"Vencedor do Prêmio jabuti em 1978, O CORAÇÃO DISPARADO consagrou a autora como a voz mais feminina da poesia brasileira. Nele, Adélia aprofunda um dos temas que se tornariam marca de sua a religiosidade. “A experiência religiosa é uma experiência poética. A poesia aponta para o mesmo lugar para onde a fé nos leva. São experiências de natureza comum. Tanto é verdade que a linguagem é a mesma. Os textos míticos são paradoxos, falam por metáforas, porque falam do indizível. A poesia é a mesma coisa”, explica Adélia. " ISBN-10 : 8501075078Capa comum : 160 páginasISBN-13 : 978-8501075079Dimensões : 20.4 x 13.6 x 1.2 cmEditora : Record; 4ª edição (31 julho 2006): Português
Adélia Luzia Prado Freitas, is a Brazilian writer and poet. Started writing at the age of 40 which is relatively late in life for a poet. Although much of her outlook is religious, deeply Catholic, her works are often about the body. Adélia Prado's poems were translated into English by Ellen Watson and published in a book entitled, The Alphabet in the Park. (Wesleyan University Press, 1990).
A mim que desde a infância venho vindo como se o meu destino fosse o exato destino de uma estrela apelam incríveis coisas: pintar as unhas, descobrir a nuca, piscar os olhos, beber. Tomo o nome de Deus num vão. Descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer. Vinte anos mais vinte é o que tenho, mulher ocidental que se fosse homem amaria chamar-se Eliud Jonathan. Neste exato momento do dia vinte de julho de mil novecentos e setenta e seis, o céu é bruma, está frio, estou feia, acabo de receber um beijo pelo correio. Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.
Quem acompanha o blog sabe que descobri há alguns anos a mineira Adélia Prado. Desde então já li Bagagem e uma coletânea de poesias da autora, que entrou na minha lista de poetas que vou comprando livros conforme encontro.
O coração disparado foi lançado nos anos 70 e foi vencedor do Prêmio Jabuti, o que me parece justo, pois é um livro muito inovador em termos poéticos, com a qualidade e o jeitinho de Adélia. A mineira tem uma forma de escrever poesia muito própria, com uma mistura um tanto quanto inusitada de dia a dia, um amor pelas coisas terrenas bem mineira e o catolicismo que era presente com tanta força no Brasil.
Apesar do prêmio, o livro não é o meu favorito dela até o momento, mas isso é uma questão muito mais minha do que de Adélia Prado, com certeza absoluta. Para quem gosta de poesia, ler a mineira é sempre uma boa opção.
Os detalhes destacados por Adélia, a narratividade dos seus poemas, os temas que relatam mulheres ainda em um paradigma machista (que é nosso também) fazem desse livro uma boa atividade poética para uma noitinha nublada de nuvens e de tristeza incessante.
Le doy dos estrellas a este primer libro que leo de Adélia Prado porque su poesía me ha resultado agotadora desde el contraste permanente entre el deseo sexual y todo lo relacionado con dios, la iglesia, la culpa, el dolor y demás fetiches pertenecientes a la religión (católica, en este caso). Si bien algún poema me gustó más que otro en muchas oportunidades (en muchas, recalco) me encontré dejando la lectura para hacer otra cosa o simplemente aburriéndome de lo que leía, o mejor dicho no sintiéndome realmente atrapado para continuar la lectura. Debo ser sincero, por eso mi calificación y mi devolución al finalizar el libro. No creo volver a leer algo de esta poeta brasileña, al menos no por ahora.
A mim que desde a infância venho vindo como se o meu destino fosse o exato destino de uma estrela apelam incríveis coisas: pintar as unhas, descobrir a nuca, piscar os olhos, beber. Tomo o nome de Deus num vão. Descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer. Vinte anos mais vinte é o que tenho, mulher ocidental que se fosse homem amaria chamar-se Eliud Jonathan. Neste exato momento do dia vinte de julho de mil novecentos e setenta e seis, o céu é bruma, está frio, estou feia, acabo de receber um beijo pelo correio. Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.
”De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. […] Me apaixono todo dia, escrevo cartas horríveis, cheias de espasmos, como se tivesse um piano e olheiras, como se me chamasse Ana da Cruz. Fora os olhos dos retratos, ninguém sabe o que é a morte. Sem os trevos no jardim, não sei se escreveria esta escritura, ninguém sabe o que é um dom. […] O que tem corpo é a alegria. Só ela fica pendida, de olhos turvos e boca. Peito e membros magoados.”
lindíssimo este livro. ele estava na minha estante, e quando o peguei pra ler, já fui logo pensando: puts! por que comprei um livro de poesias? eu já sei que não gosto muito de poesias, que prefiro as histórias... mas aí lembrei: vi uma entrevista da adélia na tv, e me apaixonei pelo jeito dela, pela mansidão que ela emana, pelo brilho nos olhos dessa mulher que tem idade pra ser minha avó. comecei a ler 'o coração disparado' e adorei. são poesias escritas quase em forma de prosa, histórias que desnudam a juventude e a alma da adélia. deu saudades de minas gerais, e deu vontade maior ainda de que a adélia fosse mesmo minha avó, ou pelo menos minha conhecida, pra passar horas conversando com esta pessoa tão simples cuja alma parece ser tão grande, tão linda, tão brilhante. este livro, tal qual a entrevista, me encantou. simplesmente encantou.
Sensualidade de um fim de tarde morno, depois da chuva. O sol deitando nas gotas que tocam tudo. Destaque para "Tempo", "Maçã no escuro" e "A poesia, a salvação e a vida II".
Meu primeiro contato com Adélia foi através do primeiro livro, Bagagem. Desde ali eu vejo uma poesia embebida pela epifania tendo como palco o cotidiano. Em O Coração disparado, nós temos o mesmo modo poético de poemas aproximando o sacro e o profano em uma existência complexa dentro do cotidiano, com um eu-lirico que tem corpo e habita os espaços do dia a dia maravilhada com Deus.
Apesar de ter poemas que levarei para a vida, em comparação com a experiência que tive com Babagem, o coração disparado fica um pouco para atrás mas não deixa de ser incrível e cheio de beleza.
Very weird to me! ... Prado's got a bizarre way of showing she likes religion. The more I read it, the less I felt like going to church. Did she see a cardiologist at the time it was written? Well... nevermind. The only few good things are now I know what marafona(a doll) or infensa(a grim lady who's an enemy) mean.
O eu lírico criado por Adélia Prado parece ser de uma mulher de mais de 40 anos e solteira. As poesias transmissem sensação de arrependimentos diante de coisas que não se fez e conflitos existenciais.
O Coração Disparado deixou-me cheia de vontade de ler mais poesia de Adélia Prado, a ver se trato disso com Tudo que Existe Louvará, antologia editada pela Assírio & Alvim.
TEMPO
A mim que desde a infância venho vindo como se o meu destino fosse o exato destino de uma estrela apelam incríveis coisas: pintar as unhas, descobrir a nuca, piscar os olhos, beber. Tomo o nome de Deus num vão. Descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer. Vinte anos mais vinte é o que tenho, mulher ocidental que se fosse homem amaria chamar-se Eliud Jonathan. Neste exato momento do dia vinte de julho de mil novecentos e setenta e seis, o céu é bruma, está frio, estou feia, acabo de receber um beijo pelo correio. Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.