Todos conhecemos os pontos nevrálgicos da História de Portugal, um dos mais antigos estados-nação do mundo, casa paterna de um dos idiomas mais falados no planeta e paciente assaltado por recorrentes crises de auto- estima. Mas saberemos das zonas cinzentas? Das pequenas histórias? Dos episódios passados na sombra dos acontecimentos ditos históricos? Ao longo de 15 histórias que encerram muitas outras dentro si, contamos a pequena História de Portugal, a versão menos conhecida dos factos, tal como foi vivida pelos reis portugueses, não esquecendo alguns daqueles que, tendo nascido em Portugal, reinaram longe do solo pátrio, ou outros que, não sendo formalmente reconhecidos como tal, foram para o povo, em determinadas circunstâncias e lugares, verdadeiramente reis. Da ante-câmara espiritual e cultural do reino fundado por Afonso Henriques aos ecos que ainda ressoam nos nossos dias. Da intimidade torturada de soberanos confrontados com o destino às grandes vitórias nacionais. Este é um lado B possível da nossa História. E a História não é o que aconteceu. É a razão de estarmos aqui e agora, da forma como aqui e agora estamos.
Reli os capítulos mais interessantes deste livro em 2022 (depois de o ter lido na íntegra, pela primeira vez, em 2019). Mantenho as 4 estrelas por causa da forma bem conseguida com que o autor decidiu escrever, tornando a leitura empolgante. No entanto, uma leitura simultânea levou-me a detectar muitas incorrecções nesta segunda leitura, especificamente no capítulo dedicado a D.João V.
Ao contrário do que o autor afirma, o Palácio de Palhavã (que só no século XIX tomou o nome de Palácio Azambuja, apesar de o nome, diga-se de passagem, não ter pegado tanto como Palhavã), não foi mandado construir por D.João V, mas sim pelo segundo conde de Sarzedas, em 1660. O dito palácio foi arrendado a partir de 1752, após a morte de D.João V, para ali viverem os três filhos bastardos que ele legitimou, todos de mães diferentes, e que a rainha Maria Ana de Áustria queria a todo o custo manter afastados da corte. Por essa altura, o mais velho tinha já 37 anos e o mais novo 31! Apesar de já serem homens feitos, ficaram de facto conhecidos como "os meninos de Palhavã". É verdade que tinham sido criados juntos, mas não em Lisboa, antes em Coimbra. D. Gaspar, o "menino" do meio, não era filho de «Dona Maria Rita, conhecida como Flor da Murta e monja no Convento de Santos, em Lisboa», como aparece escrito no texto. O autor fez aqui uma grande confusão... Quem era conhecida como Flor da Murta era uma outra amante de D.João V, Dona Luísa Clara de Portugal. Da relação de ambos nasceu uma filha, Maria Rita Gertrudes de Portugal, que foi monja no Convento de Santos-o-Novo. D.Gaspar era, na realidade, filho de uma freira do convento de Odivelas chamada Madalena Máxima da Silva de Miranda Henriques.
Em todo o caso, gosto sempre de ler sobre figuras controversas (neste livro, acho que se destacam Leonor Telles e Carlota Joaquina), sobre traições, sobre, enfim, aquilo de que a História é feita!
Gosto de História. Os livros históricos que já li são, predominantemente, romances e sobre História que não a do meu país, que estou longe de poder dizer que conheço bem. Por isso, qualquer livro que ache que me possa ensinar mais sobre a História deste nosso país à beira-mar plantado é sempre uma leitura bem-vinda.
Histórias Secretas de Reis Portugueses não é um livro pretensioso, e o seu autor faz questão de enaltecer este facto logo no prefácio. O principal objetivo seria recordar alguns dos episódios menos conhecidos da monarquia portuguesa, que se entretecem com a história da nossa identidade, de uma forma acessível e percetível ao leitor menos familiarizado com estas temáticas.
As 15 histórias que o livro contém estão ordenadas cronologicamente e passam pelas quatro dinastias que Portugal conheceu desde o seu primeiro rei, D. Afonso Henriques, até à extinção da monarquia, em 1910. Não lhes chamaria tanto “histórias secretas”, antes curiosidades. Na verdade, boa parte do livro ocupa-se a caracterizar, em linhas gerais, várias figuras da monarquia portuguesa, na maioria das vezes não as principais, mas aquelas que geralmente ficam mais esquecidas. Para além disto, o autor inclui também várias lendas populares associadas às figuras de que fala, como D. Afonso Henriques ter batido na mãe ou a Rainha Santa Isabel ter transformado dinheiro em rosas.
