A partir de perguntas simples, como "quem sou eu em relação ao outro?" e "quem é este outro diante de mim?", Antonio Quinet mostra não apenas que eu e outro se confundem, mas, sobretudo, que não há sujeito sem outro. Há cinco modalidades do outro em Lacan: o outro, meu semelhante; o Outro, lugar do inconsciente; o objeto a causa de desejo; o outro do laço social; e o Heteros, o Outro Gozo, o qual abre a perspectiva de uma lógica da diferença radical. Este livro aborda o pensamento lacaniano acerca da alteridade, detendo-se em conceitos que evidenciam que não há sujeito sem outro.
Antonio Quinet é psicanalista. Formado em medicina com especialização em psiquiatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve sua formação psicanalítica realizada em Paris, na École de la Cause freudienne. É professor- assistente do Departamento de Psicanálise da Universidade de Paris VII (Vincennes), tendo defendido nessa universidade a sua tese de doutorado. É autor dos livros, publicados no Brasil: Teoria e clínica da psicose (2a ed., Editora Forense Universitária), As 4+1 condições da análise (10a ed.), A descoberta do inconsciente (2a ed.), Um olhar a mais (2a ed.) e A lição de Charcot (Jorge Zahar Editor); e, publicados no exterior: Las condiciones del analisis (Argentina) e Un plus-de-regard (França). É também co-autor e organizador das coletâneas Jacques Lacan: a psicanálise e suas conexões (Editora Imago), Extravios do desejo – depressão e melancolia, Psicanálise e psiquiatria – controvérsias e convergências e Na mira do Outro – a paranóia e seus fenômenos (Editora Marca d’Água), e autor de artigos publicados em revistas e livros na Argentina, Austrália, Brasil, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Inglaterra. Escreve regularmente para jornais sobre psicanálise e arte. Tradutor de Lacan no Brasil, foi responsável pelas versões dos Seminários 2 e 7 e de Televisão. Profere conferências e seminários em diversos países e cidades do Brasil. É professor convidado do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de janeiro, docente de Formações Clínicas do Campo Lacaniano – Rio de janeiro, AME da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e, mais recentemente, dramaturgo (A lição de Charcot, X, Y e S – abertura do teatro íntimo de Strindberg e Artorquato).
Quinet é um autor muito bom em suas explicações sobre a teoria lacaniana, ele a torna degustável e de fácil entendimento. Na primeira parte do livro há o desvelar do pequeno outro e o quanto ele reflete na fase adulta o que fora o estádio do espelho. Na segunda parte há considerações sobre o Grande Outro e como ele nos permite diferenciarmos como tudo aquilo que não somos, por exemplo, sou palmeirense porque não sou corinthiana nem sãopaulina. Na terceira parte delineia-se o objeto a, o nosso objeto de desejo supremo, a intersecção entre as pulsões de vida e morte. Na quarta parte apresenta-se o laço social enquanto discurso, subdivididos em mestre, universitário, histérico, analista e capitalista, sendo que neste último o objeto a no matema é de fato um objeto no sentido estrito do termo. Na quinta parte o outro derradeiro: Gozo Outro. Caracterizado pela heteridade, o gozo feminino (diferente do gozo fálico) é da categoria do diferente, por isso as mulheres sucumbem à misoginia, esse ódio à diferença do Gozo Outro.