Filho de um dos Quatro Deuses de Kurgala, Adapak vive com o pai em sua ilha sagrada, afastada e idolatrada pelas diferentes espécies do mundo.
Lá, essa entidade de olhos brancos e pele cor de carvão cresce com todo o conhecimento divino ao seu dispor, mas consciente de que jamais poderá deixar sua morada.
Ao completar 19 ciclos de idade, no entanto, isso muda.
Sua ilha é invadida por um misterioso grupo de assassinos e Adapak se vê forçado a fugir para sobreviver. Nesta fuga ele terá de se expor aos olhos do mundo pela primeira vez. Na busca pela identidade daqueles que desejam a morte dos Deuses de Kurgala, Adapak colocará em prática todos os conhecimentos adquiridos, inclusive a técnica de combate que estudou durante toda sua vida. Em uma luta de sobrevivência e devoção, Adapak terá de confrontar toda a sua pureza nascida do isolamento com um mundo desconhecido, que ao mesmo tempo em que o venera, deseja sua morte.
Affonso Solano é curador do selo Fantasy/Casa da Palavra, colunista do site Tech Tudo e co-criador do site Matando Robôs Gigantes, hoje incorporado ao grupo Jovem Nerd. Ele também trabalha como ilustrador e storyboarder para empresas como TV Globo, TV Record e agências de publicidade.
Fiquei pensando o que me fez não achar esse livro sensacional. Não é um livro ruim, de forma alguma. Mas durante a leitura tinha aquela sensação de já ter visto tudo aquilo antes. Não no sentido de "todas as histórias já foram contadas", mas da forma que esse universo foi criado. Eu vi muito de Stars Wars e Mass Effect no livro (sem a parte do espaço, claro). Relembrar uma outra história, ou outro mundo não é nenhuma ofensa, todos temos nossas referências, mas fiquei o tempo todo pensando que isso tudo funcionaria melhor em um jogo de videogame. A escrita não é ruim, mas me deixou claro que era um primeiro livro de autor. A estrutura narrativa, o foreshadowing, estão tão inflexivelmente posicionados, que eu já sabia o que ia acontecer. Não EXATAMENTE o que ia acontecer, mas que naquele momento uma coisa X iria acontecer para ocupar a lacuna necessária na jornada do herói. Mas duas coisas foram mais problemáticas pra mim. A primeira foi o diálogo. Eu entendi que o autor queria fazer um mundo completamente diferente com uma pegada atual. Mas cada vez que o personagem falar "Parceiro" ou "Bosta", me dava siricotico. Parceiro?? Só vinha Capitão Nascimento na minha cabeça. E ok, "bosta", todo mundo fala BOSTA, mas esse é o UNICO xingamento que eles usam. Existem 72093 espécies e todos só usam "bosta"? Talvez tenha sido uma escolha editorial, mas pra mim enfraqueceu a própria estrutura de um mundo tão grandioso. A linguagem fala muito do povo e do universo que eles habitam. Ele apresenta um idioma totalmente novo, mas as pessoas só xingam de um jeito? Nhé. O outro maior problema pra mim foi o excesso de explicação. Sim, eu entendo que pra um mundo completamente diferente do nosso, precisa muita construção pro leitor. Mas o problema pra mim foi a maneira que o autor escolheu de construir esse mundo pra gente. E ele escolheu a maneira mais fácil, e infelizmente mais pobre. Explicando. A gente tinha o pai dele explicando pra ele, o sacerdote, ele explicando pra namorada, e até o vilão explicando tudo. Isso me tirou mto da imersão. Pq quando vc mostra o mundo, o leitor VIVE aquilo. Quando vc explica, o leitor fica sabendo. É quase uma palestra. Vc entende tudo, mas não vivencia. Então eu achei tudo mto legal, mas como não vivi junto com o personagem, não me importei de fato. Então como disse, não é um livro ruim, mas senti que é um autor que tá começando, muito preso às estruturas narrativas que a gente é ensinado. O que não é ruim. Em relação à criação artística, primeiro a gente precisa dominar o básico pra se aventurar no diferente e único.
Puts... eu queria gostar do livro... Admiro muito o trabalho do Solano e dos meninos do Matando Robôs Gigantes. Mas, na minha opinião fecal, como eles dizem, o livro está cheio de linguagem que tenta ser épica, mas falha. Muito rebuscamento, muita descrição desnecessária. Quase como se ele quisesse enrolar para que o livro ficasse maior... Não gosto de fantasia que se leve tanto a sério. Me parece um tanto pretencioso.
Gostei bastante! Kurgala é um mundo bem rico, com um universo que promete ter bastante coisa para se contar. Me surpreendeu positivamente em alguns pontos, o que é sempre bom, embora siga a linha de muitas histórias. Ótimo para quem estiver começando a se aventurar em ficção.
