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Diário

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“Para ser professor, também é preciso ter as mãos purificadas. A toda a hora temos de tocar em flores. A toda hora a Poesia nos visita.
O aluno acredita em nós e não deve acreditar em vão. Impõe-se-nos que mereçamos, com a nossa, a pureza dos nossos alunos; que a nossa alimente a deles, a mantenha.
Sejamos a lição em pessoa — que é isso mais importante e mais eficaz que sermos o papel onde a lição está escrita; e possamos dizer, sem constrangimento: ‘Deixai-as vir a mim, as criancinhas…’”

Unknown Binding

First published January 1, 1949

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About the author

Sebastião da Gama

12 books10 followers
Sebastião Artur Cardoso da Gama foi um poeta e professor português. Em 1947 licenciou-se em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Foi professor em Lisboa, na Escola Industrial e Comercial Veiga Beirão em Setúbal, na Escola Industrial e Comercial (actual Escola Secundária Sebastião da Gama) e na Escola Industrial e Comercial em Estremoz.
Colaborou nas revistas Árvore e Távola Redonda.
A sua obra está intimamente ligada à Serra da Arrábida, onde vivia por motivos de saúde. A Serra foi também o seu principal motivo poético (desde logo no seu livro de estreia - Serra-Mãe (1945)). Uma carta sua, enviada em Agosto de 1947 para várias personalidades, a pedir a defesa da Serra da Arrábida, motivou a criação da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), em 1948. Trata-se da primeira associação ecologista portuguesa.
O seu Diário, publicado postumamente em 1958, é um testemunho da sua experiência como docente e uma valiosa reflexão sobre o ensino.
Em sua homenagem, as Juntas de Freguesia de São Lourenço e de São Simão instituíram o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama. No dia 1 de Junho de 1999, foi inaugurado em Vila Nogueira de Azeitão, o Museu Sebastião da Gama, destinado a preservar a memória e a obra do Poeta da Arrábida.
Em 1952 faleceu de tuberculose renal, de que sofria desde adolescente.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Filipa Machado.
237 reviews9 followers
August 22, 2019
Uma surpresa o gosto que este livro me deu com a sua leitura. Um diário do ano de estagio do Professor Sebastião da Gama no final dos anos 40 e inicio dos anos 50 do século XX em pleno Estado Novo. A metodologia retratada não será representativa da comunidade docente da época. Recomendado a professores que gostam da sua profissão.
Profile Image for Margarida Magalhães.
91 reviews1 follower
February 6, 2022
Adorei…

Fez-me sentir tão pequenina… Eu que também sou professora, que também desejo que os meus alunos me ouçam e acompanhem, admito que não tenho metade da paciência e paixão de Sebastião da Gama tinha pela arte de ensinar:

“Primeira lei: acreditar no aluno. Se o campo é bom e se a semente é bem lançada, até uma inicial vontade de enganar a contraria, agindo no espírito do aluno a nossa boa-fé.”

“Ora tudo isto vem a propósito de aulas más. Aulas más são as que os rapazes não querem ouvir. Mas então – poderia eu defender-me – que culpa temos nós de os rapazes serem barulhentos, desinquietos e desatentos? É verdade que às vezes a culpa não é nossa: é toda deles, a quem mais apetecia estar na rua que na escola. Mas para isso justamente é que serve o bom professor – e o meu drama resulta de que a mim só me interessa ser bom professor. Ser bom professor consiste em adivinhar a maneira de levar todos os alunos a estarem interessados; a não se lembrarem de que lá fora é melhor.”

“Cada vez me apetece menos classificar os rapazes, dar-lhes notas, pelo que eles «sabem», Eu não quero (ou dispenso) que eles metam coisas na cabeça; não é para isso que eu dou aulas. O saber – diz o povo – não ocupa lugar; pois muito bem; que eles saibam, mas que o saber não ocupe lugar, porque o que vale, o que importa (e para isso pode o saber contribuir, só contribuir) é que eles se desenvolvam, que eles cresçam, que eles saibam «resolver», que eles possam perceber.”

Mas até mesmo Sebastião tinha as excepções… ficou mais humano aos meus olhos:

“Mas há casos em que as teorias têm de ser postas de parte. Com o Artur, é o acontece. Já experimentei tudo: zangar-me, mostrar que não passa de um palhaço, pedir-lhe em nome da minha saúde, de modo a comovê-lo, que tenha juízo. Tudo inútil.”

E não posso deixar de referir uma grande vantagem… o sonho de muitos professores:

“Graças a Deus e a outras pessoas inteligentes, não há agora, como houve até há meses, um programa rígido de Português que temos, quer queiramos, quer não, de impor aos nossos rapazes”

Atrevo-me a identificar algumas das minhas características:

“Eu nem sei como aprendi a gostar de ler. Talvez por uma predisposição interior, uma fatalidade.”

“Ora aqui têm uma coisa com que o aluno se não irrita: que o chamem de número. É a tal hereditariedade a que me referi. Em Setúbal, onde tive no ano passado coisa de duzentos alunos, eu sabia a certa altura o nome de todos eles;”

E por fim, duas frases… a grande bondade de Sebastião:

“O que eu quero é que sejam felizes”

“Bendito seja Deus, por eu ser professor!”


https://os-livros-que-li.blogspot.com...
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1 review
March 8, 2023
Recommended for those who want to teach or are interested in the Portuguese language. Sebastião turns every little thing into an inspiration. His genuine interest and care for his students is moving. But being a journal, it becomes repetitive.
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