Pela primeira vez, os Da Weasel abrem as portas da toca da doninha para se revelarem como nunca fizeram.
Em registo oral, “Uma Página da História” mostra os seis músicos que ousaram tornar-se lendas mas permite também descobrir estas seis personalidades, os seus medos e sonhos, as suas alegrias e incertezas, as suas conquistas e inseguranças.
Desde a sua formação, em 1993, até ao momento em que deixaram o país órfão anunciando o final de um percurso único, os Da Weasel converteram-se no símbolo de uma geração, coletivo porta-voz de uma existência onde a criação de uns se assumiu a inspiração de milhões.
Com “Uma Página da História”, às canções que todos se habituaram a entoar, viver e respirar, juntam-se as narrações de uma existência de carne e osso, recordadas na primeira pessoa pelos seus protagonistas.
Carlos Nobre (Pacman/Carlão), João Nobre (Jay-Jay Neige), Bruno Silva (Virgul), Pedro Quaresma (Quakas), Guilherme Silva (Guillaz) e Miguel Negretti (DJ Glue) formam os Da Weasel, mas a banda revelou-se muito mais do que a soma das suas partes. Nas páginas da biografia oficial da doninha, surgem, finalmente, as aventuras e os segredos que todos queríamos conhecer.
Jornalista, escritora e criadora de conteúdos na área da música, iniciou o seu percurso em 1998, quando integrou a redação do semanário BLITZ, título no qual permaneceu até 2008, fazendo parte da equipa fundadora da revista com o mesmo nome, onde desempenhou a função de coordenadora. O seu percurso em televisão começou em 2006, na 2ª edição do Rock In Rio Lisboa, quando aceitou o convite da SIC Radical para integrar a emissão em direto do evento, como comentadora, tendo em 2008 iniciado, também, a sua colaboração com a SIC Mulher. O M de Música nasceu em 2010, enquanto rubrica permanente nos ecrãs da SIC Mulher, mas, em 2016, cresceu e transformou-se numa plataforma e marca independente, em mdemusica.pt, assim como na emissão da SIC Radical e SIC Mulher. Este é um programa semanal com caráter biográfico, acompanhado por notícias, críticas, agenda, playlist, fotos e vídeos que entrevistou, até hoje, cerca de 150 artistas. 2019 é assinalado pela chegada de novos projetos, uma série documental e a edição do primeiro livro. "SuperBockSuper Rock: 12 Histórias Para Sempre" é a série com autoria e produção de Ana Ventura, emitida pela SIC Radical, a propósito das 25 edições do festival. Com o selo da Showtime, "À Minha Maneira" é a aguardada autobiografia dos Xutos & Pontapés, escrita por Ana Ventura com Gui, João Cabeleira, Kalú, Tim e Zé Pedro, e editada em dois volumes, o segundo dos quais chegou aos escaparates em 2020. No ano seguinte, aprofundou a sua experiência na área do documentário, envolvendo-se com os episódios portugueses da série do HBO "AcousticHome", colaboração que repetiu em 2022. Ao mesmo tempo fez chegar às livrarias "Ao Vivo", a autobiografia de Magazino, e concebeu a websérie "A Cultura".
Apesar de ser uma história muito interessante, eu não consigo dar mais de três estrelas porque no fundo o livro não é uma narrativa, mas transcrição de entrevistas. Além da introdução, a autora, que neste caso deveria ser chamada de transcritora/editora, limita-se exactamente a isto: a transcrever e editar.
“Fã da abordagem de registo oral – é isso que enquanto leitora procura -, a jornalista salientou que “por muito interessante que seja” o que tem para dizer, “o que interessa realmente é o que eles têm para dizer”.“Se eu colocasse isto numa narrativa de forma diferente, deixavam de ser eles a contar a sua história e passava a ser eu a contar a história deles, e não era isso que eu queria”, sublinhou.” (Source: https://bit.ly/3Djueaj)
Ora, por 21€ era exactamente isso que a autora deveria ter feito: transformar a história dos Da Weasel numa narrativa. Para ler o que li, preferia dar os 21€ directamente aos Da Weasel, que teriam feito exactamente o que está no livro se o “assignment” tivesse sido transcrever uma história oral da sua carreira como banda, e acrescentar detalhes pessoais sobre a sua vida antes, durante e após a sua carreira em palco.
São 600 páginas que pelo formato, cansam a ler. A sorte é que os Da Weasel são mesmo carismáticos e interessantes. A Showtime deveria repensar a sua estratégia e a quem dá este tipo de oportunidades - o livro foi editado em Abril, e a Bertrand já está a oferecer desconto, nem um ano passou…
Merecia mais imagens e provavelmente vender os direitos para uma adaptação documental ao Netflix para que a história dos Da Weasel não seja esquecida e para cobrir o buraco financeiro do livro.