Esta antologia, organizada e traduzida por Paulo Henriques Britto, apresenta grande parte dos poemas que a autora publicou em vida e alguns poemas póstumos. Estão aqui também os poemas que a autora escreveu sobre o Brasil, resultado das quase duas décadas em que morou no país. Mesclando a capacidade de observar e descrever a textura do mundo, lugares e animais a uma inclinação psicológica e subjetiva, Bishop se debruça sobre temas como o tempo, a memória, a natureza e o amor, em composições que apresentam uma variedade de recursos formais, demonstrando relação entreforma e conteúdo.
Elizabeth Bishop was an American poet and writer from Worcester, Massachusetts. She was the Poet Laureate of the United States from 1949 to 1950, a Pulitzer Prize winner in 1956. and a National Book Award Winner for Poetry in 1970. She is considered one of the most important and distinguished American poets of the 20th century.
Poderia passar horas lendo Elizabeth Bishop descrever bichos, plantas, lugares e tudo o mais que ela quisesse.
Só atento que algumas escolhas de tradução são curiosas. A caricatura que se tornou "The Burglar of Babylon", por exemplo, me pegou de surpresa e ainda não consegui entender o motivo por trás dessa decisão.
Poesia muito sútil e voltada aos detalhes — tanto no externo (a Elizabeth Bishop é muito observadora) quanto nos próprios sentimentos. Personificação de animais e até objetos para traduzir pequenas coisas que sentimos ou fazemos.
A relação de Bishop com o Brasil é interessante — apreço pela natureza e algumas pessoas; desprezo pela cultura e muita raiva de alguns traços que enxerga (muito claro em “Going to the Bakery”). Isso se traduz mais em alguns poemas, mas nota-se que, ao longo de sua vida, o Brasil foi muito formador e ela vai e volta nas suas concepções e no gostar ou não daqui.
As fases de Bishop são interessantes. Primeiro, os poemas são muito descritivos (muito bonitos, aliás); depois, vão ficando mais pessoais, às vezes mais “brutais” e fortes (não é uma regra, mas uma tendência).
Há, muitas vezes, o tema do ser dividido, mas o mais marcante é a atenção aos detalhes, a minúcia; a maneira como Elizabeth Bishop pega coisas cotidianas e as destrincha — sempre partindo do concreto para chegar em algo mais sentimental, para conseguir gerar uma sensação muito particular no leitor. Além disso, é impressionante o quanto a poesia consegue ser visual.
Há, é claro, alguns poemas melhores e outros piores. Mas nenhum é ruim. Muito refinado.
A poesia de Bishop é sóbria e descritiva; são recorrentes temas como a natureza e as memórias, retratados sempre com imagens belas e originais. Ela é uma poeta do mar, das montanhas, dos animais, mas também das casas antigas, dos amigos e parentes distantes e, de um jeito muito sutil, dos amores presentes e passados. Para nós, têm interesse particular os poemas que tratam do Brasil. Em que pese um certo olhar estereotipado, acho que ela descreveu de maneira muito pessoal e poética o país, em especial a natureza (mas, de certa forma, também a vida humana). Neste sentido, estes poemas não deixam de ser também o registro de uma observadora privilegiada, em todos os sentidos, de um certo momento da nossa história. O trabalho do organizador e tradutor, Paulo Henriques Britto, enriquece ainda mais a leitura, tanto nos ensaios de abertura quanto no brilhante esforço de tradução. Acho que ele acertou ao respeitar o ritmo e a sonoridade dos poemas e enfatizar mais o sentido geral da obra do que as suas partes isoladas.