Bônus para expressões originais em português (Bosta!, por exemplo), que por serem escritas na língua nativa ficaram muito autênticas :)
É uma leitura rápida e agradável,porém talvez por isso os personagens não são nem um pouco carismáticos, meu apego a eles foi zero. A trama também é bem simples e provavelmente em algumas semanas me lembrarei pouco dela. Outro ponto negativo é o grande número de raças é jogado no livro sem maiores explicações sobre elas. Acredito que eu teria gostado mais deste livro se estivesse lendo-o com quinze anos de idade quando queria que os livros se parecessem mais com HQs Marvel/DC e não fossem tão grandes (talvez seja esse o público alvo mesmo). Não estou ansioso para o próximo, mas talvez dê uma chance.
Eu me diverti muito com esse livro! Sinceramente não esperava gostar tanto dele como gostei. Apesar de os personagens serem um pouco rasos, o worldbuilding é muito bom! Adorei como alterna o passado e o presente de Adapak, e apesar de ter alguns probleminhas com o livro, achei uma leitura bem dinâmica e bacana. Talvez teria sido mais legal se a trama fosse um pouco mais desenvolvida ou complexa, mas eu gostei mesmo assi.
Foi um livro que quase parei de ler. O início foi confuso e não me envolveu, mais ou menos o primeiro terço do livro foi assim. A história de Adapak é interessante, o autor criou um universo completo para a história, com cenários e seres únicos, o que poderia ter rendido um ótimo livro, mas não houve uma boa apresentação desse mundo criado e ficou difícil de acompanhar. Depois de alguma persistência na leitura, o livro "engrenou", ao menos em relação ao ritmo da história, que passou a ser rápido e prendeu a leitura. Li uns 60-70% do livro em dois dias, tendo levado quase um mês para ler o livro completo por conta do início que não me envolvia. Adapak, o personagem principal, é uma criatura curiosa quando colocada fora da casa onde cresceu, gostei de ver sua reação diante do mundo que então desconhecia, mas essa particularidade do personagem não foi o bastante para que eu realmente me apegasse ao livro.
O livro é fácil de ler, com uma trama bem descrita mas lamentei a superficialidade com que várias raças e histórias/culturas foram abordados. Como se trata de um mundo inédito, criado pelo autor, isso faz com que o leitor não consiga se conectar tão bem com a história como ocorre nos livros de Tolkien, por exemplo. Valeu a leitura, aprecio o trabalho do autor no podcast dele (MRG) e vou ler a continuação provavelmente apenas para saber como a história acaba.
Achei uma leitura superficial. A impressão que tive é de que Affonso gastou meses planejando todo o universo de Kurgala, e apenas dias para montar a história. Gostaria de ter sentido mais empatia pelos personagens, sentido como se eu fizesse parte desse universo, mas infelizmente o livro não me proporcionou isso.
Adoraria ler outra obra do Solano, mas uma que não envolvesse esse universo.
Metric system - Those are my personal opinions, you may discord, my final rating of the book is not necessarily linked to this system and may diverge from it. Book Storyline - Originality: 5/5 stars - Development: 5/5 stars - Enjoyment: 5/5 stars - Writing stile: 3/5 stars - Funnyness: 1/5 stars - Epicness: 2/5 stars - Scaryness: 2/5 stars - Smartness: 4/5 stars - Addictiveness: 5/5 stars - Plot twists: 5/5 stars - Pace: 5/5 stars - Storyline planning: 5/5 stars OR /5 negative stars - Ending: 4/5 stars OR /5 negative stars - Holes: -/5 negative stars - Self contained (Y/N): √ - Cliffhanger (Y/N): ○ - Adult (Y/N): ○ - Mystery (Y/N): √ - Treasure Hunting (Y/N): ○ - Violence level: slaughter and amputations, but not too often - Tech level: Tools made of bones - Religion level: Fictional gods relevant to the story - Main genre: Fantasy - Subgenre: Adventure, Sword and Sorcery - Point of view: Meshed first and third person narrative, Alternating between "now" and memories. - Aftertaste: Impressive - Quote: Sugerir soluções é algo simples quando não se sabe muito sobre o problema World - Originality: 5/5 stars - Variety: 5/5 stars - Consistency: 5/5 stars - Impact on the story: 5/5 stars - Maps: 1/5 stars - Real world (Y/N): ○ - Fantasy based on real world (Y/N): ○ - Journey (Y/N): √ - Main scenario: Traveling Characters - Total amount: ~20 - Points of view: Main Character - Main characters: Adapak - Secondary: ~8 - Ordinary: Some - Overall quality: 5/5 stars - Main: 4/5 stars - Secondary: 5/5 stars - Consistency: 4/5 stars - Connection: 4/5 stars - Dialogs: 3/5 Stars - Interactions: 4/5 Stars - Romance ( Y/ N): √ - Underworld Crew (Y/N): ○ - Training (Y/N): √ - Notable best characters: Telalec, Enki'När - Notable worse characters: Jarkenum Setting - Historical importance: 5/5 Stars - Historical deep: 3/5 Stars - Historical score: 5/5 Stars - Geopolitical importance: 