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Os Maias (Clássicos Guerra e Paz Livro 1)

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«A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete.
Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da Sr.ª D. Maria com uma sineta e com uma cruz no topo assimilar-se-ia a um colégio de Jesuítas. O nome de Ramalhete provinha decerto de um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do escudo de armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números de uma data.
Longos anos o Ramalhete permanecera desabitado, com teias de aranha pelas grades dos postigos térreos, e cobrindo-se de tons de ruína. Em 1858 monsenhor Buccarini, núncio de S. Santidade, visitara-o com ideia de instalar lá a Nunciatura, seduzido pela gravidade clerical do edifício e pela paz dormente do e o interior do casarão agradara-lhe também, com a sua disposição apalaçada, os tectos apainelados, as paredescobertas de frescos onde já desmaiavam as rosas das grinaldas e as faces dos cupidinhos.»

752 pages, Kindle Edition

First published January 1, 1888

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About the author

Eça de Queirós

361 books1,184 followers
José Maria Eça de Queirós was a novelist committed to social reform who introduced naturalism and realism to Portugal. He is often considered to be the greatest Portuguese novelist, certainly the leading 19th-century Portuguese novelist whose fame was international. The son of a prominent magistrate, Eça de Queiroz spent his early years with relatives and was sent to boarding school at the age of five. After receiving his degree in law in 1866 from the University of Coimbra, where he read widely French, he settled in Lisbon. There his father, who had since married Eça de Queiroz' mother, made up for past neglect by helping the young man make a start in the legal profession. Eça de Queiroz' real interest lay in literature, however, and soon his short stories - ironic, fantastic, macabre, and often gratuitously shocking - and essays on a wide variety of subjects began to appear in the "Gazeta de Portugal". By 1871 he had become closely associated with a group of rebellious Portuguese intellectuals committed to social and artistic reform and known as the Generation of '70. Eça de Queiroz gave one of a series of lectures sponsored by the group in which he denounced contemporary Portuguese literature as unoriginal and hypocritical. He served as consul, first in Havana (1872-74), then in England, UK - in Newcastle upon Tyne (1874-79) and in Bristol (1879-88). During this time he wrote the novels for which he is best remembered, attempting to bring about social reform in Portugal through literature by exposing what he held to be the evils and the absurdities of the traditional order. His first novel, "O crime do Padre Amaro" (1875; "The Sin of Father Amaro", 1962), describes the destructive effects of celibacy on a priest of weak character and the dangers of fanaticism in a provincial Portuguese town. A biting satire on the romantic ideal of passion and its tragic consequences appears in his next novel, "O Primo Basílio" (1878; "Cousin Bazilio", 1953). Caustic satire characterizes the novel that is generally considered Eça de Queiroz' masterpiece, "Os Maias (1888; "The Maias", 1965), a detailed depiction of upper middle-class and aristocratic Portuguese society. His last novels are sentimental, unlike his earlier work. "A Cidade e as Serras" (1901; "The City and the Mountains", 1955) extols the beauty of the Portuguese countryside and the joys of rural life. Eça de Queiroz was appointed consul in Paris in 1888, where he served until his death. Of his posthumously published works, "Contos" (1902) is a collection of short stories, and "Últimas Páginas" (1912) includes saints' legends. Translations of his works persisted into the second half of the 20th century.

