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Onde pastam os minotauros

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Onde pastam os minotauros dá sequência aos romances anteriores de Joca Reiners Terron, nos quais a diagnose selvagem da realidade social se expressa por meio de uma fabulação perturbadora. Mitologia, poesia e tragédias recentes do país surgem numa trama cheia de suspense, narrada quase minuto a minuto no transcorrer de um dia, mas também pontuada por visões do passado recente e longínquo, como fragmentos de sonho compondo um único e grande pesadelo.

204 pages, Kindle Edition

Published July 10, 2023

7 people are currently reading
108 people want to read

About the author

Joca Reiners Terron

41 books49 followers
Joca Reiners Terron nasceu em Cuiabá, em 1968, e vive em São Paulo. Poeta, prosador, tradutor e designer gráfico, foi editor da Ciência do Acidente, selo que resgatou nomes importantes da literatura brasileira do final do século XX, como José Agrippino de Paula, Manoel Carlos Karam e Valêncio Xavier, e pela qual publicou o romance Não há nada lá (depois relançado pela Companhia das Letras) e o livro de poemas Animal anônimo. É autor também dos volumes de contos Hotel Hell, Curva de rio sujo e Sonho interrompido por guilhotina. Dele, a Companhia das Letras publicou Do fundo do poço se vê a lua, vencedor do prêmio Machado de Assis na categoria melhor romance. É criador e curador da coleção “Otra Língua” (Editora Rocco) que divulga autores inéditos e resgata relevantes escritores da América Latina, como Mario Levrero do Uruguai, Julio Ramón Ribeyro do Peru e Guadalupe Nettel do México.

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5 stars
33 (37%)
4 stars
33 (37%)
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1 (1%)
1 star
3 (3%)
Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Sara Fritz.
52 reviews13 followers
August 9, 2023
Fiquei envolvida de uma forma que não ficava há tempos, não tanto pelos personagens, mas pela narrativa como um todo. Achei muito sensível, muito certeiro e as seções dos bois são simplesmente incríveis.

Vou deixar aqui uma parte do texto da orelha que resume bem do porquê eu gostei:

Povoado por figuras reconhecíveis do noticiário e por minotauros e espectros de várias estirpes, este romance é um misto de thriller e alegoria centrado na revolta de alguns oprimidos contra a tirania do capital e o desastre civilizatório. Ao mesmo tempo, é uma reflexão visceral sobre a cegueira que nos faz matar o ambiente, os outros animais e, de novo e de novo, uns aos outros.

Eu não diria pra ir ler esperando um thriller com muito suspense e reviravoltas e uau, porque não é isso. A narrativa até puxa pra uma curiosidade dos acontecimentos e tal, mas não foi bem isso que me pegou, foi mais como esses desdobramentos iam se ligando a essa reflexão da realidade. Parece um daqueles livros que o autor teve que escrever, que ele não pode se aguentar, sabe?

A construção de cenário é muito boa também e eu me peguei ontem a noite um bom tempo pesquisando sobre curral circular e matadouro e abate religioso, enfim, incrível, ambientação 10/10.

Intimo todos meus amigos a lerem, é isso.
Profile Image for Arthur Dal Ponte Santana.
117 reviews15 followers
November 5, 2023
Tá, finalmente entendi qual minha pira com esse livro:

O livro é um thriller, o que, concordando com minha amiga Sara, não é tanto o ponto central. O que quero dizer é que a forma do thriller funciona mais como um veículo para uma outra reflexão mais do que um fim em si mesmo, de modo que a importância do desenvolvimento do suspense dessa obra se dá em relação à maneira que ele funciona para expor o que Terron quer falar.

O que Terron quer é explorar as relações sobre nosso consumo de carne, nossa forma de higienizar a matança e de como isso, paralelamente, nos desumaniza (não só no sentido "meat is murder" da coisa, mas no sentido de alienação mesmo). Pensando a vida no matadouro em relação com outras formas de matança, ele expõe a própria relação que temos com o trabalho, como ela se modifica ao longo do tempo e como nós nos modificamos com ela.