2/5 Stars - Geopolitical variety: 3/5 Stars - Geopolitical score: 2/5 Stars - Setting overall score: 4/5 Stars - Supernatural (Vampires, werewolves) (Y/N): ○ - Superpowers (√/○): ○ - Non-human races (Y/N): √ - Virtual Reality (Y/N): ○ - Monsters (Y/N): √ - Historical relevant period: Creation Rules - Devised system: 5/5 stars - System complexity: 3/5 stars - System explanation: 4/5 stars - Impact on storyline: 5/5 stars - Rulebreaker (Y/N): ○ - Type of Rule: The Circles, relics. Series Starter - Feels fresh: 5/5 stars - Gotta read'en all: 5/5 stars - Impact: 4/5 stars - Not for me: -/5 Negative stars - This was ok but I had enough: -/5 Negative - Meh: -/5 Negative ▶◀ I'm formally impressed. An actual very good book written by a brazilian! Usually we can only find good books by brazilians for children and up to early puberty readers, adults books are always about politics, religion or self-esteem. And turn out as ugly as those subjects. The dialogs could have been less formal, but the setting is very fresh, the tension and little information about what really happened were masterfully written. If you can read portuguese go on and read this one!
Lembro de começar com expectativas baixas, entretanto a construção de mundo dessa obra definitivamente é muito pegajosa, mesmo sendo uma leitura curta, te prende fácil e você quer muito entender os costumes e crenças daquele lugar e daquele tempo. É exatamente como está mencionado em sua capa, um dos maiores destaques do autor sem dúvida é a sua criação própria de mitologia. O protagonista, mesmo sendo clichê, não é algo que incomoda, se mescla muito bem as situações e cenários descritos e destaque também a descrição dos trechos de ação e batalha. Tudo isso fica ainda melhor quando você lembra que o autor é brasileiro.
Uma história envolvente onde você vai descobrindo o que está acontecendo junto com o personagem, intercalando com o presente e passado dele. Algumas partes tem diálogos longos para explicar detalhes do universo do livro, mas no geral é uma leitura bem fluida.
É a segunda vez que tento ler esse livro e simplesmente não consigo sentir vontade de avançar. Não pq o livro é ruim, mal escrito, etc. Na verdade, não sei exatamente pq continuo a não me interessar, só fico pensando em outros livros que queria estar lendo. Gosto muito do Solano e me chateia abandonar o livro que ele se dedicou por tanto tempo assim, enfim, talvez daqui a algum tempo eu tente de novo.
Normalmente a literatura nacional é associada aos grandes trabalhos de proposta artisticamente ambiciosa, as que procuram dissecar a alma de indivíduos ou o modo de pensar e agir de uma sociedade por meio de estofo intelectual erigido durante o consumo de milhares de páginas, comumente enveredando para a crítica social tornando-se centro de debates e ganhando apreciação de documento histórico distinto e valioso.
A generosa oferta de bons escritores provindos do século XIX e começo do XX, estabelecendo proficuidade e, conforme pôde se constatar com o decorrer dos anos, apogeu no campo das letras, a alfabetização precária do povo brasileiro que perdurou por séculos, e há quem diga que ainda perdura, restringindo o gosto da leitura a elite abastada, que adorava se espelhar nos europeus, tidos como sinônimo de sofisticação e prosperidade, consumindo e ventilando seus engenhos literários requintados com a aspiração de provar-se incontestavelmente seleta, e aos de intelecto irresistivelmente proeminente que, estimulados pela sede insaciável por conhecimento, tão característico do tipo, dotados de sensibilidade social ímpar e de ego, por vezes, inflado, desejoso de externar capacidades cognitivas invejáveis, sentiam-se atraídos pela produção cultural do velho mundo, influenciando o laboro de obras genuínas no molde dos colonizadores; a instauração de uma cultura literária daí resultante, onde se cristalizou que o único tipo de literatura a se exaltar e de merecer significativa cobertura é a que trilha este caminho de reverberação atemporal; o modelo educacional miserável desestimulando a formação de seres pensantes aptos em proporcionar renovação em termos de relevâncias, ideias e linguagem no campo artístico, ou simplesmente despertar o mínimo de interesse para viabilizar comercialmente novas obras e autores, evitando o distanciamento entre arte e público; a disputa comercial entre nações que previsivelmente privilegia quem tem mais poder de fogo (e a expressão pode ser lida de várias maneiras) para impor os seus produtos em detrimento da produção cultural local são fatores que explicam, senão de todo, ao menos, em parte, a cristalização, no imaginário do cidadão banal, da literatura brasileira a essas obras pesadas, antigas e sisudas e que viverá, in perpetuum, carente de novas referências que imprima mais cores e vigor ao seu panteão.
