"Se puserdes o pé num ninho de cobras, será que interessa qual vos morde primeiro?"
Num ninho de cobras foi o que se transformou o reino de Westeros , Rei morto Rei posto, começou a corrida ao Trono de Ferro. Cersei, víbora mor, não perdeu tempo , deu de bandeja o trono ao filho, miúdo mimado, sádico e prepotente ,usurpou um lugar que legalmente nem lhe pertence ou não fosse o seu sangue incestuoso, não tento nada de real.
E de repente, por todo o reino chovem candidatos ao trono. Cada um chama Rei a si próprio, exige-se lealdade e obediência, maquinam-se esquemas e tramoias, fazem-se alianças e cometem-se traições. Tudo isto pautado por uma brutalidade arbitrária, enquanto o reino agonia e se afoga no próprio sangue.
Não foi dos três que li até agora o que gostei mais, mas foi neste que algumas das mulheres foram sobressaindo, mostrando a sua coragem e determinação.
Daenerys , única sobrevivente da casa Targaryen, perdeu tudo: família, o amor da sua vida, o filho por nascer. Abandonada no deserto, do seu povo restam velhos, doentes, cavalos cansados e uns poucos guerreiros , muito poucos para fazer frente ao inimigo. Mas esta Filha da Tormenta tem sangue do dragão e não desiste, nem da reconquista do Trono dos seus antepassados nem da sobrevivência do seu povo. Com os seus dragões recém nascidos, enfrenta tudo e todos e vai à luta. Demasiado para uma menina de 14 anos (na série de televisão não é o que aparenta).
Arya Stark, outra miúda que nem 10 anos tem ainda, viu morrer o pai de forma traiçoeira , pôs-se em fuga , anda a passar pelo inferno, mas acredito que vai conseguir atravessar o reino e chegar finalmente a casa. É a imagem da resiliência e da coragem. Pela sua determinação em manter -se uma maria-rapaz, desde o inicio da história ganhou logo a minha simpatia, aquela miúda lembra-me constantemente a minha própria infância.
Finalmente Catelyn Stark, ninguém perdeu tanto como ela, mataram-lhe o marido, aprisionaram-lhe as filhas,deixaram-lhe outro deles estropiado e viu o mais velho partir para a guerra. Ainda assim é ela, que sem se importar com mais ou menos humilhação luta para pôr fim à guerra, só quer regressar a casa, ter os filhos ao lado, e em paz, chorar finalmente o marido. Veste a capa da coragem, mas por dentro aquela mulher está um farrapo.
George RR Martin divide os livros em capítulos, cada um deles dedicado a uma das personagens. Vai muito além dos diálogos, aprofunda bastante cada uma delas, dando-nos a conhecer os seus pensamentos mais íntimos, coisa que não acontece na série de TV. Por muito bons que sejam os atores, não é possível deixar transparecer toda a intensidade do livro.
Também neste volume começou a aparecer alguma fantasia, primeiro os dragões e agora alguma magia negra, criando ainda mais mistério para o que vêm a seguir.