Fernando Morais é generoso, nesta biografia, com um personagem que deveríamos felicitar apenas pelo fato de já ter morrido.
Se, por um lado, devemos a Francisco de Assis "Chateaubriand" Bandeira de Melo a criação do MASP (convertido em fundação, na década de 50, apenas como expediente para fugir de uma dívida), não é como benemérito que sua figura ganha relevância histórica.
O maior legado desse que foi o proprietário da maior cadeia de comunicação que o Brasil já conheceu (85 veículos espalhados por todo o país, em seu auge, incluindo jornais, revistas, rádios e emissoras de TV), como bom monopolista, é sua síntese das ideias de livre expressão e de iniciativa privada: quem quiser ter opinião, que compre seu próprio jornal.
E tudo isso funcionaria bem, naturalmente, caso a opinião ou o empreendimento jornalístico não entrassem em conflito com os interesses do dono dos Diários Associados. Samuel Wainer que o diga.
De resto, como descrição comportamental, talvez seja uma ótima ilustração para o conceito de "homem cordial", de Sérgio Buarque de Hollanda.