A consequência mais óbvia desse panorama são as tentativas fugazes de replicar o modelo consagrado e estagnado, ocasionalmente bem sucedidos, atrativo somente a uma pequena parcela do estrato social com formação cultural verdadeiramente sólida.
E isso não é uma crítica à literatura de letras garrafais com aspiração eviterna. Ela é essencial e de muito bom gosto ao contrário do que a maioria dos estudantes de ensino médio apontam ao se referir aos nossos clássicos (Pudera, chegam ao EM sem a obrigatoriedade de adquirir hábito pela leitura, no máximo se restringindo a cadernos esportivos, manchetes de noticiários e jogos de celular, e são forçados, por necessidade curricular, a tentar a adquirir esse hábito logo de cara com textos do século XIX. O resultado não poderia ser outro mesmo. Mas entenda uma coisa, se for o caso de quem me lê: a culpa não é dos escritores, mas do fracasso do sistema escolar a qual foi submetido).
Porém a falta de diversidade de temas, propostas, objetivos que esse modelo viciado proporciona é nociva à conjuntura literária caseira. Perpetua o fosso de distanciamento entre públicos e obras conforme o passar das gerações. É necessário - e saudável – a existência de trabalhos menos pretensiosos e que se mostrem mais cativantes ao público jovem até para ser ponte de introdução e estreitamento desse público ao universo encadernado de prosa e verso.
Felizmente a monotonia dos escopos literários brasileiros começou a ser quebrada neste século, talvez pela influência da popularização da cultura pop-nerd que angariou público embasbacante. Tendência que ganhou forma nas letras nacionais, creio, por ser análise empírica, por André Vianco e seu universo vampiresco e que veio a se consolidar, posteriormente, abrindo oportunidades a novos escritores e desinibindo as editoras a jogar sempre no seguro, com a narrativa diabólico-angelical de Eduardo Spohr.
A boa novidade de ocasião trata-se da odisseia fantástica de Afonso Solano, O Espadachim de Carvão. Enredo que se debruça nas aventuras do filho de uma das quatro potestades maternas dos habitantes de um planeta fictício, Kurgala, em busca de resposta sobre o porquê de ser ferozmente atacado e perseguido por toda sorte de criaturas que clamam por seu sangue bradando termo enigmático: “Ikibu”. Munido de suas espadas, Igi e Sumi, o jovem Adapak percorre um dos quatro continentes do planeta colocando a prova todo o conhecimento que adquiriu durante os anos de isolamento em uma ilha sagrada, enfrentando adversários atípicos, conhecendo seres exóticos e aprendendo a conviver com os mortais.
O texto apresenta vários pontos positivos como a capacidade imaginativa do autor em desenvolver um universo riquíssimo sem a necessidade de pormenores Tolkienianos para inserir o leitor no ambiente multicultural, primitivo e selvagem onde se passa a estória, escolhendo momentos específicos para concentrar seu talento descritivo (destaco a passagem que detalha a caverna da entidade Enki’ När, por sinal, fundação que ilustra a capa) e se omitindo de maiores detalhes em determinadas situações deixando ao leitor a tarefa de preencher as lacunas com a própria imaginação, recurso que gera ligeiro e tolerável estranhamento que logo se dissipa uma vez superado os primeiros capítulos.
A obra se revela um caldeirão de referências a conceitos clássicos habilmente alinhados em prol do desenvolvimento da narrativa, o que significa que não se trata de uma colcha de retalhos mal costurada propiciando furos gritantes de roteiro e situações constrangedoras de tão forçadas. Pelo contrário, a trama flui de maneira orgânica obedecendo lógica harmoniosa. É um condensado bem amarrado de arquetípicos e recursos basilares quanto à construção de enredos aventurescos.
Isto, por si só, já valeria uma boa avaliação, mas seria apenas mediana se optasse pela manutenção da previsibilidade dos desfechos já saturados desses recursos. O autor brinca com essas conceituações as subvertendo-as, seguindo por caminhos diversos, dando o seu toque de originalidade aplicando aditivos modernizadores.
