Jump to ratings and reviews
Rate this book

Os Demónios de Álvaro Cobra

Rate this book
A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com um mês já tinha dois dentes, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes - mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado. A sua estranheza impediu-o, porém, de arranjar mulher, mas o encontro com a filha de um nómada que vende torrão doce na Feira de Setembro promete mudar esse estado de coisas, ainda que a união traga surpresas (nem sempre agradáveis) quer ao próprio lavrador, quer às mulheres da sua família: a bisavó Lourença, que conta cento e cinquenta anos mas guarda invejável lucidez; a mãe, que consegue trabalhar a terra com uma mão e cozinhar com a outra; ou mesmo Branca Mariana, a irmã excessivamente febril que vive prostrada numa cama onde os lençóis chegam a pegar fogo. Do casamento atribulado, nascerá Vicente, o filho de quem se espera uma existência completamente distinta da do pai. Porém, tratando-se de um Cobra, nunca fiando…

Ao ficcionar uma aldeia alentejana em finais do século XIX - na qual judeus, árabes e cristãos andam às turras e os mitos ganham terreno à realidade -, Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.

238 pages, Paperback

First published January 1, 2013

Loading...
Loading...

About the author

Carlos Campaniço

13 books9 followers
Carlos Campaniço nasceu em Safara, no concelho de Moura, em Setembro de 1973.
É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, pela Universidade do Algarve, onde adquiriu também o grau de Mestre em Culturas Árabe e Islâmica e o Mediterrâneo. Vive há dezassete anos em Faro e é Director de Programação do Auditório Municipal de Olhão, o mais recente teatro do Algarve.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
8 (21%)
4 stars
18 (47%)
3 stars
9 (23%)
2 stars
2 (5%)
1 star
1 (2%)
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Catarina Graça.
45 reviews15 followers
May 24, 2016
Gostei muito do “Demónios” e de todas as suas personagens. Álvaro Cobra que morreu duas vezes, nunca viu o mar e conversa com o pai, que morreu só uma vez mas completamente. O errante subversivo Benalma que diz mal do padre ocioso, dos santos e da Igreja em geral. Mais a prostituta Margot com o seu espectáculo de luz e cor. Maria Braz com as suas mãos diferentes, uma gorda outra magrinha. A avó que parece que já morreu e esqueceu-se de avisar. A Clarinha nómada que é obrigada a casar com o velho Álvaro e a lançar âncora numa única terra contra sua vontade. Tive pena que a Clarinha se sumisse a meio da história, fiquei com curiosidade de saber mais sobre ela.
Estranhamente ou não lembrei-me muitas vezes dos livros que li da Isabel Allende, com as suas personagens fora do vulgar. Menos a parte dos grifos, esses fizeram-me lembrar os abutres do Lucky Luke.
Gostei também do bom humor existente aqui e ali:
“...Álvaro Cobra, mais bruto do que uma mula, nem ouviu as últimas ameaças do padre e deixou-o a pregar para as hortaliças sequiosas, ideia que nem o sábio Vieira havia alguma vez cogitado por ter na fé melhores ouvintes entre os povoadores marinhos.”
“... Benalma ... Inventou, na sua cabeça feita para as invenções, que o padre se chamava Jesuíno porque tinha herdado Je do pai e suíno da mãe.”
“Quando os grifos o viram com tão pouca vontade julgaram-no doente. Discutiram às bicadas os melhores lugares no telhado... – São uns ingratos, estes cabrões! – desabafou Álvaro com a mãe, depois de uma noite de insónias com o rosnar dos necrófagos. – Fingem-se afeiçoados, mas no fundo estão à espera que eu morra para me comerem.”
Em resumo, boa história, bem contada vale muito a pena.

http://ler-por-ai.blogspot.pt/2014/08...
Profile Image for Vasco Ribeiro.
22 reviews
February 5, 2026
Adorei. Uma imaginação que me fez rir, dentro de todo o drama.
Até para um ser extraordinariamente anormal, a Alma tem um limite para o sofrimento.

