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À noite logo se vê
No tempo inteiro de quatro anos, quatro, não nasceu criança, uma que fosse, menino ou menina, na aldeia do Roseiral; tampouco consta enlace de noivos; apenas os finados, quarenta e três, estendidos com esmero na letrinha do calígrafo. Então, mas então, que diabo, alguma desgraça terá acontecido, hão-de concluir os investigantes, atrevendo-se a suspeitar maldosamente:
pronto, nesta altura entra o prodígio, o genuíno bicho de sete cabeças, se não tantas, umas quatro ou cinco, de qualquer modo alimária medonha e de preferência ave, mas sem asas, digamos pássaro da família dos helicópteros, tapando o sol - e uivando tão terrivelmente que teria deixado estéreis as damas de Roseiral ou incapazes os valetes.
Truque miúdo, golpe baixo, para encaixar a ocorrência na delicada área do fantástico.
Enganam-se: nesta narrativa, assunto sério, não cabe tão duvidosa aparição.
Na verdade, tudo foi mais fantástico ainda.
Mário Zambujal
pronto, nesta altura entra o prodígio, o genuíno bicho de sete cabeças, se não tantas, umas quatro ou cinco, de qualquer modo alimária medonha e de preferência ave, mas sem asas, digamos pássaro da família dos helicópteros, tapando o sol - e uivando tão terrivelmente que teria deixado estéreis as damas de Roseiral ou incapazes os valetes.
Truque miúdo, golpe baixo, para encaixar a ocorrência na delicada área do fantástico.
Enganam-se: nesta narrativa, assunto sério, não cabe tão duvidosa aparição.
Na verdade, tudo foi mais fantástico ainda.
Mário Zambujal
168 pages, Paperback
First published January 1, 1986
About the author
Mário Zambujal
31 books106 followersJornalista e escritor português, nascido em 1936, trabalhou na televisão e em jornais como A Bola, Diário de Lisboa e Diário de Notícias, em especial na área do desporto. Publicou três livros de ficção: Crónica dos Bons Malandros, em 1980, que teve grande sucesso e deu origem a uma longa-metragem de Fernando Lopes; Histórias do Fim da Rua, em 1983; e À Noite Logo se Vê, em 1986.
Fonte: http://www.wook.pt/authors/detail/id/...
AUTOR
Nasceu em Moura, Alentejo, em Março de 1936 e iniciou a sua actividade nos jornais, ainda adolescente, no semanário satírico Os Ridículos. Como jornalista profissional, foi redactor de A Bola e de O Jornal, chefe de redacção de O Século e do Diário de Notícias, director-adjunto do Record, director do Mundo Desportivo e Tal & Qual, director-fundador do Sete.
Da imprensa escrita passou para a RTP onde criou, dirigiu e apresentou programas diversos. Nos domínios da ficção, escreveu para rádio, teatro, televisão e publicações várias. Em 1980 lançou o seu primeiro livro Crónica dos Bons Malandros, também adaptado ao cinema, e desde então tem publicado inúmeras obras.
Fonte: http://www.wook.pt/authors/detail/id/...
AUTOR
Nasceu em Moura, Alentejo, em Março de 1936 e iniciou a sua actividade nos jornais, ainda adolescente, no semanário satírico Os Ridículos. Como jornalista profissional, foi redactor de A Bola e de O Jornal, chefe de redacção de O Século e do Diário de Notícias, director-adjunto do Record, director do Mundo Desportivo e Tal & Qual, director-fundador do Sete.
Da imprensa escrita passou para a RTP onde criou, dirigiu e apresentou programas diversos. Nos domínios da ficção, escreveu para rádio, teatro, televisão e publicações várias. Em 1980 lançou o seu primeiro livro Crónica dos Bons Malandros, também adaptado ao cinema, e desde então tem publicado inúmeras obras.
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Community Reviews
Displaying 1 - 11 of 11 reviews
January 21, 2014
Depois de O Diário Oculto de Nora Rute que me deixou desconsolada por ser tão curto, era necessário continuar a ler Mário Zambujal para, na minha cabeça, tentar associar um estilo ao autor. Escolhi um clássico: À Noite Logo Se Vê.
«No tempo inteiro de quatro anos, quatro, não nasceu criança, uma que fosse, menino ou menina, na aldeia do Roseiral;» e está dado o mote, é preciso esclarecer este imbróglio. Catástrofe natural, obra do fantástico ou conjunto de acasos, alguma explicação terá de ser encontrada e ninguém melhor do que Guilhermino João Ukkonen Miralva para o fazer, afinal, diz o próprio: «Desde fedelho sonhava eu dedicar-me ao estudo de fenómenos, bruxas, fantasmas, assombrações, vozes do Além e tal, mas nunca me deram uma mãozinha de apoio, família ou entidades competentes.».
Enquanto as investigações ocorrem, fazem-se alguns desvios absolutamente necessários para relatar várias outras histórias tão ou mais fantásticas («Suponho que me acusam já de indisciplina narrativa, atardo-me em casos laterais ao objectivo anunciado (...)»). Num livro que se lê demasiado depressa, garanto que haverá tempo para tudo («Acode-me agora o exemplo de Quinzinho Pontual, história importante que gostaria de contar, se dispusessem de algum pouco tempo, sem prejuízo de vossos quefazeres e urgências.»).