Outro aspecto positivo do trabalho, aliás, ao inserir temáticas que dialoga com assuntos já característicos da contemporaneidade. É inclusiva ao fazer questão de elaborar uma mitologia onde seres de variadas espécies convivem juntos na mesma floresta, prédio, vilarejo, sociedade. O fato do protagonista ser negro, fato raro, ressalta esse aspecto. O feminismo também está presente ao se expor personagens femininas fortes que jamais assumem postura pateticamente indolente a espera da salvação inequívoca do herói masculino. Pegam em armas, lutam pela própria sobrevivência, são verdadeiramente úteis ao decidirem colaborar com o sucesso da jornada do exímio espadachim e não têm medo de serem resolutas em suas decisões mesmo que contrariem o desejo do personagem título. A importância que o autor confere sobre essa postura altiva do núcleo feminino é evidenciado ao colocar o rompimento de uma dessas personalidades femininas com o herói como evento importante no desenvolvimento pessoal do mesmo.
As sequências de ação não decepcionam. Só pelo fato de se elaborar minimamente a coreografia dos combates são dignas de acalorada exaltação. Tenho como grande queixa aos romances policiais que, depois de página por página sedimentando a construção de um clímax pretensamente arrebatador, entregam a solução do mistério da forma mais insossa e econômica possível, usando-se apenas de um único parágrafo, muitas vezes de pouquíssimas linhas. Aqui, felizmente, isso não acontece e as lutas não caem na tediosa banalidade com o espadachim valendo-se de sua perícia com as espadas, e dos círculos Tibal, irrevogavelmente. Solano formula situações que dão variedade aos desafios impostos ao protagonista exigindo novas mecânicas e estratégias injetando tons aparentemente díspares, porém coesos dentro da narrativa proposta: ora apresenta a letalidade brutal de um Itto Ogami, ora a expertise calejada de um Simbad.
Meu único senão com a obra é a respeito da escolha da não linearidade da exposição dos eventos fundamentais na jornada de Adapak. Entendo que seja até perfeitamente compatível com o espírito matreiramente transgressor que permeia a obra - e acho que foi bem executado – porém, por se tratar de um livro de estreia, portanto, de apresentação ao um novo universo, universo este com elementos muito próprios, a via mais conservadora, ou seja, da linearidade, no início do volume entendo que seria a decisão mais adequada porque a sensação de inquietação saudável ao se deparar com termos e situações completamente alheias do conhecimento do leitor, creio que tenha sido essa a intenção do autor ao optar em iniciar o relato pelo trecho escolhido, além, claro, de jogar o fã do gênero direto na ação para captar de imediato sua atenção, foi suplantada pelo desconcerto da falta de referência, do estranhamento incômodo. Juntando tal sensação com as idas e vindas do roteiro corre-se o risco de jogar os mais desatentos em confusão.
Mas detalhe que não chega a causar grandes prejuízos e nada que uma rápida releitura não dê conta.
Acho uma pena que a edição da Leya não tenha oferecido espaço para, ao menos, uma breve biografia do autor. Seria receio de que alguém levantasse questionamento por Solano ser funcionário da editora? A qualidade da obra demonstra que não há motivo, e nem justiça, de se apontar conflito de interesse.
A falta das orelhas marcadores de texto pode ser tanto indício de estratégia de mercado para baratear o produto como incerteza quanto à viabilidade comercial. Se for o caso, é um exagero. Pela quantidade de páginas, pelas ilustrações internas serem da autoria do próprio Affonso Solano e por se tratar de um produto genuinamente brasileiro o preço final permaneceria competitivo em relação aos bichos papões estrangeiros.
Colocando termos finais:
É um ótimo trabalho que fortalece as boas opções de leituras diversas do cânone clássico brasileiro enriquecendo a pluralidade de nossa literatura.
Adorei o universo de Kurgala apresentado. Confesso que Tive muita dificuldade de continuar lendo nos capítulos do passado do Adapak onde eram apresentados o seu treinamento e sua ingenuidade amorosa e etc. Se o livro todo fosse mais daquele capítulo do barco seria fantástico. Adorei muito a narrativa e a trama daquele capítulo.
"Kurgala é um mundo abandonado por Quatro Deuses. Adapak é filho de um deles. E hoje ele está sendo caçado. Perseguido por um misterioso grupo de assassinos, o jovem de pele cor de carvão se vê obrigado a deixar a ilha sagrada onde cresceu e a desbravar um mundo hostil e repleto de criaturas exóticas. Munido de uma sabedoria ímpar, mas dotado de uma inocência rara, ele agora precisará colocar em prática todo o conhecimento que adquiriu em seu isolamento para descobrir quem são seus inimigos. Mesmo que isso possa comprometer alguns dos segredos mais antigos de Kurgala."
Minha opinião:
Perfeito, leitura empolgante, alterna acontecimentos do presente com passado de forma extraordinária. É o tipo do livro que merece filmes e games! Espero poder ter o prazer de acompanhar novas aventuras neste sensacional universo!
I was really impressed by this book. My expectation was for a simple adventure but what I've found was a very rich world full of different creatures and it's proper mythology.
Of course no thing is completely new. The traces of LOTR and Star Wars inspiration are pretty clear. But it does not diminishes the quality of the work.