O que me quebra um pouco é que, de início, Terron faz isso de uma maneira interessante, gotejando doses homeopáticas de explicação teórica em um livro de frases secas, mas termina o suspense com uma resolução amarga com aspectos de mártir. Essa resolução expressa a própria forma que a reflexão de Terron se ordena: cada vez mais clara, cada vez menos dispersa, a coisa se torna muito direta até um ponto que a obra parece trair a si mesma. Aquilo que começa como uma reflexão aberta e vagarosa em seu construir vira algo direto ao tornar-se uma quase história de revelação messiânica.

Que o final seja amargo, pouco importa: a coisa já se resolveu. Os animais já explicaram tudo. Tudo é uma grande metáfora para capitalismo e o escambau.
Profile Image for Solange Cunha.
283 reviews44 followers
October 13, 2024
3.5
Um estilão Bacurau. O livro tem capítulos curtos e conta a história de funcionários de um matadouro que buscam uma vingança. Mas não é só isso: tem críticas ao capitalismo, a precarização do trabalho, ao consumo alienado, a falsa generosidade dos patrões; até questões religiosas e conflitos geopolíticos têm aqui. O andar em círculos, em um labirinto é uma metáfora para nós que também estamos nessa roda, alienados.

Achei até muito didático, não precisava tanto de frases de impacto. As críticas já estavam postas nos fatos, senti que Joca fez questão de explicar demais.

Gostei muito da estética gráfica do final.
Profile Image for Pedro Adegas.
169 reviews3 followers
February 29, 2024
4,5.
Fiquei de cara com esse livro e com a forma explicita que trata de temas tão importantes e sensíveis. Achei que ia ser mais informativo, mas me vi preso dentro de um thriller e de um abatedouro de bois no interior do Mato Grosso, de onde eu não consegui sair até terminar o livro!
Profile Image for giuseppe.
30 reviews
November 27, 2025
(...) mas não é uma tristeza como a nossa, de quem não tem voz, e sim a tristeza de quem tem voz mas não pode exprimir nada, e mesmo se pudesse, de nada adiantaria, em nada alteraria o rumo das coisas.

Não parecem saber o que fazem aqui ou o que é a felicidade, e mesmo que frangos assados revoassem por todos os lados e eles pudessem colhê-los no ar como a uma fruta madura, ou mesmo se voltassem a saber como apanhar a comida que nasce pronta e cozida a seus pés, ou que o amor fosse algo simples e banal, deparável em cada esquina, barato e frequente, ao alcance de qualquer um, ainda assim acabariam entediados e se matariam uns aos outros, como já o fazem sem nenhum propósito compreensível, agora que não há nada a comer sendo migalhas e carcaças, e se matariam uns aos outros quando restasse algum tutano para ser sugado de uma costela ou fêmur cavado nas fossas

É o único lugar que existe, o estrangeiro. E costuma estar cercado de grades.
(...)
Nunca conheci minha casa verdadeira, diz Ahmed, sempre estive preso fora dela.


Arrastam detrás de si uma série de coisas que não sabemos o que são, as quais no entanto lhes parecem ser importantes.

A despeito de creditarem ao seu deus a violência que praticam, perderam qualquer sentido de compreensão do sagrado. Não entendem o pasto, e mesmo que não consigamos ver as estrelas diretamente, algo que também ignoramos, o céu, eles conseguem vê-lo, a despeito de verem nas estrelas apenas uma via de escape. De si mesmos. Ao contrário de nós, que nos sabemos bem enraizados no pasto circular, eles se sentem prestes a se desprenderem no espaço. Talvez tenham sido pássaros, como esses que se alimentam dos carrapatos em nosso lombo, e tudo se resuma à nostalgia do voo perdido.
Ao desejo de partir.
Nós só podemos ver o céu refletido na beira da lagoa ou nas poças deixadas pela chuva, apenas uma nesga dele, estrelas turvas, sinais tardios de mundos extintos. Nossa fatalidade é sermos devorados por quem nos amam. A deles é matar a quem amam.


