JÁ SENTIU QUE CHEGOU A UMA CERTA IDADE E AINDA ESTÁ MUITO LONGE DE REALIZAR SEUS PLANOS? Pois Alberto Franco chegou à casa dos trinta anos sem ter conquistado nada. Do sonho de se tornar um grande diretor de cinema restou uma rotina regada a trabalhos maçantes como roteirista de filmes corporativos que mal rendem o suficiente para pagar as contas. Enquanto isso, assiste ao amigo dos tempos da faculdade dar os primeiros passos para a fama ao emplacar a primeira série na televisão.
Mas a sorte de Franco parece mudar depois que ele conhece Maria Luiza, uma jovem ativista por quem se apaixona e o leva de forma involuntária para o epicentro dos protestos contra o reajuste da passagem de ônibus que tomam conta do país em junho de 2013. É claro que ele tinha que estragar tudo, e ele conta como fez isso a uma plateia selecionada e ao leitor logo na primeira página deste romance em que Franco também revela a sua misteriosa Teoria das Trilogias.
Poxa, o título me enganou, achei que embarcaria em uma trama divertida, empolgante, mas desde as primeiras linhas só fui sentindo ranço do Franco. A princípio eu queria entrar na história e dar uns tapas nele e na melhor amiga da Malu por terem feito aquela cachorrada, mas só lá pro final que entendi o motivo disso, mas poxa, começou a história pelo final mais filha da mãe possível para só depois a gente "entender" porque aquilo aconteceu.
Achei o Franco uma pessoa extremamente chata, pqp, trinta anos e nada mesmo, que cara sem conteúdo, só pensa nele mesmo, parece um adolescente tentando aparecer e se provar, aquele adolescente que se acha o bonzão e todo mundo sabe que de bom não tem nada. Ele mesmo depois admite que precisa fazer uma coisa que não queria: crescer. Na casa dos 30 e ainda agindo como criança/adolescente é complicado.
Para mim foi uma leitura difícil exatamente porque o protagonista conseguiu me fazer sentir raiva dele a todo momento, mas eu queria saber o motivo de ter feito o que fez, só por isso continuei a leitura. Gostei do pano de fundo os protestos do "não é pelos 20 centavos", porque foi um fato histórico que vivenciei, e é legal identificar algo assim em um trama. Só queria ter me identificado mais com o Franco, como me identifiquei com a Malu, ela sim merecia ter a versão dela contada, porque a dele foi difícil de encarar.
Vi que o autor tem outros livros com o Franco, vou tentar lê-los, vai que nós outros ele não está tão chato como foi aqui.