Adapak is a different kind of protagonist, even though humanoid and über powerful. The story twist is kind of predictable but the journey is really eye catching. I could really see myself on those places so well described. The other characters are very interesting which makes the ending fulfilling, even though it's just the beginning.
I wish Solano had spent more time on a more elaborated first arch. It feels so short. But maybe, that's why it was so interesting.
The book has some faults, but overall has a good narrative speed, and keep you entertained. Affonso Solano also created an original, although simple, mythology for his world. It is bold to write a story about mortals and Gods living on the same world, and the author did it better than most. My main reason to read this book was to compare it against A Batalha do Apocalipse, and it is unarguably better. Affonso Solano has a future as a writer.
A história é até interessante, e dá para ver que o autor pensou bastante na mitologia envolvida, com a existência de inúmeros seres diferentes.
Porém, essa abundância passa a ser incômoda à leitura, à medida que se misturam muito rapidamente, sem dar chance ao leitor de se ambientar ou se acostumar com elas, e ainda mais com a quantidade exagerada de consoantes dobradas nos grandes e complicados nomes desses seres.
Livro muito bom. O autor começa o livro com muita ação e talvez este seja um dos poucos problemas do livro. A gente demora um pouquinho até se acostumar com o universo literário proposto pelo autor. Mas, assim que a acomodação acontece a leitura é muito veloz. A gente não quer parar de ler. O fato de ser uma história fechada também é muito bom porque a gente não depende de outras leituras. Ele deixa algumas pontas soltas, mas só.
Such a nice book, a nice and ingenious universe. I could feel some H.P. Lovecraft influences here and there, but very well diluted and very well used by the author (it's not a Horror plot, I must say). It's an adventure book, well written and, the most important, a humble and beautiful homage to all fantasy books ever written.
O espadachim de carvão é um livro bom e de leitura agradável, de início achei um livro excelente e até quis dar 5 estrelas para ele, achei bem legal como o mundo foi introduzido e o modo como existem muitas raças convivendo nele com suas devidas particularidades, mas senti a falta a de um personagens mais carismáticos.
Solano criou um mundo interessante com uma história de fundo que, apesar de não ser original, abre espaço para algumas discussões filosóficas, que o autor explora brevemente. Adapak é um personagem legal e os Círculos fazem as cenas de ação bem movimentadas e visualmente bonitas de imaginar. Uma história legal, bem escrita, com bons personagens, para ler sem compromisso.
Primeira entrega de Affonso (com dois efes de faca) Solano. Vamos do começo.
Literalmente.
O início do livro é magnífico, podendo ser resumido como uma sequência bem detalhada e roteirizada de ação cuja função e explicar como o protagonista usa suas espadas, seu estilo, trejeitos e etcetera que vem a servir de referência no restante da história. O que, na minha opinião, foi uma decisão acertada uma vez que a repetição dos detalhes em cada cena de combate durante o livro, e são muitos, tornariam o andamento mais enrolado que o início da Sociedade do Anel.
Adapak, o protagonista, figura em uma espécie de "estranho fora do ninho" e, apesar de ter um vasto conhecimento sobre a geografia, história e a fauna dos locais, descobrimos o mundo através dele.
Kurgala é estranho e fascinante ao mesmo tempo.
Estranha porque em nenhum momento o autor suaviza a mão nas peculiaridades das inúmeras espécies sencientes que vivem e atravessam o caminho do protagonista, cores diferentes, aparências vagamente e até totalmente não humanas, seres de peles rugosas, seres de seis braços, seres que parecem extraídos de uma história obscura do Cthulhu Mythos. Há também uma descentralização do protagonismo no geral de uma forma ou de outra pertencente ao ser humano e aliado a normalização das demais espécies, o que por ironia contribui para o aumento da estranheza.
E fascinante porque é apresentada de forma rica e não é imediatamente explicada. O leitor só chega a entender a origem de certas ferramentas, espécies ou simples constantes daquele mundo com o avançar do protagonista e de modo empírico, tudo isso numa ambientação semelhante a Mesopotâmia Antiga com uma sútil diferença, não há metais ou uso de metalurgia, que apesar de ser só um detalhe, agrega na caracterização do universo com suas formas criativas de solucionar tal carência, como o uso de cerámicas e ossos para a fabricação de facas e espadas e armaduras.
É inegável a influência de autores Pulp como Edgar Rice Borrows, Robert E Holward e da literatura pulp. Embora num tom mais moderno. A prosa não é despretensiosa e, em certos momentos, existe uma disputa por espaço entre a trama e o mundo que o autor tenta apresentar deixando a história truncada nesses momentos e alheia as próprias convicções em outros.
