stairway to the sky. So he can blow them out.
Profile Image for r.reads.
76 reviews
July 5, 2023
3,5 ⭐

GATILHO: violência animal, zoofilia, necrofilia e pedófila.

1° "Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos" - 3.0 ⭐
2° "O trabalho sujo dos outro" - 4.0 ⭐

a primeira novela ela não é ruim ruim, mas parece muito uns contos soltos - oque consequente não traz uma ligação com o leitor - , com umas coisas que escalonam muito muito rápido e uns diálogos... que só jesus na causa.
agora a segundo... MUTIO bom.
a ambientação na vida desse lixeiro e das pessoas que o cercam foi muito muito fod@. aqui sim ela consegue explorar e "discutir" - de forma mais interessante - toda a crueldade e aspereza da vida dessas pessoas,
expondo mais essa narradora que, apesar do que aborda na história, é muito bom e envolvente

"Às vezes um colega cai do caminhão, é atropelado, infecta-se com doença contagiosa, amputa um braço ou uma mão no compactador de lixo, ganha uma hérnia de disco devido ao peso que carrega, torna-se um inválido, é afastado do trabalho e esquecido como o lixo que é recolhido nas calçadas e depositado nos aterros sanitários. Não importa sua cor, seu cheiro, seu paladar. Não importa o que pensa, deseja, planeja ou sinta. O que importa é que recolha o lixo, leve-o para bem longe e desapareça junto dele."

"Após um certo tempo rasgando asfaltos, sente que tudo em sua vida caminha para baixo. Tem o costume de abrir pequenos buracos no quintal, cavar a comida, afundar o dedo em bolos confeitados e retirar o miolo do pão. Alandelon gosta mesmo de cavar. Desde pequeno, lembra-se disso. Quando olha para alguém, ele também cava. Seus olhos são um par de cavadeiras, ele olha para alguém e imediatamente começa a cavar. A maioria das pessoas querem seguir adiante, subir na vida. Ele deseja descer, afundar-se num buraco, pois tem a impressão, que numa fenda subterrânea encontrará algo que lhe pertence, mas não sabe o que exatamente."
Profile Image for Felipe Vieira.
789 reviews19 followers
July 27, 2022
#MulheresParaLer

4,5

Que livro! Que porrada na nossa cara e no estômago. O livro da Ana Paula Maia é constituído de duas novelas que se interligam em determinado momento. A narração em Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos é direta, sem rodeios e floreios. É uma obra que, com certeza, te chocará. Eu fiquei chocado com a violência banal, mas o modo como a Ana Paula contou a história me pegou de jeito. Me peguei rindo, chocado e com nojo várias vezes. A história te provoca e te tira da zona de conforto.

O realismo nas histórias protagonizadas por homens que vivem à margem da sociedade é um balde de água fria. Como a mesma autora diz são histórias de homens que fazem aquilo que nós não gostaríamos de fazer e simplesmente temos nojo. Trabalhar com porcos, recolher lixo e limpar esgotos não é nada agradável.

O livro só narra o que de fato acontece na vida cotidiana. A segunda novela é mais crítica e menos violenta. A primeira é nojenta e violenta, mas tem os seus méritos. É um livro pesado. A leitura é rápida, mas é agradável. Recomendo pra quem quer sair da zona de conforto.
Profile Image for Ana Luísa.
86 reviews
February 7, 2025
Porcos são incapazes de olhar para o céu.
O livro é composto por duas novelas e apesar do tema central em comum, elas são bem diferentes. A primeira tem uma visão cômico-crítico, parece até um roteiro de comédia, com tudo dando errado por falta de planejamento ou por descuido. Essa história não tem nada a ver com Carvão animal, ela é mais visceral, há morte o tempo todo, e Edgar Wilson demonstra uma frieza e praticidade animal com sua vida. Nela, a solução dos problemas sempre se encontra nos porcos. A superioridade da segunda, O trabalho sujo dos outros, é imensa, carregadíssima de críticas sociais incisivas. O que me impressiona na narrativa é a riqueza de detalhes sobre coisas simples e quão fidedigno isto é, ela sabe relatar experiências muito peculiares. O recheio do bolo são as reflexões muito bem trabalhadas sobre o meio e as condições dessas pessoas invisíveis na sociedade. A melhor definição para a escrita de Ana Paula Maia é: crua e crítica.
Profile Image for Adriano Tiegs.
200 reviews2 followers
January 16, 2023
Certas obras nos fazem nos dar conta do quão pouco nós compreendemos as relações humanas, e o quanto ignoramos realidades diferentes da nossa. É isso o que faz "Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos" de Ana Paula Maia. Com uma escrita violenta e arrebatadora, a autora nos traz reflexões sobre essas e muitas outras questões, em uma obra composta de duas novelas, e que traz personagens aos quais não estamos acostumados, homens brutos e até animalescos, mas que ainda assim demonstram inocência em certos momentos, seres humanos que fazem os "trabalhos sujos" da sociedade. Um abatedor de porcos que tem como hobby assistir cães se estraçalharem até a morte em rinhas e um coletor de lixo que se vê em uma situação de greve, pessoas marginalizadas e que estão em todos os lugares, mas que preferimos ignorar, enquanto elas fazem o trabalho que nós não faremos.
Profile Image for Priscilla.
1,929 reviews16 followers
May 3, 2022
Você é um animal.

Ana Paula Maia aparentemente não pensou duas vezes sobre isso quando decidiu escrever esse livro.

Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos traz alguns contos que apenas parecem desconectados no começo, mas que mostram a vida de alguns personagens sobre a forma mais animalesca possível.

Sangue, luxúria e desprezo são descritos de forma direta, mas intencional. Esse é livro sobre um tema polêmico e com uma história igualmente controversa - escrito da forma mais prosaica possível.

Os personagens, com comportamento ou motivações extremamente complexos, não são defendidos nem massacrados. Isso não significa em absoluto que a narração seja seca como uma reportagem de jornal.

Recomendo.
Profile Image for Nathália Balbinotte.
43 reviews
November 20, 2025
Foi o meu primeiro contato com a escrita da Ana Paula Maia. Não sabia muito bem o que esperar, comecei o livro um pouco horrorizada, mas aos poucos fui entendendo a forma visceral dela escrever.

Enquanto alguns autores descrevem coisas terríveis apenas pra chocar o leitor, tudo que autora traz tem sentido e nos faz pensar nas malezas do nosso sistema e nos seus efeitos na subjetividade dos trabalhadores que sustentam a maquinaria do mundo.

Como vegetariana, também acho que o paralelo entre corpo animal e corpo humano é um dos pontos mais fortes do livro. A violência contra o animal ecoa na violência estrutural contra o trabalhador. É um terror sem sobrenatural: o terror real do capitalismo que moí corpos, vidas e afetos.

5/5
Profile Image for Rannyson.
Author 2 books10 followers
January 12, 2019
esse livro me passou uma sensação muito parecida com a que tive lendo "Escuridão total sem estrelas", de Stephen King, mas de uma maneira bem mais crua. a crueldade na primeira novela é mostrada de uma forma tão real que torna a experiência meio difícil em alguns momentos porque mostra um lado da natureza humana que considera aquilo tudo comum, e isso chega a ser agonizante. no entanto, é impossível querer largar a história antes de acabar porque a escrita da autora é incrível, instigante e muitas vezes metafórica, principalmente na segunda novela, pelo menos pra mim.

fiquei bem contente por ter esbarrando tão aleatoriamente nesse livro, mas com certeza quero ler mais de Ana Paula Maia.
Displaying 1 - 30 of 67 reviews

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