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Salazar e o Poder: A Arte de Saber Durar

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A arte de saber durar é talvez a questão maior da história do Estado Novo. Partindo da relação cultural e ideológica de Oliveira Salazar com a política e passando pela tomada do poder, Fernando Rosas procura identificar os verdadeiros mecanismos que sustentaram o regime: o apoio da oligarquia e a composição dos interesses dominantes, o corporativismo, o papel das Forças Armadas e da Igreja católica, a violência preventiva e repressiva, a apetência totalitária e o «homem novo» salazarista.

«Provavelmente, a melhor síntese sobre o Estado Novo em Portugal escrita até agora.» - José Pacheco Pereira

368 pages, Paperback

First published November 1, 2012

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About the author

Fernando Rosas

106 books40 followers
FERNANDO ROSAS nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1946. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1969), mestre em História dos séculos XIX e XX (1986) e doutorado em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990).

Foi, entre 1996 e 2016, professor catedrático de História Contemporânea. Em 2019 tornou-se o primeiro professor emérito da NOVA/FCSH, distinção pelo seu percurso académico ímpar. Na mesma faculdade, foi Presidente do Instituto de História Contemporânea (1995-2012). Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História.

Desenvolveu a sua investigação sobretudo em torno da História Contemporânea e da História de Portugal no século XX, com especial incidência no período do Estado Novo. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (história portuguesa e europeia do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934 (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica: estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII - O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.), (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores (coautor), (2013); O Adeus ao Império - 40 anos de descolonização portuguesa (org. et al.), (2015), História a História: África (2018), Salazar e os fascismos (2019), Ensaios de Abril (2023) e Direitas Velhas, Direitas Novas (2024).

Autor dos programas de televisão, História a História e História a História - África, produções Garden Films para a RTP.

Foi deputado à Assembleia da República (1999/2002; 2005/2011) e candidato à Presidência da República, em 2001, pelo Bloco de Esquerda, tendo obtido 3% dos votos. Em 2006 foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem da Liberdade e foi galardoado com a Medalha de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2017) e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (2018).

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for misael.
398 reviews33 followers
March 10, 2022
Neste ensaio historiográfico sobre o salazarismo e as razões da sua durabilidade, Fernando Rosas leva-nos pelos meandros teóricos e práticos de mais de 35 anos do consulado autocrático e repressivo de Oliveira Salazar à frente do governo português.

Rosas resume em quatro os pontos essenciais explicativos da duração do regime fascista português: a preservação do apoio militar, através da sujeição e disciplina imposta às Forças Armadas; o uso criterioso da violência preventiva (a que estão associados todos os órgãos de disciplina social e inculcação ideológica do regime) e da violência punitiva (com todos os seus abusos e arbitrariedades repressivas); a aliança concordarária com a hierarquia da Igreja Católica, responsável por um contributo precioso ao fascismo na moralidade social e no controlo espiritual; e, por último, a tentativa, feliz na maior parte do tempo, de unir as várias direitas da direita, subordinado os nacional-sindicalistas, integrando os monárquicos e integralistas e acolhendo os republicanos conservadores, todos eles sob uma orientação comum católica, conservadora, ruralista e autoritária – uma espécie de regime acima dos políticos e da política, antiparlamentar por natureza, que se assumia como a terceira via perante a crise do demoliberalismo e a ameaça do comunismo, sistema nacional que finalmente vinha fazer reencontrar a Nação com o seu papel histórico e orgânico, encerrando um século de liberalismo (monárquico e republicano) que havia feito o percurso inverso.

Destaco o capítulo dedicado a António Ferro e ao seu trabalho, caro a Salazar, na direção do Secretariado de Propaganda Nacional, e ainda a atenção dada pelo autor à “moderação” e abertura contrafeita à urbanização e industrialização (com a proletarização consequente) do regime português no fim da Segunda Guerra Mundial, entendida como uma vitória das democracias, e evidente na alteração do nome de vários organismos, no saneamento de direções abertamente fascistas e no recuar do discurso germanófilo e fascizante da segunda metade dos anos 30 e mantido até 1942.
858 reviews
November 1, 2019
Reli em 2018, apesar de já o ter lido em 2013. Salazar soube durar graças à sua habilidade em reunir velhos inimigos e ao sucesso da repressão e do medo.
Uma obra de referência à qual devo voltar sempre que necessário.
Profile Image for Valdemar Gomes.
334 reviews37 followers
March 20, 2023
Excelente na desmitificação, mas com tendência a espreguiçar-se no decorrer do livro com o afunilamento de referências e fontes bibliográficas para o que se prova defender.
Profile Image for CARLOS NEVES.
121 reviews1 follower
August 23, 2018
Muito bem documentado, Fernando Rosas pormenoriza neste estudo, o que foi o Salazarismo, a ditadura e a violência do Estado Novo. Para memória futura.
Profile Image for António Ganhão.
Author 2 books28 followers
Read
November 7, 2013
Fernando Rosas deixa-nos uma visão lúcida e desprendida de atavismos morais. Bem documentado, este livro, espelha o trabalho de quem dedicou uma vida académica a este período da história de Portugal e sempre procurou saber como Salazar sobrevivera durante tanto tempo. Não o teria conseguido por recurso a um exercício excessivamente autoritário ou repressivo, mas por uma sábia conduta de quem conhece a verdadeira natureza dos portugueses e, tirando partido disso, se lhes impôs como líder desejado e providencial. Uma obra indispensável ao conhecimento deste período da história de Portugal que, nos dias de hoje, muitos gostariam de ver repetida.

