“Sabe-se que o futebol teve lugar de relevo no trabalho de jornalista de Fernando Assis Pacheco: reportagens, comentários, colunas regulares, entrevistas... e estas Memórias de um Craque, decerto o mais característico do largo conjunto. Na verdade, valerá menos como pequeno livro sobre futebol do que enquanto testemunho da importância do futebol na infância: fragmento de autobiografia cruzado com narrativa de episódios infanto-juvenis na Coimbra dos anos 40. Como testemunho autobiográfico, é precioso a vários títulos, e não será o menor deles aquele respeitante à própria constituição literária de Fernando Assis Pacheco, que em certos aspectos permaneceu fiel ao pequeno ‘craque’ aqui retratado em clave auto-irónica. A primeira, e até agora única, publicação das Memórias de um Craque fez-se em folhetim no Record, aos sábados, trinta capítulos sem qualquer interrupção entre 22 de Abril e 25 de Novembro de 1972. É esse texto que aqui se reproduz, corrigindo gralhas e lapsos evidentes e actualizando a ortografia nos poucos casos requeridos; porém, não uniformizámos a grafia do vocabulário desportivo de origem inglesa, cuja oscilação nos pareceu idiossincrática ou, quando menos, expressiva.” Abel Barros Baptista
FERNANDO ASSIS PACHECO nasceu em Coimbra, a 1 de Fevereiro de 1937. Licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi poeta, ficcionista, jornalista e crítico. O avô paterno foi redactor da revista Vértice, circunstância que lhe permitiu privar de perto com Joaquim Namorado e outros poetas da sua geração como Manuel Alegre e José Carlos de Vasconcelos. Publicou o primeiro livro de poesia em Coimbra, em 1963: “Cuidar dos Vivos”, poesia de intervenção política, de luta contra a guerra colonial. O seu segundo livro de poesia “Câu Kiên: Um Resumo” (título vietnamita para escapar à censura fascista), foi publicado em 1972, mas conheceria a sua versão definitiva em “Katalabanza, Kiolo e Volta”, em 1976. No mesmo ano publicou “Siquer este refúgio”, também de poesia. Em 1978 publicou o livro de novelas “Walt ou o frio e o quente” e em 1980 “Memórias do Contencioso e outros poemas” que reuniu poemas publicados entre 1972 e 1980. Em 1987, mais um livro de poesia: “Variações em Sousa”. E outro em 1991: “A Musa Irregular”, onde reuniu toda a sua produção de poeta até esta data. Estreou-se no romance com “Trabalhos e paixões de Benito Prada: galego da província de Ourense, que veio a Portugal ganhar a vida” em 1993. Morreu em Lisboa, com 58 anos, à porta da Livraria Bucholz em 1995.
A infância volta sempre. Na corrente do tempo, sob a forma de uma memória que sangra saudade. E voltará, sempre que procurarmos a felicidade. (Instância de conclusão: aula de refrigeração e bombas de calor :p)
De quando o futebol mais importante do mundo se jogava na rua entre crianças com pensamentos de marialvas. De como se escrevia com um sentido de humor tão rico que damos por nós a ler sempre a sorrir, quer das graçolas do escritor, quer da nostalgia de tempos passados cuja escrita nos faz recordar.Já não me divertia tanto a ler um livro português desta maneira desde o "Crônica dos bons malandros" de Mário Zambujal. Eram 4,5 estrelas na certa, mas ficam 4 com a garantia de que o escritor era tão craque com uma caneta como com uma bola.Lê-se num fôlego a suspirar por mais.