Mistura de lindura deslizante, de acontecências inesperadas, de sustos e nojos, de suspiros e palpitações aceleradas. De descobertas desimportantes, furadas, estalantes, pra ir juntando as peças do quebra-cabeça misterioso e navegar pela plena poesia.
Uma patota estranha, moradora num prédio sem 11.º andar, decide decifrar o que lá se escondia. Bate-papos, percepção da sexualidade explodente, cachorro poliglota, exageros nas invenções, encontros com mulheres-bruxas e mulheres-fadas, arrepios, transformações mágicas em personagens ou adereços de alguns livros, troca de opiniões e de sacações, elevadores quebrados, homenagens. Uma fusão do urbano de agora com o encantamento de sempre.
Uma história sobre apetites. De descobrir, de comer, engolir, expelir, de devorar... De responder a cada curiosidade, se dar mal, se enfiar de cabeça na junção das emoções das histórias vividas e nas lidas.
Uma história sobre cheiros, cores, procura de palavras, temores, querências, misturanças... De labirintos percorridos procurando proximidade com escritores – deuses, de bibliotecas mágicas e infinitas, com respostas para cada pergunta em algum dos livros que guardam para serem lidos ou relidos.
Uma história dum estreante danado de talentoso, que cria diálogos ágeis, que tem humor, que sabe de livros e poesia e demonstra isso sem cara de aula chata, que não foge de palavras cabeludas e precisantes naquela conversa, que fisga o leitor, o deixa fissurado e sem sossego até chegar na última página... mas provocando para recomeçar de outro jeito.
Uma história muito da bem armada, sem preconceitos, e um autor deliciante!! Uma estréia bem mexetiva!!!
(FANNY ABRAMOVICH)