"Platão em 90 Minutos", escrito por Paul Strathern, integra a série "Filosofia em 90 Minutos", um conjunto de livros que visa oferecer uma introdução concisa e acessível aos grandes pensadores da história da filosofia. No caso específico de Platão, Strathern busca apresentar as ideias do filósofo grego de forma clara e resumida, sem se perder em detalhes excessivos ou complexidade técnica. Ao longo de pouco mais de 90 páginas, o autor resume os aspectos fundamentais da filosofia platônica, abordando tanto a biografia de Platão quanto suas obras mais influentes, como "A República", "O Banquete" e "Fédon". O livro, como o próprio nome sugere, pode ser lido de maneira rápida, sendo uma excelente introdução para quem não tem familiaridade com o pensamento filosófico ou com a figura de Platão. No entanto, para aqueles que já têm alguma base filosófica ou desejam um mergulho mais profundo, o texto pode parecer superficial.
Análise do Conteúdo:
O livro começa com uma visão geral da vida de Platão e o contexto histórico em que ele viveu. Strathern faz questão de destacar a influência de Sócrates sobre Platão, já que o filósofo grego foi discípulo de Sócrates e, em muitos de seus diálogos, Platão retratou a figura de seu mestre, dando-lhe voz como protagonista de suas obras. Além disso, o autor enfatiza a importância da Academia, a escola filosófica fundada por Platão em Atenas, e a marca duradoura que o pensador grego deixou no desenvolvimento do pensamento ocidental.
A partir daí, o livro aprofunda-se nas principais ideias de Platão, apresentando conceitos fundamentais como a teoria das ideias ou formas. Strathern explica que, para Platão, a realidade sensível é apenas uma sombra imperfeita das formas eternas e imutáveis, que só podem ser apreendidas pela razão e pela filosofia. A ideia de que o mundo físico não é a verdadeira realidade, mas uma cópia imperfeita de um mundo das ideias, é uma das maiores contribuições de Platão à filosofia ocidental.
Outro conceito central explorado é a alegoria da caverna, que ilustra a teoria de Platão sobre o conhecimento e a ilusão. Strathern faz uma boa síntese da alegoria, explicando como ela simboliza a jornada da alma humana em busca da verdade e do conhecimento genuíno, contrastando com a vida de sombras e enganos proporcionada pela percepção sensorial.
O autor também discute a concepção platônica da justiça, abordando a famosa obra "A República". Nela, Platão descreve uma sociedade ideal, onde a justiça é entendida como a harmonia entre as três partes da alma humana e as três classes da sociedade (governantes, guardiões e produtores). Strathern destaca a crítica de Platão à democracia ateniense, apontando como ele acreditava que a democracia, em sua forma pura, geraria o caos e a tirania, sendo, assim, um dos aspectos que mais o distanciavam dos ideais democráticos da sua época.
Pontos Positivos:
A grande força do livro é a sua capacidade de simplificar e condensar o pensamento de Platão sem, no entanto, perder os principais aspectos da filosofia platônica. Strathern consegue traduzir complexos conceitos filosóficos em uma linguagem acessível, fazendo o livro ser uma excelente introdução tanto para iniciantes quanto para aqueles que desejam uma visão rápida sobre Platão. A estrutura do texto é clara e direta, e o autor utiliza exemplos práticos e comparações com ideias contemporâneas, o que facilita a compreensão.
Além disso, a abordagem histórica e biográfica é útil para situar Platão dentro do contexto da filosofia grega, explicando a importância de sua obra não apenas para sua época, mas também para o desenvolvimento da filosofia ocidental. Strathern também faz uma boa ponte entre o legado platônico e as influências que seus pensamentos tiveram ao longo da história, particularmente na Idade Média e na filosofia moderna.
Pontos Negativos:
Por outro lado, a concisão do livro acaba sendo uma faca de dois gumes. Enquanto a brevidade permite uma leitura rápida, ela também limita a profundidade das discussões. A explicação da teoria das formas, por exemplo, é tratada de forma bastante superficial. Embora o autor aborde o conceito de forma acessível, ele não se detém nas críticas e debates que cercam essa teoria ao longo da história da filosofia. Para um leitor que já tenha algum conhecimento prévio de filosofia, essa falta de profundidade pode ser decepcionante.
Além disso, a obra de Strathern carece de um aprofundamento na crítica que Platão faz à sua própria filosofia, ou até mesmo nas contradições presentes em seus diálogos. A filosofia de Platão não é unívoca e contém diferentes vozes, o que o torna um pensador complexo e multifacetado. O livro de Strathern, no entanto, não explora essas nuances de forma mais detalhada, deixando de lado discussões mais profundas que seriam necessárias para uma compreensão mais completa do filósofo.
Conclusão:
"Platão em 90 Minutos" é uma obra recomendada para quem busca uma introdução rápida e acessível ao pensamento de Platão, mas que não se propõe a ser um estudo acadêmico aprofundado. Para aqueles que não têm familiaridade com a filosofia ou com Platão, é um ponto de partida interessante. No entanto, para leitores mais exigentes ou estudiosos da filosofia, o livro pode parecer raso, deixando de lado discussões fundamentais para uma compreensão mais completa da obra do filósofo grego.
Por isso, atribuo 3 de 5 estrelas ao livro. Ele cumpre seu papel de introdução, mas não vai além disso, deixando uma sensação de que há muito mais a ser explorado no vasto e complexo universo de Platão.