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Nem horizontal nem vertical: Uma teoria da organização política

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Nos anos 2010, uma onda de mobilizações em massa descritas como "horizontais" e "sem líderes" varreu o planeta, prometendo democracia real e justiça para os 99%. Muitos viram seu subsequente desaparecimento como prova da necessidade de voltar àquilo que um dia se chamou de "questão da organização". Mas apesar de ser algo tão frequentemente descrito como essencial, a organização política ainda é um campo surpreendentemente pouco teorizado. Neste livro, Rodrigo Nunes propõe remediar essa falta começando do redefinindo os termos do problema, ele rejeita a confusão entre organização e as formas que ela pode assumir, tais como o partido, e argumenta que a organização deve ser entendida como sempre supondo uma ecologia diversa de diferentes iniciativas e formas organizacionais. A partir de uma ampla variedade de fontes e tradições que incluem a cibernética, o pós-estruturalismo, a teoria das redes e o marxismo, Nunes desenvolve uma gramática que evita oposições fáceis entre "verticalismo" e "horizontalismo", centralização e dispersão, e oferece uma abordagem inovadora para reflexões sobre temas tão antigos quanto espontaneidade, liderança, democracia, estratégia, populismo, revolução e a relação entre movimentos e partidos.

400 pages, Kindle Edition

Published June 28, 2023

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Rodrigo Nunes

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Profile Image for Eduardo Souza.
51 reviews5 followers
May 27, 2024
assim que recebi esse livro pelo circuito ubu, fiz o padrão: dar uma lida na introdução e conclusão. achei a proposta muitíssimo interessante e fiquei encorajado sobretudo pela clareza da escrita de rodrigo nunes. eis aqui um excelente espécime de uma escrita extremamente densa, mas plenamente nítida. a estrutura do seu texto é loquaz e as relações que estabelece são sempre muito lúcidas e explicadas.

nas últimas semanas, retomei o livro para especificar algumas questões com que tenho lidado diante da greve docente federal, deflagrada na minha instituição em 3 de abril. a desmobilização atroz dos colegas e estudantes me levaram à leitura a fim de tentar alguma saída para essa crise. fui diretamente para os capítulos 5 e 7, em que rodrigo faz apontamentos mais diretos para as questões organizativas na contemporaneidade, paradigma que ele denomina uma ecologia.

na introdução, ele diz que o capítulo 5, começa “com uma discussão do conceito de ecologia organizacional” e segue para pensar “os conceitos de liderança distribuída, funções-vanguarda (…), plataformas e núcleos organizativos”. já o capítulo 7 se volta para o que ele denomina do problema da aptidão: “ele se refere às qualidades que um projeto político deve ter para reunir apoio e produzir mudanças dentro de uma determinada conjuntura”.

seções do capítulo 5
[das redes à organização como ecologia]
depois de apresentar alguns fatores que ajudaram a estabelecer o paradigma das redes, nunes vai demonstrar que há uma ilusão de horizontalidade que é prejudicial para a ação (pp. 200-205). superado isto, ele segue para caracterizar uma ecologia: seus precedentes (pp. 205-208); “seis pontos mais gerais” (pp. 208-215). de maneira muito sucinta, o que ele quer demarcar é que qualquer elemento político depende de todos os outros elementos políticos – ainda que qualquer um deles não esteja ciente de qualquer um dos outros.

[como uma ecologia decide?]
aqui (pp. 216-223), nunes vai tentar caracterizar uma ecologia em oposição a organizações “horizontalistas”, analisando os paradoxos que as levam a ansiedade, paralisia e renegação (p. 222).

[horizontalidade sem horizontalismo]
“como seria a horizontalidade se a concebêssemos (…) ecologicamente?” (p. 223) é a pergunta que ele vai tentar responder. é aqui que ele vai caracterizar a liderança distribuída (p. 225), utilizando uma analogia com uma matilha: a liderança torna-se, portanto, uma função, não uma posição. isso leva a pensar núcleos organizativos (p. 230) para apontar que “uma horizontalidade total seria (…) semelhante a um estado de entropia máxima, no qual somente flutuações pequenas e estatisticamente irrelevantes poderiam acontecer” (p. 234).