Source: http://www.imdb.com/name/nm0211055/bio

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Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for crίѕтίŋα•●Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ●•.
900 reviews232 followers
May 8, 2016
"E resta saber por fim se o estilo não é uma disciplina do pensamento. Em verso, o avô sabe, é muitas vezes a necessidade de uma rima que produz a originalidade de uma imagem... E quantas vezes o esforço para completar bem a cadência de uma frase, não poderá trazer desenvolvimentos novos e inesperados de uma ideia... Viva a bela frase!"
Profile Image for Çalo.
2 reviews
January 21, 2014
This book was, at least for me, a huge sacrifice to read. Like, here in Portugal it is part of the reading syllabus to 11th grade, so, of course, "we have" to read it. While I love romances and so on - for instance, The Great Gatsby, which is on the american reading syllabus, is my favorite book -, reading Os Maias is an excruciating experience.
Because, although the story is actually good - it is surely interesting - the book would have certainly benefited from, idk, less 200 pages, maybe...? The constant and neverending descriptions bore and take away any interest - after all, this is a book, not a movie, one must rely a bit on its own imagination to feel the book charms, right?
So, it didn't stick with me, and to think I still have to analyse it in class is bothering me. I'm sorry, portuguese literature lovers and purists, but I actually disliked this one.
Profile Image for Ana Margarida.
30 reviews1 follower
January 13, 2019
Demasiadas descrições, história lenta, personagens (à época) estúpidas, tempo mal definido pelo autor e (muitas) informações e personagens desnecessarias. A história até tem interesse mas a forma como está escrita, apesar de tecnicamente falando, ser bem escrita, é massante e chata
Profile Image for Sandra Oliveira.
5 reviews1 follower
Read
March 18, 2022
Uma paixão eterna, que ainda hoje é estudada.
Não é ao acaso que eu tenho um filho com o nome Eduardo!
Profile Image for Liv.
77 reviews
September 21, 2025
Tenho muitas opiniões divididas acerca dessa obra... não posso tirar o crédito do poder da escrita e da criatividade do eça, mas foi uma leitura muito maçante e enrolada pra mim. pode ser que por ter sido uma leitura obrigatória em que eu não tive muito tempo para lê-lo, tenha se tornado chato, de forma inconscientemente. mas eu acho que mesmo assim, isso não é uma desculpa muito plausível. mesmo que fosse uma calhamaço ainda maior que eu tivesse que ler para a escola, se a história ou seu desenvolvimento me prendesse, isso só teria tornado mais desafiador e divertido ler Os Maias em pouco tempo. porém, foi uma leitura muito batida para mim. capítulos gigantescos - e quando eu digo gigantescos, eu tô realmente falando sério. minha edição tinha cerca de 581 páginas, com 18 capítulos!! eu não sou de ter preconceito com obras grandes, muito pelo contrário; quando bem desenvolvidas nos proporcionam uma experiência incrível. sinto que o eça tinha uma história forte a se contar (e eu ainda acho que seja interessante todo esse rolo que acontece na família Maia), mas no propósito de fazer uma crítica de costumes e uma análise irônica da sua sociedade, o autor se excedeu e perdeu um pouco o fio da meada. são muitos acontecimentos e personagens que são descritos sem fim; que perdem logo sua importância assim que a história flui. sinto que essa história poderia ter sido contada tranquilamente em metade das páginas atuais. infelizmente é por contas de obras que não são muito instigantes a primeira vista que muitos estudantes criam o preconceito e não apreciam a leitura :/ já li alguns outros autores portugueses e sinto que é tudo questão de estratégia, para abordar os que mais interessem os jovens (por exemplo o camilo castelo branco).
isso não significa que eu despreze a importância d'Os Maias ou de seu autor; só acho que ela pode não ter sido elaborada da melhor forma. quero dar uma segunda chance à escrita de Eça, quem sabe algum dia.
Profile Image for Ana.
Author 14 books218 followers
November 15, 2017
A minha leitura já um pouco "tardia" de "Os Maias" teve aspectos positivos e alguns negativos, mas posso dizer que de uma forma geral, foi uma boa leitura.

A escrita deste tão conhecido autor não desiludiu e "Os Maias" são sem dúvida mais uma prova da sua mestria e domínio da língua portuguesa. As suas descrições pormenorizadas são carregadas de floreados, num jogo bonito de palavras que contribui para a qualidade literária do texto. No entanto este aspecto faz com que a história se desenrole muito lentamente e que por vezes a leitura se torne um pouco entediante.

Na minha opinião, um volume seria mais que suficiente para contar esta história. As partes mais descritivas de um livro são essenciais para posicionar o leitor na história e envolvê-lo na trama, mas achei as descrições um pouco exageradas no que respeita aos aspectos e obejctos decorativos das salas e casas. Também existem muitas personagens "supérfluas" que não contribuem para o desenrolar da história central. Contudo nesse aspecto considero que contribuem em muito para o colorido social e para a caracterização de uma época, pelo que gostei muito do "tempo perdido" a explorá-las,

Quanto à história em si, é uma história interessante, mas que não tem nada de muito marcante ou especial, seguindo a vida de três gerações da família Maia, e fazendo o retrato de uma época. Há quem diga que se trata de uma história de amor ou de uma tragédia, mas para mim o tema central e recorrente é o adultério. Aliás, todos os acontecimentos maiores giram em volta do comportamento adúltero, retratado como algo normal daqueles tempos. Parece até que os rapazes não procuram raparigas solteiras, mas antes prostitutas ou as mulheres dos outros (sejam seus conhecidos ou não) numa aparente competição de virilidade.