A única regra de partir é que ao voltar não se é mais o mesmo. Talvez não sejam mais aquelas pessoas, talvez ao perderem uma parte essencial de si (...), as pontas que restam se soltem para sempre no ar, num laço desfeito.
Profile Image for Ivan.
Author 3 books4 followers
January 23, 2024
Em um canto sem nome do interior do Mato Grosso, um matadouro de proporções industriais se impõe sobre a paisagem árida tomada por plantações de soja. Em suas grades, uma verdadeira legião de desesperados se aglomera pedindo por algum naco de carne para se alimentarem e alimentarem os seus. Mas o matadouro não lhes dá mais do que ossos: seus produtos são exclusivos para a exportação, para o lucro dos donos. Nem os próprios funcionários tem acesso à carne que cortam dos ossos dos bois, e os que tentam furtar algo acabam se somando à multidão do lado de fora. Enquanto isso, uma pandemia vai ceifando os incautos.
Nesse mundo sombrio onde a fome impera, Joca Reiners Terron desenha a narrativa de seu novo romance, Onde Pastam os Minotauros. O romance conta a história de três trabalhadores do matadouro que não possuem nomes, apenas apelidos: o Cão, o Crente e Lucy Fuerza. Nascidos e crescidos naquelas terras, viram a região ser dominada pela soja e pelo matadouro, ambos produzindo alimentos para outros, não para eles.
O Cão e o Crente atuam nas operações antes e após o abate, enquanto Lucy é secretária dos patrões, que se preparam para uma importante visita burocrática ao matadouro. Juntos, os três armam um plano secreto, extremamente perigoso, que pode significar a liberdade ou a morte do trio.
Contado de forma espiralada, o livro acompanha o dia fatídico da visita burocrática, enquanto capítulos pontuais contam a história da região e daqueles personagens, cujas histórias se misturam às dos bois que seguem todos os dias para a morte certa. Nesse vai e vem entre a tensão do presente e o contexto do passado, surgem aqui e ali capítulos narrados do ponto de vista dos bois, que, observadores privilegiados do pior lado da humanidade, nos apontam os absurdos que normalizamos, ou para os quais escolhemos não olhar, sem saber que fazemos essa escolha todos os dias.
Dessa forma, Joca cria, na linha de seus últimos dois romances (A Morte e o Meteoro, e O Riso dos Ratos), um retrato dos absurdos em que estamos enfiados, jogando uma luz em toda a sujeira que o tapete ainda luta para esconder.
Profile Image for José Maria.
40 reviews
September 3, 2024
“O zen e a arte de abater animais”, ou O conto do Minotauro, só que da perspectiva dos bois. Terron segue à risca um roteiro de elaboração do romance tanto em plano estrutural quanto conceitual. Dos currais inspirados por Temple Grandin à própria narrativa não-linear, o conceito da espiral zen e a mandala são o fio da meada que orienta a obra. O parco desenvolvimento dos personagens cumpre uma função de denegação de individualidade, comum ao gênero neorrealista ou neonaturalista. Há apenas dois personagens nomeados. A primeira é Lucy. Funcionária do setor de recursos humanos do abatedouro, é uma personagem que contribui para a textura "primitiva" da obra (daí seu nome ser provável referência ao fóssil de Australopithecus afarensis descoberto em 1974; a "primeira humana"); é amante do Cão, a quem apenas chama de "meu animal". A segunda personagem nomeada é o palestino Ahmed, gancho narrativo utilizado para articular os paralelismos conceituais entre o abate sem fim no matadouro e o conflito sangrento e igualmente sem perspectiva de solução na Ásia Ocidental. Em tempo, uma das linhas do enredo trata da expansão do complexo matadouro halal - encabeçada por patrões também não nomeados, apenas chamados "irmão um" e "irmão dois" - para comportar também o abate kosher, o que implicaria a convivência conflituosa entre trabalhadores muçulmanos e judeus. O núcleo central da história é a relação entre o Cão e o Crente. Ambos nascidos e criados nos currais dos abatedouros do interior mato grossense da década de 1980. Cada um a seu modo buscando escapar do labirinto. Labirinto do qual só se escapa matando ou morrendo.
Profile Image for Liv Aragão.
4 reviews
January 14, 2024
eu comprei esse livro depois de vê-lo na livraria uma semana antes, e passar essa semana todinha me lembrando do tema dele. da história, da capa e do título que me chamaram a atenção em meio às lombadas de tantos outros livros.

