Paulo Prado lançou a tese, em 1928, que a formação do brasileiro se dava a junção de dois fatores principais. O primeiro é a luxúria, que encontra sua vertente tanto no índio, no europeu e no africano; a colonização foi marcada por uma ambiente extremamente liberal em termos de sexualidade. O segundo fator seria a cobiça, que encontrou seu símbolo maior na corrida pelo outro, na capacidade de tudo abandonar pela esperança, mesmo que ténue, em encontrar o metal. Essas duas características tornaram o brasileiro um povo triste, tanto pelo desperdício de suas energias na sexualidade quanto pela frustração de não conseguir o ouro desejado. Esse homem triste se tornou pronto para receber as influências do romantismo europeu, gerando uma revolta constante e uma rejeição de toda tradição e sabedoria. O Brasil é resultado dessa equação e por isso mesmo condenado a um quadro quase estático de país que poderia ter sido. O mais interessante no ensaio de Prado é o pós-escrito, quando de forma um tanto caótica, por pinceladas, descreve o quadro brasileiro da década de 20, muito semelhante ao que temos hoje. Se a tese de Prado for verdadeira, fica patente que nunca nos livramos dessa herança e temos até hoje esta aliança entre luxúria e cobiça, que se traduz no sexo e poder. Basta ver como escândalos sexuais e políticos andam juntos.