[vanguardas versus vanguardismo]
ele inicia essa seção apontando “quatro tendências históricas que, pelo menos por ora, parecem irreversíveis” (pp. 236-237) para colocar um paradoxo sobre as vanguardas: o momento de sua maior desconfiança é quando ela está mais amplamente acessível. a partir de uma crítica da noção marxista ortodoxa, ele enfatiza que a vanguarda deve ser pensada 1) como de maneira relacional (p. 238), e; 2) necessariamente experimental e contingente (p. 240). daí que surge a noção de funções-vanguarda (p. 241), de modo que “seu sucesso depende de sua capacidade de atrair apoio, o que significa que deve necessariamente ser concebida levando os outros em consideração” (p. 242).

[ecologia contra o estado]
dialogando com pierre clastres, ele busca aportar o pensamento das sociedades contra o estado para pensar que “a falta de institucionalização, na medida em que deixa o líder sem os instrumentos para impor suas decisões, constrange-o a procurar o apoio do grupo” (p. 244). essa precariedade e incerteza, em certa medida, é o que garante o movimento e o equilíbrio dinâmico de um grupo: “a conservação desse equilíbrio é (…) constantemente contra-balançada pelo imperativo da ação, e cada nova ação pode tanto criar novos diferenciais de poder quanto fortalecer aqueles que já existem” (p. 246). não há como haver garantias.

seções do capítulo 7
[o espectro do populismo]
essa seção estabelece um contexto sucinto da recepção de laclau e mouffe, enfatizando a confusão dos conceitos de “populismo” e “hegemonia”. isso, no entanto, é menos importante. o interesse central aqui é que esses mal-entendidos ajudam a esclarecer o problema que nunes quer colocar: o da aptidão, que “uma preocupação em pensar sobre as qualidades que um projeto político precisa ter para encontrar na conjuntura um encaixe concreto que lhe permita transformá-la” (p. 299).

[populismo: uma pista falsa?]
nessa seção, nunes vai fazer uma revisão de laclau e mouffe acerca do conceito de populismo. inicialmente, ele vai pontuar como os conceitos apresentados no capítulo 5 ajudam a dar tração à ideia de populismo no contexto atual (pp. 299-308). entretanto, ele faz sua crítica central aos autores por submeterem o político à sua dimensão discursiva (pp. 308-310). de todo modo, o que nunes busca aqui é pensar como populismo e hegemonia podem ajudar a mudar as condições dadas para fazer política – e isso nos leva de novo à questão da aptidão.

[aptidão, tensão, direcionalidade]
nunes vai superar uma teoria mecanicista da informação para, apoiado na teoria da informática de george simondon (p. 316), equacionar a ideia de “tensão de informação” ao problema da aptidão (p. 319): é a tensão que produz mudança, estabelecendo novos horizontes do fazer político. nesse sentido, esse é precisamente o “desafio incontornável, caso se deseje agir no mundo, e um problema a ser continuamente gerido” (p. 320).

[pedagogia do mais apto]
nunes tem como objetivo principal superar o abuso da potestas por uma pretensa vanguarda de suposto saber. ou seja, pensar a dinâmica da aptidão, sobretudo a partir da circulação da função-vanguarda. ele aponta que a vanguarda estaticamente definida mimetiza a ideia da educação bancária: a vanguarda deve transferir conhecimento para as massas. portanto, a solução para isso está em dialogar com a pedagogia de paulo freire (p. 323) e clodovis boff (p. 325): à liderança é designado o papel de criar tensão para engendrar mudança – sabendo-se que a distinção entre “educadores” e “educandos” é transitória.

[relacionalmente radical]
nesta seção final, nunes define sua política experimental: “uma política interessada em conceber e testar hipóteses que experimentem com, e expandam, os limiteis do que é possível” (p. 330). aqui, não pude deixar de pensar em sylvain lazarus, que se aproxima muito dessa abordagem. ele argumenta, de maneira muito compreensiva, que “a radicalidade sem realismo é vazia; o realismo sem radicalidade é cego” (p. 332). o que é inevitável, portanto, é a incerteza da política e o trabalho que precisa ser feito para lidar com ela; eis o domínio próprio do político.
6 reviews
January 8, 2026
Bom livro, que joga uma luz num debate que considero urgente: o da forma de organização política. Reúne uma série de autores que não costumam estar nas "cartilhas" das organizações políticas, fazendo, assim, um trabalho essencial de diálogo com as organizações.

Acho que as conclusões deixam muitas pontas soltas, entretanto.
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