Já me tinha aventurado pela christian fiction (de que gosto), esta foi a primeira leitura dentro da vertente espírita.
Não é uma obra prima da literatura (desculpe Lucius), mas suponho que não seja essa a expetativa. Ainda assim, trazia a experiência de outros autores religiosos mais literários e este não é muito forte na construção das personagens - não sendo, contudo, terrível. Se as personagens fossem em menor número, poderíamos ter acesso a uma visão mais aprofundada da sua história e dilemas, é certo - ainda assim, é agradável ver alguns dos princípios espíritas surgirem sob diferentes roupagens. Se a vida é múltipla, múltipla será a experiência desses princípios.
Como seria de esperar, a análise dos acontecimentos é feita pelas próprias personagens, enquadrada no sistema espiritual espírita e, nesse campo, não houve falta nem exagero. As dificuldades são contrabalançadas pela esperança e pela presença constante de guias, sejam eles outros companheiros na terra ou espíritos desencarnados. Contudo, do ponto de vista literário, a rapidez com que tudo acontece pode frustrar um pouco um leitor como eu, que aprecia as nuances dos constantes avanços e recuos que todos enfrentamos quando passamos por um acontecimento complicado. No caso, Isabel vê-se confrontada com uma escolha entre o seu amor de infância e juventude, regressado da guerra depois de meia década passada, e o seu novo amor. Mas a culpa, a (in)fidelidade, a (in)decisão, a mágoa, a revolta, típicas numa situação desta natureza, não são exploradas - talvez porque não existam se pensarmos na vida do ponto de vista espírita.
Assim, o dilema que dáva o tom ao livro resolve-se muito rapidamente. Mas, por definição, do ponto de vista espírito está muito bem resolvido. :) Três estrelas.