Gostei de descobrir coisas sobre a nossa História – e figuras históricas – que desconhecia, com particular relevo para a figura de Henrique Paiva Couceiro (acho que só conhecia este nome de ruas) e para as dúvidas quanto à identidade da figura representada na estátua na Praça D. Pedro IV. É um livro interessante para os menos conhecedores da história da monarquia do nosso país, que se lê quase como um romance e de que desfrutei por não esperar muito mais que isto.
Neste pequeno livrinho, que eu li numa noite, encontramos episódios mais desconhecidos de dez dos nossos monarcas. Num tom simples e até divertido, ficamos a conhecer um pouco mais da História do nosso país e de um pouco mais da vida íntima e familiar de alguns dos nossos Reis. Estas dez histórias estão ordenadas cronologicamente começando no D. Afonso Henriques e terminando com D. Pedro V.
Uma excelente forma de ficarmos a saber um pouco sobre a História de Portugal e os nossos Reis, com um livro de leitura rápida e bastante acessível.
Alexandre Borges é um guionista de qualidade inegável que trabalhou, inclusive, numa das minhas séries documentais favoritas, "Grandes Livros". Dado também o seu farto conhecimento histórico, não me impressionou a qualidade de relato desta obra. O livro é uma autêntica viagem pela história de Portugal, resumindo mais de 800 anos de monarquia, com detalhes de bastidores muito interessantes e até anedóticos. A leitura é facílima e a narrativa digna de ser um "Alma e a Gente", de José Hermano Saraiva, torna tudo muito mais lúdico e entusiasmante. Para quem adora história, como é o meu caso, é uma obra divertidíssima, viciante e interessante.
No entanto, existem pequenos erros ortográficos e de continuidade que não percebi se eram propositais ou um erro de edição. Para além disto, senti algum tédio em certas passagens. Toda a história de Filipe de Brito é completamente escusada e, na minha opinião, extensa demais. O mesmo se pode dizer da descrição do imperador Maximiliano, ainda que compreenda a inclusão. Outra questão é a forma com que alguns relatos são redigidos, quase como uma montanha russa emocional, que não me empolgou.
Ainda assim, o livro tem grandes destaques: a história de D. Pedro V e D. Estefânia emocionou-me, a de D. Afonso Henriques encheu-me de orgulho em ser português, a do Cardeal D. Henrique deu-me certa pena, a de Paiva Couceiro fascinou-me, entre todas as outras.
No geral, é uma obra fantástica e recomendo-a a todos que possam gostar da História e das suas entrelinhas. Deixo ainda a minha pequena homenagem a José Hermano Saraiva, já citado, homem que me fez amar a História. Que descanse em paz 🤍
Sou um amante de história. E o facto de este livro se focar na história do meu país, é decididamente um bónus. A organização cronológica das personagens é interessante e importante. No entanto, de tempos a tempos, entre a prosa e a vontade de demonstrar as interligações por vezes foi um pouco confuso (que eu compreendo a dificuldade quando as ligações são múltiplas e complexas). Por vezes muito bem escrito, outras perdido em floreados um pouco excessivos na forma prosaico-poética a tentar invocar rococos de outros tempos, mas genericamente agradável. Algumas histórias conhecia bem e pude aprofundar, no entanto julgo que na maioria foram fortes novidades e explicações mesmo para quem é adicionado da história. De qualquer modo, recomendo a quem goste de ler (maior amante do tema ou não).
Um livro engraçado e muito fácil de ler, uma vez que está em ordem cronológica e que conta alguns factos da vida dos nossos reis, uns pouco conhecidos, outros nem tanto. É uma leitura agradável!
Achei o livro muito bom, com curiosidades surpreendentes. Achei fascinante de como nasceu o nosso grito de guerra, fiquei surpreendida, que, afinal o nosso Santo Padroeiro seja São Jorge e adorei a outra historia não contada sobre o nosso famoso apaixonado D. Pedro I (da famosa história de amor de D. Pedro e D. Inês de Castro).