Antologia das melhores crônicas de Joel Silveira, sobre a vida cultural brasileira nas décadas de 40 e 50, além de intelectuais e artistas Portinari, Gilberto Freyre e Monteiro Lobato. Recebeu em 1998, o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra.
Joel Silveira foi um jornalista e escritor brasileiro. Autodidata, cursou até o segundo ano do curso de Direito. Tido como militante de esquerda e por divergências com seu pai, o qual considerava um burguês, mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1937, disposto a trabalhar como jornalista, função na qual se destacou, tornando-se, inclusive, escritor. Embora pareça paradoxal o período do Estado Novo permitiu que ele e mais um grupo de jovens jornalistas, como David Nasser, Edmar Morel e Samuel Wainer, viessem a se notabilizar pela "grande reportagem" dos anos 1940, forma encontrada pelos jornais para sobreviver à censura imposta pela ditadura. Seu primeiro emprego foi no periódico literário Dom Casmurro, de propriedade de Brício de Abreu e Álvaro Moreyra, que era um jornal esquerdista. E meu irmão começou a mandar de São Paulo material do partido para que eu distribuísse aqui no Rio. Era uma tarefa arriscada, mas ele sempre mandava um dinheirinho dentro; como eu vivia de biscate, aquela era uma ajuda muito útil..[1] Depois foi repórter e secretário da revista Diretrizes, semanário de propriedade de Samuel Wainer, onde permaneceu até a redação ser fechada pelo DIP, em 1944. Escreveu também para os Diários Associados, Última Hora, O Estado de S. Paulo, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Manchete. Seus mais de 60 anos de carreira contabilizaram passagens por diversas redações do país, nas quais ocupou inúmeros cargos. Foi escolhido por Assis Chateaubriand, dos Diários Associados para ser correspondente de guerra junto à F.E.B., apesar de parecer contrário do DIP e do General Dutra, então Ministro da Guerra. Além do mais, apesar de haver outros candidatos de peso à missão, como David Nasser, Edmar Morel e Carlos Lacerda. " Quando me inscrevi para seguir com a FEB como correspondente de guerra, eles fizeram de tudo para que eu não embarcasse. A acusação era a de sempre: comunista." É reconhecido por ser um dos precursores do jornalismo internacional e do jornalismo literário no Brasil. Ganhou de Assis Chateaubriand o apelido de "a víbora" por seu estilo ferino e impactante. As reportagens "Eram Assim os Grã-Finos em São Paulo" e "A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista" o consagraram como profissional e hoje são tidas como verdadeiros clássicos do gênero. Publicou cerca de 40 livros. Foi agraciado com o prêmio Machado de Assis, o mais importante da Academia Brasileira de Letras, em 1998, pelo conjunto de sua obra. Foi ganhador dos prêmios Líbero Badaró, Prêmio Esso Especial, Prêmio Jabuti e o Golfinho de Ouro. Pouco antes de falecer, foi homenageado do Segundo Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado entre os dias 17 e 19 de maio de 2007 pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Por conta de problemas de saúde, foi representado pela filha. Joel Silveira morou em Copacabana, no Rio de Janeiro, até sua morte, em 2007.
O livro é uma das adaptações mais significativas do jornalismo literário no Brasil, destacando-se na produção de grandes reportagens nas décadas de 1940. Silveira, conhecido pelo seu estilo audacioso e irônico, mergulha em temas sociais relevantes ao abordar a elite paulista durante um momento histórico complexo, como era a era Vargas. Silveira, vindo de Sergipe e radicado no Rio de Janeiro, tornou-se um jornalista de destaque ao trabalhar em redações marcantes, como o periódico "Diretrizes", onde seu posicionamento político progressista o levou a entrar em conflito com o governo Vargas. Seu trabalho chamou a atenção de Assis Chateaubriand, o poderoso empresário da comunicação que o convidou para integrar os Diários Associados, onde Silveira se destacou por sua capacidade de alfinetar a elite paulista e suas extravagâncias. A reportagem que dá nome ao livro aborda um casamento luxuoso da elite, contrastando com a realidade dos operários, revelando uma crítica social profunda enquanto se utiliza de um tom literário instigante. Silveira traz à tona a hipocrisia de uma sociedade que, enquanto desfrutava de ostentação, ignorava as dificuldades enfrentadas por muitos. Além dessa reportagem emblemática, o livro compila outros textos que exploram diferentes facetas da sociedade da época, incluindo perfis de intelectuais e artistas e uma divertida conversa com cangaceiros, com um estilo que remete ao de Tom Wolfe no contexto do "Novo Jornalismo". O toque autobiográfico e a intimidade que Silveira estabelece com seus entrevistados conferem uma fluidez à leitura, tornando-a envolvente e reflexiva.