Bela surpresa.
Profile Image for Patrícia.
208 reviews1 follower
August 26, 2014
Que personagem, o nosso Álvaro, homem rude e de rompantes tamanhos e que é, sem dúvida, inesquecível. Maria Braz, uma alentejana com duas mãos diferentes, Clarinha do torrão doce que tem vontade de ferro e alma de nómada. Lourença que viveu duas vidas. Vicente, que por amor é capaz de dar a vida, a alma, a voz.
Álvaro Cobra e os seus prodígios arrancaram-me gargalhadas às primeiras páginas. Que surpresa tão boa foi ler o Alentejo, rude e pobre, nestas páginas cheias de vida e de imaginação. Que bom ler a tristeza contada com graça e alegria sincera. Que bom livrarmo-nos, ainda que apenas por um livro, do fado e nostalgia. Porque este livro tem nas suas páginas o ser Português contado de outra forma, tem um padre, vários judeus e até um indiano. Tem crenças e mezinhas. Tem a mistura que nos está no sangue e que tantas vezes recusamos. Cristãos, Judeus, Muçulmanos. Tudo bem misturado e criado sob o sol Alentejano dá nisto. Ah e tem grifos, pássaros que cantam à hora certa, febres eternas, gente que morre uma série de vezes e outras que teimam em não morrer, uma cadela que fala e tantas outras deliciosas loucuras que fazem deste um livro a não perder.
Um livro absolutamente fabuloso, maravilhosamente escrito e que me convenceu às primeiras páginas e que não me desiludiu nas últimas.

Um livro que todos deviam ler. Um livro que me deixa orgulhosa porque é de um escritor Português. Por isso ide conhecer o Álvaro Cobra e depois venham cá dizer-me o que acharam.
Profile Image for Ana Pardal.
50 reviews4 followers
September 28, 2017
Os Demónios de Álvaro Cobra, de Carlos Campaniço, é um livro que nos transporta para uma aldeia alentejana, nos finais do século XIX, onde coabitam cristãos, judeus e árabes. A personagem principal é Álvaro Cobra, um humilde, simples e estranho agricultor, e a narrativa gira em torno desta personagem e dos seus familiares diretos. É uma história repleta de fenómenos sobrenaturais, crenças e mitos.

A forma de escrita de Carlos Campaniço é simples, mas enriquecedora e o enredo bem construído, no entanto (e apesar de a história estar repleta de pormenores extraordinários) falta um pouco de singularidade à história. Ao terminar o livro fiquei com a sensação que este livro não me trouxe nada de novo e surpreendente, e que encaixa num género de história comum a vários autores portugueses. De qualquer das formas, a leitura não foi enfadonha e foi um prazer conhecer mais um autor nacional.


Excertos do livro:

“Foram horas felizes, aquelas que vieram depois, porque a alma do ser humano de pouco se alimenta, não precisa de razões exactas para ser feliz, basta haver um assomo de esperança para que o fermente em felicidade. E somos, assim mesmo, felizes, sem termos tragado da felicidade, porque do odor se faz líquido bebido.” (pág. 136)
Profile Image for Cristina.
66 reviews
September 7, 2013


Carlos Campaniço recebeu o Prémio Literário Cidade de Almada 2012, pelo seu romance Os demónios de Álvaro Cobra,

Neste romance cruzam-se os temas do amor e morte, da esperança e exaspero. Situada numa aldeia alentejana do século XX, a intriga gira em torno de Álvaro Cobra, uma raridade da natureza, tido ora por santo, ora por bruxo. As alegrias e contrariedades vividas por Álvaro, pela família Cobra e por demais habitantes da aldeia intercalam-se, apegam-se. O retrato de um Alentejo intemporal e do inusitado carácter de um povo que se inventa a si mesmo é feito num ritmo invulgarmente ágil e num tom airoso, que equilibra peripécias risíveis, violentas e de uma imensa ternura.
Profile Image for Cláudia Sofia.
Author 2 books1 follower
November 11, 2013
Sem dúvida, o livro mais original e marcante que li em 2013. Recomendo a toda a gente. Duvido que alguém se arrependa de o ter lido.
Displaying 1 - 6 of 6 reviews