Jurandir é um pequeno funcionário da indústria têxtil pernambucana. Dias antes de se aposentar como chefe de segurança no trabalho numa tecelagem no interior de Pernambuco, empreende uma viagem ao Recife para resolver um processo trabalhista. A jornada prova-se um pesadelo; sem motivos aparentes, ele incendeia o carro da empresa e perde o controle de suas ações. Dois meses depois, é internado numa clínica psiquiátrica na cidade alta de Olinda e, a pedido de doutor Ênio, começa a escrever seus sonhos, que entrelaça com eventos do passado, relatos da juventude, suas opiniões e sua rotina de interno.
Ao perder o limite das suas convicções, esmagado por eventos trágicos, tenta aceitar o passado e conviver com a precariedade do presente com a ajuda de um enfermeiro e de uma interna. Através do que Jurandir vê e narra, através mesmo do que ele tenta esconder, o leitor vai tomando consciência das tragédias que cercam a vida desse homem aflito: o acidente na juventude que o deixou manco; suas reflexões sobre a fragilidade das amizades; a traição e a crise no casamento; o desenlace fatal de seu único filho.
Em quatro “cadernos”, José Luiz Passos mescla formas distintas de narrar — a vivência diária de Jurandir, seus sonhos, suas lembranças da juventude e do casamento, seus próprios textos sobre figuras do passado — para compor, gradualmente, um retrato comovente, que revela o personagem tanto no que ele diz quanto no que procura esconder.
Ao construir esta narrativa onírica, José Luiz Passos cria uma gama de personagens marcantes — Jurandir e sua mulher Heloísa; a jovem Minie, mais que uma simples colega de trabalho; o enfermeiro Ramires e a interna madame Góes — em um romance de forte traço emocional, por vezes tragicômico, onde nada é como se espera.
JOSÉ LUIZ PASSOS é autor de cinco romances e vencedor do Grande Prêmio Portugal Telecom, atual Oceanos, com O sonâmbulo amador. Também publicado pela Alfaguara, O marechal de costas, sobre Floriano Peixoto e os protestos que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff, foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti. Vive entre o Recife, Austin e Los Angeles, onde, entre outras coisas, escuta vinil e dá aulas de literatura brasileira.
Não necessariamente recomendo! Quem, como eu, gosta de ler histórias sobre homens de meia idade tendo crises existências e se diverte pensando "como pode um cara ser tão deslocado da realidade?" esse livro funciona como paródia desse trope, o livro muitas vezes é engraçado intencionalmente, outras nem tanto intencionalmente, mas enfim eu me diverti um pouco lendo, não releria. Acho que existem livros de ficção literária brasileiros melhores. A estrutura do livro é bem interessante, o conceito é ser um apanhado de lembranças, mentiras e sonhos que um idoso relata quando fica em tratamento numa clínica depois de um surto psicótico, na teoria eu amei a ideia, mas a história do Jurandir em si não me pegou muito, mas leria outras coisas do autor!
Não me identifiquei com os personagens. Fiquei esperando uma discussão profunda, uma reviravolta no enredo, uma demonstração de maestria no uso de técnicas e nada me impressionou. O final sem surpresas e sem impacto foi particularmente decepcionante.