Basta uma frase. Basta às vezes uma palavra. Um detalhe - e são pessoais e intrasferíveis os seus detalhes, capazes de enriquecer uma situação, um diálogo ou um personagem. O mundo de Dalton Trevisan está fechado nele. Ou melhor: em sua obra, que ele partilha conosco. Tem-se dito que não há nesse mundo, ou nessa obra, uma visão otimista. E há em contrapartida uma boa dose de crueldade. Da minha parte, vejo em Dalton Trevisan o escritor. Singularíssimo. Capaz de proezas que apura até o extremo de seu talento criador. Escritor operoso e insatisfeito, seu texto é cada vez mais denso. Aqui, nesta história longa, neste romance, pode-se ver também - e agora mais de perto - o que é a arte de Dalton Trevisan. Essa arte em última análise exprime-se através de uma visão misericordiosa, de genuína compaixão pela aventura humana. A Polaquinha não é uma réplica feminina do Vampiro, ambos cidadãos de uma Curitiba que é real e não é real. A Polaquinha retoma um tema eterno. Há muita perdição na sua busca. Há culpa e há castigo. A vida é implacável. Quem o diz não é Dalton Trevisan. Quem costuma dizê-lo, ou comprová-lo, é a própria vida. Na pena e na visão de Dalton Trevisan, essa vida não se perde. Ela está aqui, para sempre. Por obra e graça de um escritor que tem o senso dramático da condição humana. E tem sutilizas e remissões literárias do melhor quilate. A Polaquinha é inesquecível. Sobretudo se o leitor, como essa pobre moça, está inclinado a crer que nunca se sabe nada de ninguém. Por isto convém continuar indagando. E ler, renovado, renovador, o romancista Dalton Trevisan. (Otto Lara Resende)
Dalton Jérson Trevisan was a Brazilian author of short stories. He was described as an "acclaimed short-story chronicler of lower-class mores and popular dramas." Trevisan won the 2012 Prémio Camões, the leading Portuguese-language author prize, valued at €100,000.
Ele só escreve o indispensável, valoriza cada palavra, cria uma melodia monótona de violência, sexo e desejo. Sexo como norte e desejo como barco que conduz, as vezes sem remo, seguindo o curso do rio como a terceira margem do Guimarães Rosa. Indispensável para se conhecer e conhecer a Terra Brasilis (“terrae incognitae”)
(PT) "A Polaquinha" é a história de uma garota de Curitiba que cresce e descobre a sexualidade. Tem namorados, um em paralelo com outro, e aos poucos, descobre que e mais o desejo do que o amor que mexe as coisas.