Dr. Antonio foi um célebre ladrão da Belle Époque que ficou famoso por seus roubos inteligentes em diversos hotéis, onde se hospedava com identidades diferentes. O verdadeiro nome do Dr. Antonio era Arthur Antunes Maciel, gaúcho de família respeitável levado ao crime por um destino atroz: não resistir à vida fácil e ao amor das mulheres. Suas histórias são picarescas e dotadas de muita esperteza. É um relato de extrema sinceridade, narrado por ele mesmo, quando estava preso na Casa de Correção, um ano antes de sua morte, aos 43 anos.
Dr. Antonio viajou por todo o Brasil. Há casos em hotéis de Petrópolis, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Bahia, Santos, Londrina, etc.
[PT-BR] Escritas por esse Dr. Antônio, pseudônimo de Arthur Antunes Maciel, ou na verdade por João do Rio (há uma dúvida real quanto a isso), estas memórias são confessionais. Arthur Antunes Maciel foi um ladrão e aqui ele conta, enquanto preso e de maneira muito divertida, boa parte de seus crimes. Mas, mais que um ladrão, ele é uma espécie de Arsèle Lupin brasileiro, Robin Hood, sei lá. Tem classe, esperteza e rouba só de quem tem mais do que precisa, o que faz por ganhar a simpatia dos leitores. Encantamo-nos por seu jeito, seu coração e pelo Rio de Janeiro do fim do século 19 e início do 20, com direito a cartomante que prevê o futuro frutífero porém conturbado do rat d'hôtel. Ele é um tremendo anti-herói que vai ficando de fora do cânone literário brasileiro; merece ser estudado e que dele digam, embora ele próprio, com sua sutileza, queira talvez passar despercebido. P.S.: como ele é preso por diversas vezes e conta de suas prisões, há grandes levantamentos críticos sobre problemas no sistema carcerário, problemas aliás que eram uma questão a ser resolvida tanto então quanto agora.