Adequada a todas as idades, esta leitura faz-nos rir do insólito da vidinha do comum dos mortais tornando-se o antídoto perfeito para dias de enfado. No final, concordaremos que haverá sempre espaço para autores que recorram à comicidade da desgraça do quotidiano, damos-lhes as boas vindas à equipa de que Machado de Assis será sempre o indiscutível capitão.
«No tempo inteiro de quatro anos, quatro, não nasceu criança, uma que fosse, menino ou menina, na aldeia do Roseiral;» e está dado o mote, é preciso esclarecer este imbróglio. Catástrofe natural, obra do fantástico ou conjunto de acasos, alguma explicação terá de ser encontrada e ninguém melhor do que Guilhermino João Ukkonen Miralva para o fazer, afinal, diz o próprio: «Desde fedelho sonhava eu dedicar-me ao estudo de fenómenos, bruxas, fantasmas, assombrações, vozes do Além e tal, mas nunca me deram uma mãozinha de apoio, família ou entidades competentes.».
Enquanto as investigações ocorrem, fazem-se alguns desvios absolutamente necessários para relatar várias outras histórias tão ou mais fantásticas («Suponho que me acusam já de indisciplina narrativa, atardo-me em casos laterais ao objectivo anunciado (...)»). Num livro que se lê demasiado depressa, garanto que haverá tempo para tudo («Acode-me agora o exemplo de Quinzinho Pontual, história importante que gostaria de contar, se dispusessem de algum pouco tempo, sem prejuízo de vossos quefazeres e urgências.»).
Adequada a todas as idades, esta leitura faz-nos rir do insólito da vidinha do comum dos mortais tornando-se o antídoto perfeito para dias de enfado. No final, concordaremos que haverá sempre espaço para autores que recorram à comicidade da desgraça do quotidiano, damos-lhes as boas vindas à equipa de que Machado de Assis será sempre o indiscutível capitão.
December 22, 2024
Esta forma de escrita é incompatível com o meu cérebro.
December 30, 2025
(ri com vontade)
May 14, 2012
Foi o meu segundo livro do Mário Zambujal, dele ainda só tinha lido a Crónica dos Bons Malandros.
É uma escrita cheia de humor e imaginação, a começar pelo enredo, passando pelas pequenas histórias secundárias que enriquecem a narrativa, até aos nomes das personagens que não lembrariam a ninguém... :)
Sem dúvida, um livro que nos deixa bem dispostos!
É uma escrita cheia de humor e imaginação, a começar pelo enredo, passando pelas pequenas histórias secundárias que enriquecem a narrativa, até aos nomes das personagens que não lembrariam a ninguém... :)
Sem dúvida, um livro que nos deixa bem dispostos!
April 12, 2025
(PT) Um jornalista... dizendo melhor, um tradutor de enciclopédias, de seu nome Guilhermino Miralva, é contactado por uma pessoa para que tente resolver um mistério com alguns anos sobre a razão porque numa determinada vila, de seu nome Roseiral, não nasceu ninguém. O mistério acaba por ser descoberto, mas a resposta é, no mínimo, desconcertante.
Enquanto juntava os dados, algumas estórias apareciam pela mente de Miralva, uma tão desconcertante que outra.
"À Noite Logo Se Vê" é o terceiro romance de Mário Zambujal. Publicado em 1986, é uma estória intrincada em contos, onde o fantástico abunda. Com alguns elementos de realismo mágico, para quem leu coisas como "Crónica dos Bons Malandros", é mais modesto, embora com elementos interessantes.
É um bom livro para quem quer descontrair, não muito mais.
Enquanto juntava os dados, algumas estórias apareciam pela mente de Miralva, uma tão desconcertante que outra.
"À Noite Logo Se Vê" é o terceiro romance de Mário Zambujal. Publicado em 1986, é uma estória intrincada em contos, onde o fantástico abunda. Com alguns elementos de realismo mágico, para quem leu coisas como "Crónica dos Bons Malandros", é mais modesto, embora com elementos interessantes.
É um bom livro para quem quer descontrair, não muito mais.
August 2, 2023
Todo o mistério tem explicação, podendo a explicação ser inexplicável.
Mas aprendi há muito que impulsos e melões, os primeiros não prestam.
Da-me tempo, não me dês as horas.
Não haverá próxima vez. Então na outra a seguir a próxima.
Sozinha não entro. Sobes comigo, preciso de um homem que me defenda. E onde vamos descobrir um homem a esta hora, Natinha?
O pior da ignorância é julgar se sabedoria.
September 8, 2026
"Nunca um mistério foi investigado com tanto humor", diz a capa. Isso não sei. Mas Mário Zambujal é daqueles escritores que captam como poucos a graça de se ser português. É um ótimo livro, talvez melhor ainda se lido nas férias.
July 8, 2021
3.5*
Uma história humoristica sobre um homem apaixonado pelo sobrenatural, que pretende descobrir porque é que numa aldeia não surgem bebés nos últimos anos.
Uma história humoristica sobre um homem apaixonado pelo sobrenatural, que pretende descobrir porque é que numa aldeia não surgem bebés nos últimos anos.
December 27, 2011
É sempre divertido ler Mário Zambujal, com as suas personagens tão vincadamente portuguesas. Infelizmente, são sempre livros pequenos...
September 29, 2022
Livro #3 #LivroSecretoVEdição. Não sei se gostei muito desse livro, mas teve coisas engraçadas.
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