***** Apaguei o cigarro na boca de uma flor. O meu rádio, comovido, largou um soluço e perdeu o que restava da pilha. Fiquei sem o barulhinho que dava alívio na solidão. Depois foi um grande nada e um mau bocado. Então foi aumentado essa sílaba presa pelas cigarras, coçando a perna da tarde. Juntei-a à velha piada de um desses pássaros anónimos, já sem graça. O meu coração, no meio daquilo, também batia intrigado. Aí, eu juro que me veio a lembrança dos dias iniciais, quando Deus gritou o seu nome e cada animal decorou um pedaço. *****