Ler mais em Acrítico - leituras dispersas

Profile Image for Nuno Mendonça.
56 reviews2 followers
January 29, 2026
Salazar e o Poder – A Arte de Saber Durar desmonta eficazmente vários mitos persistentes sobre o Estado Novo e o seu fundador. Fernando Rosas mostra que, ao contrário da imagem repetida do “técnico das finanças que caiu do céu”, Salazar foi um ator político ativo muito antes de chegar ao poder: escrevia no periódico católico-patriarcal Novidades, movia-se nos bastidores após a queda da Primeira República e consolidava redes nos meandros de Coimbra.

É também particularmente interessante a leitura comparada implícita com os outros fascismos europeus. Salazar não gostava de multidões nem de movimentos de massas — ao contrário de Mussolini — e essa aversão ao espetáculo político é apresentada como uma das razões centrais da longevidade do regime. O poder exercia-se no silêncio, na contenção e na administração do medo, não na mobilização popular permanente.

O livro desmonta ainda a ideia de um período inicial pacífico. Entre 1927 e 1931, o país viveu uma verdadeira guerra civil de baixa intensidade entre reviralhistas e fascistas. A repressão não foi episódica: entre 1936 e 1969, passaram pelas prisões políticas cerca de 8.200 pessoas. Em 1944, havia 226 presos políticos no Tarrafal, dos quais 172 sem julgamento, com penas arbitrariamente prolongáveis. Para quem insiste na imagem de um regime “brando”, convém lembrar que Portugal colocou a bandeira a meia-haste aquando da morte de Hitler.

No fundo, Salazar ascende e dura porque consegue corporativizar todas as direitas, neutralizando conflitos internos e protegendo os grandes interesses económicos após a crise dos anos 30.

O “saber durar” do regime pode ser resumido em cinco pilares centrais:

1 - A gestão calculada da violência, preventiva e repressiva, usada no momento certo e sem excessos espetaculares.
2 - O controlo político das Forças Armadas, consolidado em 1937-38.
3 - A cumplicidade ideológica com a Igreja Católica, que colabora e legitima o regime.
4 - O corporativismo, enquanto sistema que salva as elites económicas e disciplina o conflito social.
5 - O investimento totalitário no “homem novo” salazarista: rural, pobre, obediente — mas alegadamente feliz.

Por vezes denso, mas intelectualmente rigoroso, este é um livro essencial para compreender que o Estado Novo não durou apesar da repressão, mas graças a ela, integrada numa arquitetura política fria e eficaz.
Profile Image for Francisco.
561 reviews18 followers
April 4, 2021
A book on the fascist Portuguese dictator Salazar from a leftist perspective, Fernando Rosas being one of the founders of the Left Bloc party in Portugal, it mixes a pretty straightforward historical retelling of the events that led to Salazar's rise to power, with a number of considerations on the character of his regime which might help explain how it was so long lasting.

The Portuguese dictatorship lasted from 1926 to 1974 and Salazar was at the wheel for most of that time, the book shows how he expertly navigated the political scene with back-stabbings and wile aplenty, while using propaganda to successfully project an image of catholic asceticism which helped him keep the country, the military, the church and politics under his control.

This was written in 2012, a time when the nature of the régime was less of a hot topic subject. Today, with the resurgence of the far-right there are a subset of historians on the right and neoliberal side who question the fascist nature of the régime. This is a good book to counter those claims, expertly researched and with a lot of primary sources, Rosas draws the links between Salazar's régime and the other fascisms of Europe (those of Franco, Mussolini, Hitler) while highlighting the contextual and national peculiarities of the Portuguese version of fascism, and how that "fascism with Portuguese characteristics'' was particularly successful at holding on to power, even beyond the second world war, where it re-branded itself as conservative authoritarian system by giving in to some elections for show. An essential read. 
Profile Image for David Cavaco.
573 reviews6 followers
December 30, 2023
This book had all the makings of a classic history book revealing to readers how the Portuguese dictatorship of Antonio Salazar's 'Estado Novo' (New State) lasted from 1928-1974. Surviving challenges from powerful military forces, the Great Depression, WWII, the Cold War, the turbulent 60's, and colonial wars; Western Europe's oldest fascist regime lasted long after it's best-before date. As a fervent reader of Portuguese history, the author focused on inane internal minutae appealing to isolated academics and not the lay reader; some of the obscure words used throughout reeked of snobbery that will have readers consulting with online translation apps or a dictionary. A major letdown.
Profile Image for João Pinto.
12 reviews
April 23, 2021
Livro essencial para se compreender não apenas a durabilidade do estado novo enquanto regime mas sobretudo a longevidade de alguns dos seus princípios nos discursos de alguns nos dias de hoje. Embora este último tema não seja abordado no livro, para mim foi impossível lê-lo sem fazer estes paralelismos. Tudo isto é muito importante para conseguirmos identificar a montante a natureza de determinados discursos. Dos melhores e mais acessíveis livros que li sobre este regime.
124 reviews
October 27, 2019
This is a interesting and well-written book, however at times the sentences are so long one loses oneself in the argument. Not an easy book to read but with plenty of interesting arguments regarding how Salazar managed to keep the dictatorship alive for so many years.
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