Em resumo, O espadachim de Carvão é um trabalho peculiar que vai contra a maré da fantasia moderna e até da clássica, um fruto tardio da cultura pulp, um livro pra ser amado ou odiado, mas com certeza digno de atenção. Indico.
Aqui, o autor tenta dar uma grandeza em seu universo, e falha miseravelmente, sendo visível sua incapacidade de manejar tamanha diversidade. Desde línguas à espécies variadas. Nada soa original, somente sílabas aleatoriamente escritas (como nomes) e criaturas comuns recicladas, tendo em vista que nenhuma delas tem boas descrições, ou bons argumentos, somente o "cavalo alienígena", "inseto alienígena", "rato alienígena", juntamente com um grupo de criaturas sapientes de nomes escrotamente genérico, do qual o autor não faz questão de explicar a anatomia pro leitor, assim como diversas outras espécies do livro. Tudo não parece original ou simplesmente criativo. Os alienígenas aqui apresentados chegam a dar sono, sendo apenas alguns com diversidades reais, e os outros apenas como enfeite. As descrições são rasas e escassas. Onde o autor poderia explicar cada peculiaridade de cada raça e mostrar a diversidade de seu universo, ele simplesmente não o faz. Por preguiça ou por incapacidade mesmo. Não apenas as descrições de criaturas mas também de cenas de luta, que são simples, porém estupidamente ineficazes e quase sem emoção. A ambientação é péssima, não funciona. O narrador precisa dizer que é um local diferente, pois todos são a mesma coisa. Personagens sem graça e que não geram empatia muito menos admiração; Adapak, o protagonista, é sem sal, não tem graça de acompanhar a jornada dela, uma jornada sem fundamento e imbecil, diga-se de passagem. Final PÉSSIMO sem pé nem cabeça. Plot twist desnessario que não provoca surpresa alguma - pelo menos não pra mim, que já não me via envolvido na trama e pouco me importava para esta e seus personagens ruins. - Não tenho a mínima intensão e vontade de ler o segundo volume com esse final. E por último, mas nem perto de ser menos importante, temos o vocabulário EXTREMAMENTE escasso do autor. Todos os personagens da trama tem as mesmas manias de fala (????). Para o mesmo lugar, o autor usa a mesma descrição TODAS as vezes. Cheguei a sentir raiva por ler as mesmas palavras tantas vezes no decorrer da obra. O Espadachim de Carvão é uma história sem graça, chata e rasa. Com pano de fundo medíocre e universo pobre.
É uma pena eu só poder dar estrelas inteiras para esse livro, mas a classificação real que eu daria para ele é algo próximo de 3, mas talvez mais pra 2 estrelas.
A história é realmente legal, apesar de um tanto quanto confusa. Eu sou grande fã do autor, mas foi a primeira vez que me aventurei em ler um livro seu e literatura fantástica nacional.
Solano introduz diversos elementos do universo que ele criou (vulgo a quantidade de espécies, culturas, medidas etc), mas de maneira muito pouco clara. Várias vezes eu me via confuso quanto às raças e nomes que apareciam no livro. O plot é OK, mas o desfecho vem subitamente e eu fiquei com a sensação de que foi pouco explorado, ou melhor, mal explicado.
O livro demora pra "pegar no tranco", mas perto de 20% do livro eu já me vi devorando o restante para saber onde que a história ia acabar, então posso dizer que o livro entretém. O estilo de narrativa é bem recorrente nos livros de fantasia e, sinceramente, agrada muito, pois os "flashbacks" inserem algumas explicações que não são dadas de cara. Pessoalmente, acho a narrativa direta é um tanto monótona e não me deixa tão ansioso para saber o que vem em seguida.
Agora, convenhamos, esse livro é uma loucura no que se refere à linguagem: os diálogos são majoritamente coloquiais e a narrativa desnecessariamente erudita em algumas partes. Palavras como "sorvir" e descrições pouco mundanas dificultam um pouco o que deveria ser uma leitura confortável, parecendo que o autor "força um pouco a barra" para deixar o livro mais épico.
De uma maneira geral, eu gostaria de ter lido mais descrições e mais explicações para tantos elementos que são introduzidos. A literatura fantástica brasileira ainda caminha a passos lentos, atendendo às expectativas que eu tinha para o livro.
É preciso levar em consideração que esse ramo literal no Brasil ainda é fraco e que, se tudo der certo, Solano conseguirá cobrir as eventuais falhas com seus próximos livros.
Acompanho o trabalho do Affonso Solano há algum tempo. Conheci-o no podcast do Jovem Nerd e, posteriormente, no MRG. Logo, já sabia que ele era um escritor de fantasia, mas nunca imaginei que me pegaria envolto em uma história tão imersiva e fantástica. Todavia, a história começou em suas primeiras páginas um tanto quanto confusa e desinteressante. Porém, bastou alguns capítulos para que eu mudasse minha opinião substancialmente.