O adultério é de facto central, mas não o único indício de uma sociedade doente e profundamente corrompida de valores. A amizade, a lealdade e outros valores são enaltecidos pelos personagens que no entanto se comportam de modo completamente contrário. É o retrato de uma sociedade ociosa centrada no dinheiro, nas aparências e em etretenimentos fúteis vários. Nem os personagens que estudam e tiram cursos superiores os usam para algo útil. Os políticos, os intelectuais, enfim, toda a sociedade é pobre de espírito e de ideias, formando-se da mesma um retrato muito pouco positivo.

O papel da mulher também é algo que não abona a favor da história desta época e deste retalho da sociedade que Eça escolheu para a sua história. Para além de aparecerem como meros objectos de entretenimento ou desejo (as prostitutas ou as "espanholas") ou de conquista viril ( as mulheres casadas), há algumas passagens que mostram bem como a mulher era vista:
"Se eu fosse cavalo ou mulher, antes o queria a você do que a esses badamecos que aí andam todos podres"
ou
"Enfim, eu não lhe dizia que em certos casos duas boas bolachas, mesmo um par de bengaladas não fossem úteis...sabiam, por exemplo, os amigos quando se devia bater? Quando elas não gostavam da gente e se faziam ariscas...então sim! Zás , trapona, que elas ficavam logo pelo beiço..."
ou ainda
"A mulher só devia ter duas prendas, cozinhar bem e amar bem"
"O dever da mulher era primeiro ser bela e depois ser estúpida"
"O lugar da mulher era junto do berço, não na biblioteca"

Resumindo, é uma boa história e uma boa leitura, mas nada que eu fosse aconselhar a alguém, e depois de tudo acabo por não entender o porquê de ser ou ter sido em tempos um livro de leitura obrigatória. Continuo contudo curiosa em ler mais obras deste autor e espero que sujam mais títulos neste blogue no futuro.

Ver post completo sobre Os Maias no meu blogue Linked Books:
http://linkedbooks.blogspot.pt/2017/1...
Profile Image for bia._m00n.
7 reviews1 follower
July 17, 2024
Muita gente odeia o livro e diz que é uma seca mas as pessoas não entendem todo o significado por trás, as criticas sociais feitas retratando a sociedade portuguessa do sec XIX e que se aplicam ainda aos dias de hoje. A estética retratada é simplesmente maravilhosa, os personagens são bem desenvolvidos e têm personalidade o que me fez apegar à historia, as descrições, apesar de profundamente odiadas por todos, são bem feitas e contribuem para a referida estética. Apesar do que dizem sobre a historia demorar a desenvolver ser verdade, acho que é algo necessario para conhecer bem cada personagem e pessoalmente gosto de historias detalhadas que se prolongam. Com certeza esta obra é um marco muito importante para a lingua portuguesa e faz um uso excepcional da mesma.
Profile Image for sara ღೃ*.
7 reviews
March 2, 2022
A história é interessante mas maçuda e eu senti que perdi tempo a ler o primeiro volume, dado que Carlos e Maria Eduarda não trocaram uma palavra sequer. Se não fosse pelas descrições e o ritmo lento do desenrolar da ação teria dado 3/4 estrelas.
3 reviews1 follower
December 28, 2022
Um grande clássico. Eça era soberbo nas descrições.
Profile Image for Virgilio Machado.
235 reviews16 followers
December 17, 2011
Clássico de Eça. Leitura obrigatória no secundário de gosto duvidoso.

Trata-se da obra-prima de Eça de Queirós [...] e uma das mais importantes de toda a literatura narrativa portuguesa. Vale principalmente pela linguagem em que está escrita e pela fina ironia com que o autor define os caracteres e apresenta as situações. É um romance realista (e naturalista), onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprias do enredo passional.

http://www.bertrand.pt/ficha/os-maias...
Profile Image for Vasco Ribeiro.
408 reviews5 followers
Read
January 1, 2016
Carlos da Maia mais diletante do que estava à espera.
Ega mais exagerado do que estava à espera.
Faço a apreciação no final do Vol II quando o acabar de ler
Displaying 1 - 15 of 15 reviews

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