Quando escolhi ler este livro, vários factores estiveram subjacentes... O reconhecido sucesso dos anteriores livros do autor (embora não sejam romances), o nunca ter lido nada dele e a sinopse. Mais que a sinopse talvez o conceito "inovador" que está por detrás. Refiro-me ao ter pegado na história de José, pai de Jesus, desde o nascimento do primeiro até à morte do segundo, e ter escrito um romance. E, francamente, nunca supus que fosse tão bom...
De uma forma soberba e irrepreensível, Nuno Lobo Antunes escreve um livro que, apesar de não se ler de um só fôlego, tem uma escrita absolutamente genial/sedutora/... Rica em metáforas que, várias vezes, me fizeram reler passagens que me marcaram profundamente. Não tanto pelo conteúdo em si mas pela forma como são apresentadas. Se não soubesse nunca diria que era um primeiro romance.
Julgo que é uma obra que pode originar opiniões antagónicas, tendo em conta o seu estilo. Mais que isso até o próprio conteúdo. A quem pouco ou nada a religião diz aconselho a ler o livro de forma isenta, desempoeirada, esquecendo o cerne do mesmo. Para aqueles que se interessam por estes temas julgo que o "saldo" final será de um superar de expectativas, como foi o meu caso. Em ambos os casos penso que será denominador comum o reconhecimento da mestria como Nuno Lobo Antunes tece a trama. Mesmo sendo apreciadora entre o equilíbrio entre discursos directo e indirecto, numa narrativa, achei que a predominância do segundo, na sua quase totalidade, é uma mais valia. Diria até que, em caso contrário, o livro não tivesse o mesmo valor.
Único ponto negativo: o recurso excessivo à expressão "De pronto". Fora isso, gostei imenso e recomendo em absoluto. A crentes e não crentes...