Todos os poemas desta célebre poeta do cotidiano, das coisas corriqueiras da vida que, tocadas por sua mão, transfiguram-se numa lição única de amor. Inclui 'Bagagem', 'O coração disparado', 'Terra de Santa Cruz', 'O pelicano' e 'A faca no peito', entre outros.
Adélia Luzia Prado Freitas, is a Brazilian writer and poet. Started writing at the age of 40 which is relatively late in life for a poet. Although much of her outlook is religious, deeply Catholic, her works are often about the body. Adélia Prado's poems were translated into English by Ellen Watson and published in a book entitled, The Alphabet in the Park. (Wesleyan University Press, 1990).
"Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo", escreveu Carlos Drummond de Andrade sobre Adélia Prado. É preciso acrescentar alguma coisa? Talvez apenas a minha experiência pessoal como leitora desta sua "Poesia reunida". A escritora brasileira é uma mulher de corpo inteiro nos seus poemas, expondo a cada sílaba, as memórias de infância, o desconcerto perene da morte dos pais, o sexo, as marcas do envelhecimento e, no meio de tudo isto, a relação com Deus. Tocou-me a religiosidade de Adélia, constantemente em sobressalto e em busca da alegria e do sentido que, para ela, só Deus detém. Muito bonito.
Eu quero licenca de dormir, perdao para descansar horas a fio, sem ao menos sonhar a leve palha de um pequeno sonho. Quero o que antes da vida foi o profundo sono das especies, a graca de um estado. Semente. Muito mais que raizes.
Me gustó muchísimo el poemario. Entré a la lectura sin saber absolutamente nada de Adélia Prado y lo disfruté muchísimo. Erotismo y cristianismo van un poco entrecruzandose en los poemas, asimismo la cotidianidad y el hogar, pasado y presente luchan por permanecer en los poemas y muchísimo más! De la poesía reunida, poemario favorito: Bagaje (1976).
Y dejo por acá uno de los poemas de Oráculos de mayo (1999): "Mujer al caer la tarde" Oh Dios/ no me castigues si digo/ ¡mi vida fue tan linda!/ Somos humanos,/ nuestros verbos tienen tiempo,/ no son como el Tuyo,/ eterno.
Adélia tem o que grande parte dos escritores e outros seres mais modestos em nossa sociedade não têm: capacidade de ler o que existe para além do óbvio ou da forma, sabendo entender tudo o que pode haver entre o fio que corta no capim, as feridas que a vida, com o cotidiano, costura, e a procura de si mesma entre o profano e o divino. A poesia está em todas as coisas, cabendo ao poeta enxerga-la e traduzi-la aos que não têm essa conexão quase religiosa com a literatura. A poesia de Adélia é simples, é bonita, está no livro, mas também na conversa, na mesa do café nas tardes do interior, nas intrigas familiares, nas esferas interseccionais do particular, do privado, do coletivo e do universal. A poesia perdeu espaço na literatura por culpa da própria inaptidão de muitos poetas homens que se viram empoderados pela arrogância e ignorância poética de outros homens, para quem poesia, além de ser coisa de mulher ou “veados”, não é útil (visão cartesiana de quem pensa que apenas o que é concreto ou matemático seria digno do progresso). Adélia mostra o contrário, claro. É pena que ainda vivamos numa sociedade governada por homens que não enxergam isso, talvez por estarem preocupados demais com a Terra plana ou com a espionagem internacional em chips implantados através de vacinas. Eu prefiro viver num mundo de poesia, com Adélias e outros poetas, a ter que sobreviver num mundo imaginado por um bando de moleques sequelados por ficção obscurantista-não-cientifica. Viva Adélia Prado para sempre.
não queria que meu primeiro dnf (que eu tenho memória pelo menos) fosse poesia de uma senhorinha fofa & católica, mas infelizmente... se eu tivesse pego os livros separados isso não teria acontecido asjkaiksija o primeiro eu li, mas sem ânimo algum pra começar o segundo, simplesmente não é meu tipo de poesia.
Adélia me acompanhou ao longo do ano de 2025. Um ano “franciscano”, para mim. Refletido na pele.
Certamente, alguns dos poemas serão orações, roubadas, copiadas, para traduzirem aos céus meus próprios sentimentos, sentimentos da humanidade, que ela tão bem retratou.
Envelhecendo, quero encontrar na mulher 40+ todo esse jorro de vida, sensualidade e fome de existência, tão fortemente retratado por Adélia, nessa descrita dicotomia de espírito x carne.
Como ela mesmo disse: não quero a faca nem o queijo, quero a fome.
Nesse sentido, ela [Adélia Prado], lá em Divinópolis, está ao lado das mulheres de sua geração, redescobrindo a seu modo um espaço erótico e vital, que algumas poetisas jovens, ligadas ao que se convencionou chamar de “poesia marginal”, também andam fazendo: a redescoberta de uma linguagem que se afasta da maneira masculina de ver o mundo, um modo de escrever sem pedir de empréstimo os lugares comuns da ideologia social e literária. [do posfácio «Móbile para Adélia», de Augusto Massi]
As poesias de Adélia me marcaram de um jeito tão forte, que até hoje quando penso em poesia lembro dela. Seu estilo de escrita é atemporal, sensível e cheio de descrições sutis do dia a dia, do ambiente familiar e de sua religiosidade, todos ditos de forma tão bela que mesmo aquele que não se relacione com esses temas, acaba se apaixonando.
Uma autora que se apropria do mais rico na poesia: o declarar autentico, a denúncia daquilo que sentimos dentro, a crítica ao costume impensado. Fantástica.
Os poemas da autora seguem, em sua grande maioria, uma fórmula: a força dos versos residem menos neles do que no último deles, que não é mais do que o arremate. Esse tipo de estratégia formal em um poema possibilita a cultura do spoiler, evidencia um hábito de piadas: se é falado seu final, perde a graça. Mais ainda: revela que o autor teria partido de uma frase iluminada para compor todo o restante o qual serviria tão somente de vestibular. Uma música pop que se sustenta pelo refrão. Chamemos Fórmula Monoteísta essa que põe todas as fichas em um final redentor.