Neste romance conhecemos os momentos de desbravamento e introspecção que acompanham o amadurecimento de Lina. Enquanto mora com seus pais na Inglaterra, ela nos apresenta a seu dia a dia, suas comidas preferidas, seus brinquedos, mas também à mancha na testa da mãe — que a deixa triste —, aos vizinhos e também a seu medo da vaca louca. De volta ao Brasil com a família, Lina vivencia momentos marcantes da história, sempre com o olhar curioso de quem ainda está tentando entender o mundo. Ao longo dos capítulos, caminhamos com Lina até a adolescência, os primeiros interesses românticos, as provas na escola, e aquele sentimento de deslocamento e confusão que acompanha esse período formativo.
Carol Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro, em 1985, e vive em São Paulo. Com seu livro de estreia, SEM VISTA PARA O MAR (Selo Edith, 2014), ganhou os prêmios Jabuti e Clarice Lispector da Biblioteca Nacional. Seu segundo livro, o romance O MELINDRE NOS DENTES DA BESTA (7Letras, 2019), foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e do Jabuti. É mestra em Estudos de Performance pela Universidade de Amsterdam e trabalha como roteirista, curadora e professora.
Nunca sei quando sou eu que invento ou quando é alguém que inventa e me coloca dentro da história ou se tudo isso acontece mesmo. Aí eu morro de vergonha e não pergunto.
Vou recomendar esse livro pra todos que me perguntarem o que eu quero dizer quando eu falo que meninas passando pela puberdade tem pensamentos que nem filósofos de meia idade teriam
Quando comecei a ler "A Mulher do Padre" confesso que achei chato. A escrita e os acontecimentos não faziam muito sentido pra mim, era tudo meio confuso. Mas bastou algumas páginas para que eu me sentisse imersa no fluxo de pensamentos da protagonista.
O livro acompanha Lina enquanto ela cresce nos anos 90, passando pela infância e pela adolescência. Tudo é contado pelo ponto de vista dela, então a escrita vai mudando conforme ela vai crescendo. E isso é uma das coisas mais legais da história: a forma como a autora conseguiu capturar aquele jeito meio caótico de pensar que temos quando somos mais novos.
A leitura mexe com a gente porque revisita aquelas coisas desconfortáveis que todo mundo viveu em alguma medida enquanto crescia. Apesar de cenas que nos deixam quentinhas, com aquele calor da infância, a escritora mostra o quanto essa fase pode ser esquisita.
O livro tem momentos que dão um soco no estômago. Crianças podem ser maldosas (seja pela inocência ou pela crueldade), e a Lina mostra isso de um jeito muito real. Ela briga com as palavras, com a realidade, com tudo que não faz sentido pra ela.
É uma obra que te lembra de uma forma bem crua e nua como é crescer – com todas as dores e alegrias que vêm junto.Toca no baque da nossa própria dificuldade de crescer, de sentir e, muitas vezes, não saber como falar sobre isso.
Na crítica que li na Le Monde Diplomatique Brasil, encontrei um trecho que descreve muito cirurgicamente tudo isso:
"Carol Rodrigues nos quebra o encanto de que a infância é um local mágico a ser revivido. Por mais divertido que possa ser às vezes, também é um espaço de muito sofrimento por sentirmos aquilo que não sabemos expressar, por expressarmos mal o que estamos sentindo. A linguagem é a grande mulher do padre, ela sempre chega por último. Porém, durante o meio tempo vamos brincando com ela, tal qual uma brincadeira de pirata pela metade: sem tubarões, sem corda, mas com muitos risos que incomodam qualquer vizinho".
gostei muito da forma da escrita porque é como se a gente realmente tivesse andando na linha de pensamento da Lina e não tem pontuação nenhuma parecendo o Saramago e aí de uma hora pra outra o assunto muda e os sentimentos também
“adulto é igual criança mas quando é com criança chama brincadeira e quando é com adulto não chama brincadeira aí é igual só que chato.”
“Então quem chegar por último é a mulher do padre.”
“Fiquei apaixonada. Me encantei com a paixão. São coisas do coração. Tem que sentir, a professora de literatura fala, eu sinto muito, professora.“
“É meio horrível alguém sumir. Uma coisa acabar. Ficar sem saber.”
Tive muitos pensamentos enquanto lia este livro mas o predominante foi que era uma coisa que nunca antes tinha lido. A construção das personagens, o desenvolvimento, a narrativa usada pela escritora, tudo combina em um livro muito interessante e desde um ponto de vista que não teria considerado jamás. Recomendo para uma tarde de leitura com chá e bolo, você irá lembrar muito de historias que as tias contam ou que alguma vez circularam na família.
a ideia do livro é acompanhar o fluxo de pensamento de uma garota e a autora manda bem demais em fazer a escrita evoluir conforme a idade dela. não há referências à idade da personagem mas você consegue ver claramente a passagem de tempo a partir da escrita!! pode ser cansativo justamente por conta disso, mas quando você pega a ideia, percebe que é genial!!!
A cabeça de uma adolescente é aquela coisa: só quem viveu sabe. Genial esse livro. Adorei acompanhar os pensamentos e acontecimentos da vida da Lina. Por vezes dolorosos, mas muito sensíveis e realistas.
escrevi deus com d minusculo e uma bruxa ma me transformou na mulher do padre mas nao literalmente a mulher do padre porque padre nao pode ter mulher porque ele é celibatario mas aí eu viro o livro da carol rodrigues mas como que gente vira livro? sei la a bruxa tem seus feitiços
O narrador em primeira pessoa da primeira parte possui uma eloquência interior que se contrapõe a mudez do mundo ao seu redor, da ilha silenciosa em que desembarca. Dodô é um náufrago, um homem de corpo cansado que aporta nessa ilha silenciosa tendo cometido um crime que não sabemos ainda qual foi. Nesse lugar em que ele é exilado encontra-se um museu e também um conjunto de mitos e alegorias, como a história das gêmeas. Essa ilha acaba representando mais do que um espaço geográfico delimitado, torna-se a própria constituição de um espaço literário e mítico, um lugar que aponta para a existência de outras obras e outras imagens de ficção tendo a ilha como mote: Odisseia, Robinson Crusóe, A invenção de Morel, O estrangeiro... seria inútil tentar mapear todas as conexões literárias que a obra estabelece.
A segunda parte altera o registro narrativo, colocando em perspectiva um relato de ar mítico, a história de origem daquele mundo que vimos na primeira parte, erigido a partir de uma violência fundadora.
Narrativa desconexa, pontuação ao bel prazer da autora, um sem pé nem cabeça nas ideias: sim, a insuportabilidade mora ao lado. Mas o incrível é que no fim a mensagem se materializa e a narrativa deixa um sabor de quero mais.