Adapak é um bom personagem. Muitos podem confundir sua ingenuidade e timidez como sendo desinteressante. Mas sua jornada em busca de sua verdade pessoal é fantástica, e sua honra e seu carisma me fizeram viajar pelas mais de 200 páginas deste livro.
Entretanto, eu esperava um desfecho mais impactante. Me pareceu um pouco ?fácil? demais a forma como o enredo é finalizado.
Além disso, por optar por criar suas próprias raças, acredito que faltou um guia sobre elas para que a nossa imersão fosse ainda maior. Ao contrário de outras obras de fantasia que optam por utilizar criaturas já do domínio popular, Affonso Solano optou por criar seu próprio universo e com isso assumiu um risco de a pessoa não embarcar nas aventuras por não conseguirem visualizar uma determinada raça.
Acabei me baseando em alguns desenhos que encontrei na internet para formar a minha imagem mental da maioria das cenas descritas. Essa é a minha dica para aqueles que tiverem problemas no início.
Agora continuarei minhas leituras por esse Solanoverso hahaha.
Uma introdução muito boa para um fascinante universo desenvolvido por um escritor brasileiro, apesar de ter achado algumas coisas fora do tom fiquei bem empolgado para adquirir outros livros da série!
O que mais me fez gostar da obra, de verdade, foi o mundo desenvolvido por Affonso Solano. Suas raças, sua história de fundo e seus fenômenos chamaram bastante minha atenção e são o principal fator para que eu volte a desbravá-lo em suas sequências, que só tendem a melhorar e aprofundar ainda mais isso tudo.
Sobre sua narrativa, gostei da forma como os capítulos se intercalam entre passado e presente mas achei que ela se perdeu em alguns momentos, com algumas decisões de desenvolvimento que foram tomadas não sendo tão interessantes quanto poderiam. O final mesmo pareceu bem apressado pelo autor.
De qualquer forma, é um ótimo expoente da literatura fantástica nacional e certamente vale a pena dar uma conferida sobretudo se curtir este gênero.
O que mais gosto na história é o mundo. Me agradou bastante ver que esse mundo possui uma história própria além do protagonista. De certa forma também me agradou a quantidade de raças, o grande problema com elas sendo que a maioria não é explorada ou detalhada direito. Entendo que no contexto da história não poderia parar e explicar algo já comum para o protagonista, mas o resultado final é que eu sei que existem raças com características diversas e sei que elas não são interessantes para a história. O que é um erro, porque eu estou interessado em saber mais sobre elas. Outro problema é que é uma história apressada. Rápida sim, mas principalmente apressada. O capítulo final é onde as respostas são jogadas, não dando tempo algum para reflexão do que foi dito. Essa pressa toda injure demais os personagens, que são arquétipos em vez de pessoas em si. O protagonista é um peixe fora d'água, mas que sabe de tudo, o que é claramente uma escolha. É uma história pulp, no bom e no mau sentido.
Achei bem legal, o livro é bem escrito, a história é boa, bem contada, os personagens são interessantes. Conheci o Affonso Solano como comediante no MRG e no canal do Gaveta, mas ele também se mostrou um ótimo escritor.
É meio difícil de pegar toda a mitologia que ele cria, porque ele realmente cria do zero todo um mundo cheio de espécies conscientes diferentes. Isso dificulta um pouco lembrar das características de todas elas para imaginar as cenas. Se eu fosse um crítico, talvez dissesse que faltou relembrar um pouco desses conceitos inteiramente novos que ele introduz, mas quem sou eu.
Mas tirando isso, a construção de mundo é muito boa. Achei também a história bem construída, com os flashbacks contando aos poucos o passado do personagem, enquanto conta a história atual e ainda introduz um mundo inteiramente novo. É bastante coisa que ele faz mas de um jeito interessante e nada pesado ou enfadonho. Recomendo essa fantasia 100% BR.
O universo é bem pensado, e até o último quarto de livro todos os pontos são bem ligados, o problema está na escrita, que abusa de termos desnecessários e que não são bem apresentados anteriormente (500 nomes de raças, por exemplo) e tem repetições infantis e irritantes. Por algum motivo, o único termo usado como palavrão no livro é "bosta", o que é justificado pelo fato do Espadachim ser ingênuo e não conhecer muito do mundo, mas quando, 200 páginas depois, ele entra numa taverna onde marinheiros usam o mesmo termo, ainda mais depois dele ter sido repetido o livro todo, sem pausa alguma, fica extremamente cansativo.
Pra quem é fanboy, ou quer ler algo só pra se divertir um pouco com algo curto, até vale a pena, para qualquer leitor interessado por fantasia, tem milhares de livros muito melhores e que valem o investimento de tempo que seria perdido com O Espadachim de Carvão.