a palavra que mais se adequa a esse livro é “grotesco”. uma agonia, ao ponto de ser quase palpável a sensação de sangue quente na terra seca. a falta de esperança de um futuro para os personagens, que já nasceram condenados (como o próprio texto explicita em uma das passagens) envolve o leitor em uma desolação, e numa curiosidade sobre como eles escaparão da situação.

ao meu ver, os temas abordados nessa história são muito representativos do brasil atual, desde o agronegócio até a pandemia. a escrita consegue ser bruta mas de muito bom gosto, e prende o leitor

o fluxo na narrativa faz com que seja quase impossível encontrar pontos para encerrar a sessão de leitura, então li esse livro em três sessões de leitura, sendo a última de 3 horas seguidas.

no geral, considero que é uma obra excelente e que inicialmente me envolveu com sentimentos negativos (especialmente ao abordar a pandemia, o que foi algo que passou batido quando li a sinopse na orelha, e sou levemente traumatizada com tudo que envolva esse acontecimento), mas que foram substituídos por curiosidade e emoção a cada página lida.
Profile Image for Felipe Lima.
634 reviews
February 13, 2024
Onde pastam os minotauros - Joca Reiners Terron
Lido 13/02/2024 📖
Nota: 4.5 ⭐
⭐⭐⭐⭐⭐ Premissa ou Primeiras Impressões
⭐⭐⭐⭐⭐ Protagonista(s)
⭐⭐⭐ Personagens secundários
⭐⭐⭐⭐ Conexão com a História
⭐⭐⭐⭐ Page-Turner
⭐⭐⭐⭐ Temas importantes ou Representatividade
⭐⭐⭐⭐ Universo ou Ambiente
⭐⭐⭐⭐⭐ Elemento Surpresa ou Plot Twist ou Final
⭐⭐⭐⭐ Escrita ou Narrativa
⭐⭐⭐⭐⭐ Frases ou Citações
Profile Image for Marcus Gasques.
Author 9 books15 followers
December 15, 2024
O abismo social entre explorados e exploradores, o massacre de uma família na Faixa de Gaza, o abate industrial e doloroso de gado para atender princípios religiosos e, como pano de fundo, a pandemia de Covid-19. O romance de Joca Reiners Terron evoca todos esses elementos em uma narrativa forte com muito suspense, mitologia, presente e passado.
Profile Image for Lucille.
1,373 reviews21 followers
May 31, 2024
uma obra bastante poética, em que a história vai e vem, trazendo diversas reflexões e aborda de modo muito explícito a exploração do trabalho, com diversas analogias e paralelos bem interesses, que foram bem explorados!
Profile Image for Yago Gonçalves.
26 reviews
January 15, 2025
Fenomenal! Joca escreve lindamente, a história é foda e as ultimas 15 páginas são de tirar o fôlego, livraço!
Profile Image for Nicky.
5 reviews
May 27, 2025
um livro que você não consegue soltar até terminar de ler, os capítulos distribuídos de forma genial, você entra na história e sente a aflição de todos os personagens.
Profile Image for vivs.
23 reviews
September 16, 2025
Gostei particularmente das partes do papel da religião na pandemia e dos povs dos bois no curral
7.5/10
Profile Image for Marina.
81 reviews1 follower
July 10, 2024
Grandíssimo! Recomendo fortemente
Displaying 1 - 17 of 17 reviews

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