Sam Shepard é ator e dramaturgo, e já escreveu cerca de 40 peças de teatro. Ganhou o Prémio Pulitzer pela escrita de 'Burried Child'.
Não o conhecia como autor, mas quando vi a referência ao seu papel de argumentista do 'Paris, Texas', de Wim Wenders, e à sua atividade como ator, rapidamente o identifiquei.
Li, na badana no próprio livro, que a sua obra é 'prosa rápida, despojada e concisa. O seu teatro tende para o delírio verbal e efeitos quase surreais'.
Não podia concordar mais. Este livro, que apresenta pensamentos, poemas, cartas, escritas entre os finais dos anos 1970 e inícios de 1980, com teor autobiográfico,tem frases curtas, concisas, quase telegráficas. Um 'tom' (se é que podemos intuir o tom do autor quando escreve) mais descritivo do que refletivo. Por vezes, seco, ríspido na sua abordagem às memórias que tem da mãe e da infância, situações nas filmagens e em quartos de motel, viagens de comboio, abandono.
No geral é um livro que causa desconforto, não conheço a vivência dos anos retratados, nem o Texas. Existem histórias e relatos desconfortáveis, e por outro lado, algumas frases que encantam, que nos deixam a pensar, e com um sorriso nos lábios.